domingo, 11 de outubro de 2020

Novena a São Vicente de Paulo - Padroeiro das Obras da Caridade



PARA TODOS OS DIAS 


Ato da Presença de Deus


Meu Senhor e meu Deus, creio que tu estás aqui, que me vês e que me ouves. Amo-te com profunda reverência. Peço-te perdão dos meus pecados e graças para fazer com frutos a nossa novena. Abençoa cada um de nós, as nossas famílias, os nossos amigos e o mundo.  Amém!


Oração a São Vicente de Paulo


Senhor, que para a salvação dos Pobres e a formação do clero, cumulastes de dons apostólicos vosso Bem-aventurado servo São Vicente; a nós que buscamos seguir os ensinamentos de sua vida, concedei-nos continuar no mundo a missão do vosso Filho e abrasar-nos sempre em vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


 

1º Encontro


DEUS PREPARA SÃO VICENTE DE PAULO


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: Ao iniciarmos esta novena em honra de São Vicente de Paulo, queremos conhecer um pouco mais sua história e espiritualidade a fim de que ele seja para nós fonte de inspiração e modelo de santidade.


Leitor: Vicente nasceu em abril de 1581, no seio de uma família cristã e camponesa, na aldeia de Pouy, na França. Logo cedo, percebendo sua inteligência e interesse pela religião, seu pai o envia para outra cidade a fim de estudar e assim, chegar ao sacerdócio em 1600.


Todos: Senhor, olhai por todas as famílias a fim de que sejam verdadeiros lares cristãos onde as crianças, como um dia foi São Vicente, possam aprender com seus pais a amar-vos e a reconhecer a dignidade do trabalho.


Leitor: Anos depois, ao chegar a Paris, Vicente de Paulo passa por situações difíceis, é acusado injustamente de roubo e não consegue uma boa colocação que lhe permita ajudar financeiramente sua família. Após essa provação, ele vai trabalhar como distribuidor de esmolas da Rainha Margarida e passa pela provação da fé, ao se compadecer de um amigo teólogo que sofria terrivelmente e se oferecer a Deus para sofrer em seu lugar.


Todos: Ajudai-nos, Senhor, a viver as injustiças, as provações e as dúvidas de fé como momento de purificação e de aprendizado. E que sigamos o conselho de São Vicente: “É preciso ter vida interior, é preciso tender para ela; se falharmos nisso, vamos falhar em tudo”.


Dirigente: Vamos concluir nossa novena pedindo a São Vicente de Paulo que interceda por todos aqueles que são acusados injustamente e que passam por dúvidas de fé.


Oração a São Vicente de Paulo


2º Encontro


TODO ENTREGUE A DEUS E AOS POBRES


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: São Vicente sai da noite da fé quando decide doar toda a sua vida a serviço dos Pobres. A partir de então, sua vida pertence aos Pobres. Sente-se à vontade e feliz numa paróquia do campo. Sai de lá para trabalhar com uma família importante de sua época. Entretanto, Deus não o estava afastando dos Pobres, mas revelando sua verdadeira vocação.


Leitor: Em 1617, ele estava em Folleville confessando um aldeão em perigo de morte, e se dá conta de que o “Pobre povo se condena por não conhecer as coisas necessárias para a salvação e por falta de confissão!” E para atender aos Pobres do campo, ele funda anos mais tarde, a Congregação da Missão.


Todos: “Se houver entre nós os que pensam que estão na Missão só para evangelizar os Pobres e não para os aliviar; para curar suas necessidades espirituais e não as temporais, eu respondo que devemos assisti-los e fazê-los assistir de todas as maneiras, quer por nós, quer pelos outros.”


Leitor: Seis meses mais tarde, em agosto do mesmo ano, ele é padre em Châtillon-les-Dombes; encontra a doença e a miséria de uma família inteira. Lança seus paroquianos no caminho da caridade, mas percebe que é uma caridade desorganizada. Cria, então, confrarias ou equipes de voluntárias para dar continuidade ao trabalho que poderia se tornar esporádico ou sentimental.


Todos: Essas confrarias conhecidas hoje como Associação Internacional das Caridades, reúnem mulheres voluntárias que desejam servir os Pobres corporal e espiritualmente.


Dirigente: Concluamos nossa novena, pedindo a São Vicente que abençoe o trabalho realizado pelos Padres e Irmãos da Congregação da Missão e das Voluntárias da Caridade e suscite novos membros para que as duas fundações continuem realizando sua missão junto aos Pobres.


Oração a São Vicente de Paulo


3º Encontro


FAZER O QUE O FILHO DE DEUS FEZ


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: Em 1633, com Santa Luísa de Marillac, São Vicente funda a Companhia das Filhas da Caridade. No pensamento de Vicente, a Filha da Caridade “não faz” um serviço de Pobres, ela é a serva de Cristo nos Pobres. Trata-se para ela de um estado permanente que ele chamou de “estado de caridade”.


Leitor: Uma outra face do Cristo, segundo Padre Vicente, é: o Servo. Somos todos chamados a segui-lo no caminho do serviço. O mesmo dom de si em estado puro e radical opera cotidianamente, por um mesmo impulso do coração: servir ao Pobre é servir a Deus!


Todos: “Para ser verdadeira Filha da Caridade é necessário fazer o que Filho de Deus fez sobre a terra. E o que fez ele de modo especial? Trabalhou continuamente pelo próximo, visitando e curando os enfermos, instruindo os ignorantes visando à sua salvação.” 


Leitor: Tornar-se servidor seguindo os passos de Cristo é um estado de vida. “Estar a serviço de” implica um engajamento total e constante. São Vicente e Santa Luísa desposam instintivamente, por eles e pelos outros, a condição de Ser servidores: “ser”palavra que esvazia o “fazer” a qualquer preço para nos levar do ativismo à escuta.


Todos: O vicentino obedece a seu mestre: “Nosso Senhor quis ajustar-se aos Pobres para nos dar o exemplo de fazer o mesmo”.


Dirigente: Peçamos a São Vicente que nos ensine a ser servidores uns dos outros e, em especial, dos Pobres, evitando todo ativismo. Que por sua intercessão, Deus envie mais vocações às Filhas da Caridade.


Oração a São Vicente de Paulo


4º Encontro


BATISMO: VOCAÇÃO PARA SEGUIR JESUS


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: Após termos relembrado alguns acontecimentos importantes da vida de São Vicente, vamos, nos próximos dias, rezar sua espiritualidade e sua obra. Hoje vamos  refletir sobre como São Vicente de Paulo viveu sua vocação batismal que é comum também a nós.


Leitor: Quando São Vicente reflete sobre seu batismo, descobre que o Espírito Santo legou para ele o mesmo espírito de Jesus e fica fascinado por aquele que o faz viver do mesmo espírito de seu Salvador. Voltando-se para o Deus Trindade que nele habita, reza com fervor:


Todos: “Ah! Senhor, atraí-nos para vós, dai-nos a graça de seguir vosso exemplo... que nos leve a procurar o reino de Deus e sua justiça, e a nos abandonar a ele em troca do resto; fazei que vosso Pai reine em nós, e reinai vós mesmo em nós, fazendo-nos reinar em vós pela fé, pela esperança e pelo amor, pela humildade, pela obediência e pela união com vossa divina Majestade.” 


Leitor: O Batismo supõe um movimento duplo de aniquilamento e enriquecimento. É preciso viver e morrer em Cristo, como dizia São Vicente: “É preciso... que vos esvazieis de vós mesmos para vos revestirdes de Jesus Cristo”. O Batismo é um chamado de Deus, uma vocação e inclui outro apelo. Quem diz apelo, diz consagração em favor da obra à qual Deus nos destina.


Todos: São Vicente exorta frequentemente os seus nesse sentido e nos convida a viver com eles em estado de oferenda: “Felizes aqueles que se entregam a Deus sem reserva para fazer as obras que Jesus Cristo fez, e para praticar as virtudes que Ele praticou”.


Dirigente: Concluamos nossa novena pedindo a São Vicente que nos ajude a viver o nosso Batismo com consciência e devoção.


Oração a São Vicente de Paulo


5º Encontro


A FÉ DE SÃO VICENTE DE PAULO


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: A fé que anima São Vicente é sóbria: não existem êxtases nem visões, mas transforma sua vida. Nele tudo é dinamismo, seu ritmo diário, seus empreendimentos, suas palestras, sua correspondência, Vicente é um homem centrado nos acontecimentos. 


Leitor: A provação da fé pela qual passou foi duríssima, mas formadora; ficou mais apto para compreender as almas e fazer-se apóstolo da compaixão e da misericórdia. Isto transparece por meio das cartas à Santa Luísa de Marillac, apressada por natureza, que ele deve conduzir à serenidade:


Todos: “Descarregai vosso espírito de tudo o que vos faz pena, Deus vai cuidar. Não saberíeis afobar-vos nisso sem contristar (por assim dizer) o Coração de Deus, porque ele vê que não o honrais suficientemente com a santa confiança. Confiai nele, eu vos suplico, e tereis o cumprimento daquilo que vosso coração deseja.”


Leitor: Sua insistência permanece legítima, é necessário começar pela fé e acrescenta: “Não há nada capaz, como as verdades eternas, para encher o coração e nos guiar com segurança”. Aderir fortemente a Deus, apegar-se a ele como um pobre na aflição ou melhor, como uma criança segurando, alegre, a mão de seu Pai, tal é o objetivo de Vicente que deseja partilhar sua experiência fundamental: seu socorro está em Deus.


Todos: A fé é o seu trampolim, e não cessará de empreender e agir por fidelidade a Deus, para corresponder a seu “bem querer”, fazer “seu beneplácito”.

Dirigente: Que São Vicente de Paulo nos alcance uma fé firme que nos ajude a viver nosso dia a dia segundo a vontade de Deus.


Oração a São Vicente de Paulo


6º Encontro


A PAIXÃO DE SÃO VICENTE PELO REINO DE DEUS


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: São Vicente de Paulo é um apaixonado e este dom de Deus lhe dá seu verdadeiro perfil. Ele mesmo confessa seu temperamento difícil: “Eu me exaspero, sou volúvel, me exalto e repreendo”. É possuído pelas virtudes dos fortes: a coragem, a audácia, a firmeza, uma certa temeridade e acima de tudo, o ardor, o zelo.


Leitor: Já se falou muito de sua tolerância em esperar, de seu ritmo lento. Ele reflete, conta com o tempo, porém não titubeia mais depois que o objetivo foi estudado e definido. Fica inteiramente empenhado nele com este duplo princípio:


Todos: “Há duas coisas a considerar: saber não somente fazer o bem, mas que esse bem seja bem feito.”


Leitor: São Vicente foi um homem cheio de ardor. Alguém poderia ter dito que era “obcecadamente zeloso”; um amante da ação preparada e amadurecida no calor da meditação. Ele nos coloca em estado de aquecimento, os olhos voltados para a vinda do Reino de Deus, resumindo tudo nestas fórmulas lapidares e estimulantes:


Todos: “É preciso estar totalmente disponíveis para Deus e para o serviço do povo.” E “É preciso... estar prontos e disponíveis para ir e vir aonde agrada a Deus, seja para as Índias ou outro lugar, enfim, colocar-nos de bom grado a serviço do próximo para ampliar o reino de Jesus Cristo nas almas.”


Dirigente: Peçamos a São Vicente de Paulo que interceda por nós a fim de que tenhamos o mesmo ardor no anúncio do Evangelho e o mesmo zelo na construção do Reino de Deus.


Oração a São Vicente de Paulo


7º Encontro


OS POBRES NOSSOS SENHORES E MESTRES

Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: O Padre Vicente é o homem dos Pobres. Nós o ouvimos suspirando de fadiga e de amor: “Os Pobres, que não sabem para onde ir, nem o que fazer, que já sofrem e se multiplicam todos os dias, são o meu peso e minha dor”. Isso se torna mais categórico diante dos confrades em reunião quando lhes afirma:


Todos: “Nós somos os padres dos Pobres. Deus nos escolheu para eles. Lá está nossa riqueza, tudo o mais é acessório.”


Leitor: Os Pobres! Em nossos dias, essa palavra perturba tanto a ponto de transformar-se num repertório vazio, exprimindo sempre a mesma realidade lamentável. São Vicente tem o hábito bem conhecido de ver tudo. Esse homem vê a realidade, perscrutando-a com intensidade, aprofundando o olhar em todos os que cruzam o seu caminho:


Todos: Os camponeses de sua terra, os andarilhos das cidades e das estradas, os aldeões, os errantes, os serventes, os marginais, os boêmios, os estropiados. Ele se compadece dos inválidos, dos velhos e dos órfãos, dos prisioneiros das galeras a ele confiados e do imenso cortejo de todos aqueles que a angústia da existência aprisiona e a fome mortifica.


Leitor: O Pobre é aquele que descobre para nós o primeiro Sofredor, aquele que carrega o peso de todas as misérias do mundo: Jesus Cristo, Pobre e humilhado. O Pobre é “sacramento de Cristo”. Vicente exprime essa mística do Pobre em palavras que deram a volta ao mundo:


Todos: “Não devo considerar um pobre aldeão ou uma pobre mulher conforme seu exterior, nem conforme o que parece pelo reflexo de seu espírito; tanto assim que muitas vezes não têm sequer a figura e o espírito de pessoas racionais, tão grosseiros e terrenos eles são. Virai a medalha, porém, e vereis pelas luzes da Fé que o Filho de Deus, que quis ser Pobre, nos é representado por esses Pobres.”


Dirigente: Que São Vicente nos ensine a “virar a medalha” todos os dias para assim encontrarmos e servirmos Jesus nos Pobres.

Oração a São Vicente de Paulo


8º Encontro


A IGREJA, CIDADE DOS POBRES


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: Um dos aspectos que mais toca o leitor assíduo de São Vicente de Paulo é esta sua obstinação em criar estruturas, tecer laços precisamente em torno dos Pobres. Ele planeja sem cessar novas organizações e faz todos os seus membros trabalharem juntos.


Leitor: Filhas da Caridade, Missionários da Congregação, Senhoras das Confrarias da Caridade, padres e responsáveis civis, homens e mulheres de boa vontade, todos são convidados a se unir para socorrer as necessidades dos Pobres. Vicente de Paulo inaugura assim, uma nova maneira de “fazer Igreja”.


Todos: “Com mais forte razão, os cristãos, sendo membros de um mesmo corpo e membros uns dos outros, devem compadecer-se uns dos outros. O quê? Ser cristão e ver seu irmão aflito, sem chorar com ele, sem sentir-se doente com ele! Isso é não ter caridade; é ser cristão de rótulo; é não ter nada de humanidade; é ser pior que os animais.”


Leitor: São Vicente sabe que Deus não faz distinção de pessoas e que a Igreja é o povo de Deus em comunhão. Essa é a visão profética de uma Igreja embebida no Evangelho. Ele nos mostra ainda, concretamente, que a evangelização dos Pobres é como o critério da presença ativa do Espírito Santo em sua Igreja. Pode-se dizer que Vicente desenvolveu toda a sua ação sobre base eclesial.


Todos: “Servindo os Pobres, serve-se a Jesus Cristo. Ó minhas filhas, isso é verdade! Vós servis a Jesus Cristo na pessoa dos Pobres. Isso também é tão verdade quanto o estarmos aqui”.


Dirigente: Peçamos a São Vicente que interceda pela Igreja Católica para que ela nunca se afaste dos Pobres e oprimidos, mas que sua voz se erga sempre para defender seus direitos e promover a sua dignidade.


Oração a São Vicente de Paulo


9º Encontro


A ORAÇÃO, A ALMA DA AÇÃO


Oração: Ato da Presença de Deus


Dirigente: Deus, o Reino, os Pobres! Como levar a termo tão grande tarefa? Vicente não tem, senão, um segredo: a oração. Para ele, é a paixão de sua vida, “o centro da devoção”. Quando ele aborda esse tema, emprega imagens que exprimem elementos vitais como se quisesse comunicar sua importância, fazer ver sua necessidade absoluta.


Leitor: Para São Vicente a oração é a alma, o ar, o alimento, o orvalho, o reservatório, a fonte da juventude, o sol, o pão de cada dia, a sementeira. Conhecemos sua frase famosa que se impõe de chofre, tão forte ela é:


Todos: “Dai-me um homem de oração e ele será capaz de tudo.”


Leitor: Fazer oração. Todos os dias. Durante uma hora. A norma está aí, quase lancinante, transcende o tempo para chegar até nós e nos libertar do aburguesamento espiritual. Pois bem, existe o perigo de se instalar na “insensibilidade” ou no fastio. Por isso, em 1648, diz para suas Irmãs: “Não deixeis a oração, não a  deixeis de modo nenhum, pois a oração é tão excelente que nunca se pode fazê-la demais”.


Todos: “Uma coisa importante à qual deveis aplicar-vos cuidadosamente, é a de ter grande contato com nosso Senhor na oração; lá está o reservatório onde encontrareis as instruções que vos serão necessárias para desempenhar a tarefa que tereis.”


Dirigente: Para o bem do Reino, da Igreja, dos Pobres e de cada um de nós, façamos nosso o pedido de São Vicente de Paulo neste último dia da nossa novena: “Meu Salvador Jesus Cristo, eu vos suplico de nos conceder abundantemente o dom da oração, a fim de que, conhecendo-vos, possamos adquirir vosso amor”.


Oração a São Vicente de Paulo

Organizada por: Ir. Carolina Mureb Santos, FC
Fonte: “Orar 15 dias com São Vicente de Paulo” – Pe. Jean-Pierre Renouard, CM

SÃO VICENTE DE PAULO – O SANTO



por Pe. Ildeu Pinto Coelho, CM

 Aos 27 de setembro de 1660, rodeado pelos seus assentado, atento e participando de tudo, agoniza Vicente de Paulo. 

Levados pela mais terna afeição, ainda ampliada pela emoção do momento, seus bons filhos se esmeram em levar-lhe seus últimos préstimos espirituais. 

Multiplicam-se as orações, invocações, litânias, às quais vai respondendo com tocante boa vontade e piedade.

Seguem-se as perguntas costumeiras sobre a fé e o perdão das injúrias.

“Jamais ninguém me ofendeu!” Recebe o sacramento da Unção, o viático, sua voz cada vez mais enfraquecida. 

Aos missionários, sempre preocupados em recitar novas orações, murmura: “Basta!”- Jesus foi sua última palavra ouvida.

“Ao morrer, entregou sua bela alma nas mãos de Nosso Senhor e permaneceu assentado como estava antes, mais belo, majestoso e venerável do que nunca!” Assim nos fala uma testemunha ocular.

Menos de 2 meses depois, a 23 de novembro de 1660, no primeiro elogio fúnebre, Mons. Henri de Maupas du Tours afirmava: “Ele quase mudou a face da Igreja!”

Em 1664, aparece  sua primeira grande biografia por um seu contemporâneo e admirador, Mons. Luiz Abelly, bispo de Rodez.

Hoje a bibliografia completa sobre São Vicente comportaria mais de 10.000 referências, das quais umas 1000 propriamente como biografias

O catálogo completo da Iconografia Vicentina reuniria mais de 4000 números.

Todo aquele que se interessa pelo estudo de São Vicente de Paulo, deslumbrado, muito cedo, pela multiplicidade maravilhosa de suas obras, corre o risco de não enxergar o segredo deste dinamismo...

Seu Pai foi o primeiro a perceber nele algo de extraordinário: sua inteligência, sua vivacidade, seus bons sentimentos. 

Resolveu mandá-lo a estudar o latim junto dos Franciscanos. Em seguida, vende uma junta de bois para que com este dinheiro, pudesse começar seus estudos superiores em Tolosa.

Aos quinze anos de idade, recebe a incumbência de cuidar da educação dos filhos do advogado Sr. De Comet. 

Nasce aí uma amizade que perdurará toda a vida.

Ainda muito jovem e com poucos anos de padre, recebe a nomeação de capelão da rainha Margarida. 

Trava conhecimento com os demais funcionários subalternos. 

Visita os hospitais, distribui as esmolas. Sente-se perturbado pelo sofrimento de tantos inocentes, vítimas de tanto abandono. Doa de seu próprio bolso uma grande soma de dinheiro próprio.

Vítima de uma calúnia por parte do Juiz de Sore, que compartilhava o mesmo quarto, durante 6 anos, suporta heroicamente a acusação, sempre repetida de ser um falsário, um ladrão.

Em Paris, ainda, trava conhecimento com um ilustre eclesiástico, um renomado teólogo, arruinado pelas dúvidas contra a fé. 

Este infeliz estava à beira do desespero, do suicídio e da neurastenia. 

Num gesto surpreendente de heroísmo – “não há maior amor do que dar sua vida pelo irmão”- oferece-se a Deus como vítima. 

Sua oferta é atendida. Durante 4 anos, atravessa o “vale das trevas mais espessas”.

Relaciona-se com os mais ilustres reformadores franceses: São Francisco de Sales, Bérulle, Condren, Olier, Bourdoise, o Abade de Saint Cyran. 

Ele, o camponês, diplomado, é verdade, mas sempre com as marcas da simplicidade  e humildade, pertencente a outra estirpe. 

No  entanto, todos o respeitam, o admiram, o consultam...

Uma rápida estadia sua em Clichy transforma a paróquia rural. Ele mesmo se admira como pode ter um povo tão afeiçoado ao seu novo pastor. 

Sente-se a criatura mais feliz da terra. O mesmo pensam os moradores do seu novo vigário!...

Em Chatilon les Dombes, recupera os 6 eclesiásticos desanimados, reconduz à Igreja todo o povo afastado e especialmente o protestante, junto do qual se hospedara. 

Funda suas Caridades e conta com a maior boa vontade de toda a população a assistência aos pobres e doentes.

Junto da ilustre e poderosa família dos Gondi, torna-se uma  presença imprescindível. É a paz, a segurança, a tranqüilidade de todos.

A  senhora De Gondi já não consegue imaginar viver sem seus conselhos, sua direção. Poder-se-ia pensar em sensibilidade feminina de uma alma inquieta e escrupulosa. Mas não. O General das Galeras é de igual parecer.

Quando veio a saber por uma carta de São Vicente seu propósito de se afastar de sua residência, fica perplexo, confuso, fora de si.

“Sinto-me no desespero, devido à carta, que me enviou M. Vincent...

É preciso lançar mão de todos os meios para que tal não aconteça...

Recorramos a todas as pessoas influentes para persuadí-lo a ficar...

Desejo apaixonadamente que ele volte à nossa casa... Que aqui ele viva como o desejar... Eu serei ainda um dia um homem de bem, se ele ficar conosco!” Após a morte de sua esposa, em 1625, o General das Galeras se tornou padre e superior do Oratório, depois de Pe. Bérulle.

Para se perceber todo o alcance do trabalho das Caridades, servidas pelas senhoras da alta sociedade: duquesas, marquesas, princesas e futuras rainhas como a duquesa de Nemours, futura rainha da Polônia, Maria de Gonzaga, será preciso transportar-se àquele tempo de fausto, de honrarias, de futilidades, de ostentação e luxo... 

Senhoras dedicadas, cheias de boa vontade, mas divididas entre o Reino de Deus e as exigências sociais do outro reino...

 As Caridades se espalharam por toda parte, já eram mais de 300 senhoras, arregimentadas, instruídas, guiadas pela mão daquele misterioso sacerdote camponês. 

Por mais de uma vez, surgiu uma grave suspeita: não seria um perigo para o reino, um princípio de insurreição nacional; que tratariam em suas  reuniões , a portas fechadas? Da dúvida, partiram para a ação: oficiais  do rei e policiais colaram seus ouvidos indiscretos às portas para se certificarem do que estava acorrendo. O que ouviram deixaram-nos ainda mais perplexos: Aí se falava dos pobres, dos doentes, das crianças abandonadas, dos velhos, das jovens ameaçadas em sua honra, de  remédios, de esmolas e sobretudo....um nome que era repetido a cada frase... Jesus Cristo assim o pede!

Assim ocorreu também na cidade de Mâcon, durante o pouco tempo, que aí passou São Vicente. 

A miséria era demais, a mendicância insuportável mesmo para os mais caridosos. 

Quando começou seu trabalho de organização das Caridades, riam-se dele e o apontavam na rua: o padre milagroso, o mágico, vai ver que aqui é impossível qualquer tentativa de assistência.

Muito breve, a ironia se transformou em admiração e colaboração, toda a cidade atendeu aos apelos de São Vicente e os pobres socorridos.

Nomeado Capelão Geral dos Galés, intui, mais uma vez, a chance que a Providência lhe punha nas mãos para levar Jesus Cristo àqueles infelizes. 

Reduzidos às condições subumanas, torturados, famintos desprezados, só exprimiam o mais fundo ódio contra tudo e contra todos.

Com a mesma coragem, doçura, simplicidade, bondade, apresenta-se a estes novos paroquianos... 

Visita-os com freqüência , conversa com todos, manda-lhes a ajuda material e recebidas com escarros... 

Organiza as Missões com seus Filhos, os padres da Missão. Houve um milagre. 

Muitos recuperados física e espiritualmente receberam a liberdade, outros a saúde e todos um sentido de sua dignidade.

Quando foi procurado por Luisa de Marillac, vinha ela de um longo e doloroso caminho de dúvidas, inquietações, angústias, próxima mesmo de uma profunda depressão, prestes a cair numa neurose. 

Pessoas boas, piedosas, afeitas ao temor e ao amor de Deus, mas que tinham perdido a alegria. 

“Minha filha, Deus é amor e quer que vamos a Ele pelo amor!”

Envia Luisa como sua representante para a visita das caridades.

“Rogo à bondade divina que ela vos acompanhe. 

Seja vosso consolo no caminho, vossa sombra contra o ardor do sol, vossa coberta contra o frio e a chuva, vosso leito macio no cansaço, vossa força nos trabalhos e que, enfim, vos traga de volta em perfeita saúde e cheia de boas obras!”

“Ide, Mademoiselle, em nome de Nosso Senhor!”

Em breve estará ela a frente das jovens moças do campo, as primeiras Filhas da Caridade, servas dos pobres doentes, cheia de zelo, alegre, mostrando todos aqueles dons que andavam sufocados pelo medo e pela angústia. 

Durante longos oito anos esperou Vicente a aprovação da Companhia de seus Missionários. 

Obstáculos desde os simples curas de aldeia até do próprio papa. 

“Se o Santo Padre soubesse a condição em que se encontra o pobre povo dos campos, não teria sossego até que remediasse a tamanho mal!”

Para conseguir a aprovação da fundação das Filhas da Caridade, as dificuldades seriam bem maiores. 

Uma inovação inaudita na prática da Igreja. Como realizar o que o próprio bispo de Genebra, São Francisco de Sales, não tinha conseguido? Tornou-se realidade a parábola do grão de mostarda: da pequena e encantadora camponesa Margarida Naseau, “todos a amam, pois nela tudo é amável”, gostava de repetir o santo, até a maior congregação feminina do mundo.

Como um velho barqueiro, afeito e afeiçoado a seu mister, Vicente deslizava com a mesma perícia, naturalidade e segurança entre as margens do rio. 

Dos pobres aos ricos, dos simples aos nobres, do povo aos governantes. 

Lidava com os grandes em função dos pequeninos. Ia a eles e os freqüentava, na esperança de lhes dar a chance de serem bons, justos.

Recebendo o rico e amplo Priorado de São Lázaro transformou-o no “Ministério do Bem”, na expressão de André Frossard; no Conselho de Consciência era a consciência do Conselho, na expressão do mesmo autor...

Pouco antes de morrer, Luis XIII lhe dissera: “Se eu recobrasse a saúde, ordenaria que todos os candidatos ao episcopado fizessem uma preparação de três anos em sua direção”.

Diante do desdobramento vertiginoso de suas obras e realizações, do crescimento de seu renome, São Vicente, modestamente, inperturbavelmente, sempre se esquivando de qualquer vanglória ou vaidade. “As obras de Deus se fazem por si mesma”. “Seria presunção querer tomar a dianteira à Providência”. “É preciso começar sempre pela fé”. Não podemos nos adiantar à Providência”. “Jesus Cristo e os santos fizeram mais pelo seu sofrimento do que pelos seus atos”. “O importante não é que as obras sejam realizadas, mas sim que sejam feitas por Deus e para Deus”.

“É preciso doar-se a Deus”. 

“Esvaziemo-nos de nós mesmos, e Deus, que não suporta o vazio, nos plenificará”. 

“É preciso esvaziar-nos de nós mesmos para nos revestirmos de Jesus Cristo”. 

“Podemos fazer o que quisermos, as pessoas não acreditarão em nós, enquanto não lhes manifestarmos nosso amor”. 

“Não acreditamos nas pessoas, porque as julgamos sábias e inteligentes, mas porque as amamos”.

Decantado em prosa e verso, elogiado em vida e depois da morte, perenizado nas estátuas, nas imagens, nos quadros, nos romances, nas histórias em quadrinhos, no cinema, nos cânticos e música, Vicente de Paulo continua imperturbavelmente a se subscrever: “Vosso humilde servo Vincent Depaul’.

Comoventes os depoimentos dos grandes:

J.J. Olier: “Onde o homem que nos libertará? É isso, senhor Vicente, o que a Igreja e a porção do baixo clero, dos curas dos campos, e eu sobretudo, de mãos juntas, aos quais me ajunto para pedir. Espero tudo isso de sua pessoa, a saber: a ajuda à Igreja, a liberdade dos padres e a maior glória de Deus Pai...”

Ana d’Áustria: “Perdendo o senhor Vicente, a Igreja e os pobres perdem tudo!”

Mais tarde, o próprio Voltaire irrequieto, irreverente, anticlerical e violento em seus ataques, não escapou ao fascínio e magia espiritual do Pai dos Pobres: “Santo de minha preferência é Vicente de Paulo!”

Quantas vezes tivera conhecimento das decisões do ministro todo-poderoso: “As razões do Estado exigem assim, são exigências do Reino”. 

E ele cuidando das coisas de Deus: “Minhas filhas, é vontade de Deus (do Reino de Cristo) que façamos e procedamos dessa maneira!”.

“Confiar nos meios humanos para as coisas de Deus é o mesmo que confiar no Demônio. As coisas de Deus só se realizam por meios divinos.”

Uma análise apressada e superficial levaria o historiador a interpretar a influência misteriosa de Vicente de Paulo sobre as pessoas com a etiqueta de um autêntico Líder Carismático. 

Atraía, arrastava após si todas as categorias de pessoas. 

Uma reflexão mais profunda nos moldes do Evangelho nos convenceria, ao contrário, de uma autêntica cristofania.

“É preciso revestir-se de Jesus Cristo!” Suas armas infalíveis foram sempre a oração, a humildade, a simplicidade, a mansidão, a mortificação, o zelo a toda prova. 

Guardou, desde criança, até a mais avançada idade, sua sensibilidade, sua terna compaixão. 

“Se fracassarmos na vida espiritual, fracassaremos em tudo!”

 Coragem e firmeza diante dos poderosos, ternura e compaixão diante dos pequeninos e humildes. 

Sua longa vida, desde os começos imprecisos e indecisos de um jovem padre, de apenas dezenove anos, ainda preocupado em dar uma tranqüilidade econômica aos pais até a velhice cheia de realizações segue os caminhos imprevisíveis só conhecidos por Deus. 

Foi lenta e profundamente trabalhado pela graça, através dos acontecimentos. 

Sempre quis encher-se de Deus, esvaziar-se de si mesmo e se revestir de Jesus Cristo, a única paixão de toda sua vida de oitenta anos.

Tendo descoberto Jesus Cristo, evangelizador dos pobres, pôde enxergá-lo nos pobres e sofredores. 

Mesmo quando ainda não havia acontecido a “grande arrancada” em direção aos pobres, nunca perdera sua identificação com eles, nunca se distanciara de suas origens, camponês e pobre sempre foi e quis ser, embora tivesse grande soma de bens a gerir em favor dos necessitados.

Por isso mesmo sua vida se assemelha ao evangelho, com o mesmo cortejo de pobres, doentes, santas mulheres, crianças, sacerdotes...

Ainda hoje, com a santidade vinda do céu e o humor das Landes, ele continua  a nossa disposição: “Vosso muito humilde servo, Vicente de Paulo”.


Subsídios para trabalhar a liderança nos grupos



1. O LÍDER DO GRUPO: Falar da liderança do grupo é falar da pessoa ou de pessoas que exercem notada influência sobre os membros do grupo. Não se trata portanto, de um assessor ou simplesmente do coordenador do grupo.

Trata-se de um ou mais integrantes que influem de maneira acentuada na dinâmica do grupo, exercendo, portanto, uma liderança que arrasta ou aglutina os demais integrantes. Devido a essa influência, acontece, quase sempre, que os líderes exercem a função de coordenador do grupo.

O LÍDER se caracteriza pelas qualidade e capacidade de ajudar o grupo a integrar-se, unir-se, entender-se, perseverar e realizar seus projetos e objetivos. Uma boa liderança trata de valorizar todas as pessoas que integram o grupo, apoiá-las sem impor-se, questionar e incentivar a comunicação e participação.

O líder não é aquele que nasce para ser líder. Este é um conceito, uma idéia da sociedade do passado, onde o líder era aquele que tinha sangue azul, era rodeado de mistério, distante. O verdadeiro líder é aquele que, no seu grupo, trabalha para que todos se transformem em líderes.

Constatamos aqui algumas situações que desafiam a experiência de liderança, hoje:

O contexto social incentiva mais lideranças dominadoras e paternalistas do que lideranças animadoras e libertadoras.

Certas estruturas de grupos levam, muitas vezes, o líder a: impor programação, centralizar funções. domesticar e alienar as pessoas.

Por isso, muitos líderes se sentem inseguros e sem habilidade para: planejar e avaliar com o grupo, distribuir adequadamente funções e tarefas, envolver o maior número de pessoas na ação, animar uma experiência de ação tranformadora, incentivar um processo de educação na fé, unindo história da salvação e história da humanidade.

GRILO NA CUCA:

  1. Você como líder, já descobriu outras lideranças no seu grupo?
  2. Que dificuldade sente para descubrí-las?
  3. Você sabe aproveitar essas lideranças?

2. TIPOS DE LÍDERES: A formação de bons líderes é uma das chaves para o bom andamento do grupo. Muitos grupos não crescem e outros acabam morrendo por causa de falsas lideranças ou falta de lideranças. Há muitas maneiras de entender este assunto. Vamos começar falando de três tipos de líderes falsos.

Líderes Falsos:  A) Líder Ditatorial:

O líder ditatorial é a pessoa que segura todo o poder em sua mão. É ele quem planeja e pensa tudo, determina tudo. Os membros do grupo são peças de uma máquina. Ele aperta o botão e todos se mexem. Se uma peça não serve, ele tira e coloca outra. Ninguém precisa ter idéias próprias. É melhor não pensar, porque se pensar pode pensar diferente do líder e assim atrapalhar o funcionamento do grupo. Um jovem comenta: "Quando ele fala pau é pau, pedra é pedra. Ai de quem discordar".

Este tipo de líder, geralmente, é uma pessoa que se destacava pela inteligência, pela agilidade intelectual, pelo poder de convencer e por seu orgulho. Facilmente enrolha o grupo, manipulando e usando os membros para que realizem o que ele pensou e preparou.

O grupo, quando vê diminuída sua participação nas decisões, começa a desintegrar-se e a desanimar. Diante dessa situação o líder ditatorial acaba tornando-se ainda mais verticalista, centralizador e dominador, justificando esta sua atitude, dizendo que o grupo é passivo, desmotiva e sem iniciativa. Num grupo assim, muitas pessoas acabam se frustrando por verem tolhida sua criatividade e suas chances de participação.

B) Líder Paternalista:

O líder paternalista também faz tudo, pensa tudo, determina tudo. É o "papai" que quer fazem tudo para seus "filhinhos". Ele acha que os membros do grupo ainda não têm a capacidade de decidir e por isso têm que ser protegidos e tratados como crianças.

Este tipo de líder é pior que o líder ditatorial porque, pela afetividade, ele amarra as pessoas a si. Cria no grupo a imagem de "chefe bondoso". Forma pessoas dependentes e impede o surgimento de novos líderes. Forma pessoas para a domesticação e não para a libertação. Cria uma dependência infantil. Tira dos participantes a chance de enfrentarem os problemas que vão aparecendo.

Muitas pessoas tornam-se líderes paternalistas para não sofrerem as críticas do grupo. É comum que o grupo divida-se em panelinhas, uns a favor do "líder bonzinho" e outros contra. Isto desgasta muito o grupo, cansa e desanima, além de tirar o grupo de seu verdadeiro objetivo que é lutar pela libertação, como Jesus Cristo fez.

C) Líder Liberal:

Este tipo de líder também é muito prejudicial para o amadurecimento do grupo. O líder liberal costuma esconder sua confusão e seu pouco sentido de vida e da JMV debaixo da máscara liberal. Para ele tudo está bom, contanto que o grupo faça algo que está bem. Cada um deve saber o que quer e o que veio buscar no grupo, cada um deve saber do que gosta, cada um deve saber o que lhe cabe no grupo. Então, para que esquentar a cabeça?

Para ele é coisa odiosa exigir, avaliar, cobrar uma programação. Um grupo que tem um líder de tipo liberal é, em geral, em grupo desorientado, que não sabe bem por que é que o grupo existe, o com que finalidade as pessoas se reúnem em grupo.

As reuniões são bons bate-papo, mas não passam disto. Reuniões não planejadas não levam a nada. É muito difícil avaliar o progresso de um grupo que, no mais das vezes, começa a andar em círculo, sem ir para frente. O sinal de que este líder é rejeitado é a grande rotatividade dos membros nos grupos e até mesmo a morte do grupo.

GRILO NA CUCA

  1. Você conhece algum grupo onde funciona algum dos líderes falsos?
  2. Que fazer quando encontrar alguma pessoa deste tipo em uma comunidade?
  3. Você se identifica com algum tipo de líder acima? Em que ponto?

3. LÍDER DEMOCRÁTICO:

Recordemos um pouco: é preciso deixar de lado esta idéia de que o verdadeiro líder já nasce com uma estrela na testa. Esta maneira mágica de explicar um líder é tipicamente capitalista e serve muito bem para explicar aquela idéia de que uns nascem para mandar e outros para obedecer. É em cima desta idéia que se justifica, muitas vezes, a nossa sociedade de classes: pobres e ricos.

Portanto, o líder não é aquele que brilha mais, que é bom de papo, que tem mais talento ou que se apresenta melhor. Líder é simplesmente aquele que se dedica mais ao grupo do que os outros. É a pessoa que está disposta a sacrificar-se, a dedicar seu tempo a serviço dos outros para que estes estejam livres e sujeitos da história. Neste sentido, todas as pessoas podem ser líderes cada um é líder no campo diferente.

Nós queremos privilegia aquele líder evangélico que é respeitado porque sua autoridade vem justamente do fato de servir mais aos outros. O testemunho de sua vida dá critérios às suas convicções. Queremos entender a liderança como um serviço prestado ao grupo, através do grupo à Igreja povo-de-Deus, ambos em busca de libertação.

O verdadeiro líder é aquele que em seu grupo trabalha para que todos se transformem em líderes. Líderes formando líderes.

Podemos dividir em três os vários líderes democráticos:

A) Líder Profético: Também chamado líder intelectual, pensador objetivo. É a pessoa que tem facilidade para entender o ideal do grupo. Sua contribuição se concretiza principalmente nas idéias que lança, abrindo perspectivas novas para o grupo. Sua força é a habilidade intelectual. Define, esclarece, recolhe informações, submete a prova as contribuições dos demais, critica, apresenta dados objetivos e comprovados, traz argumentos lógicos, analisa, corrige. Sua visão de futuro obriga-o a questionar o jeito de ser do grupo hoje, chamando a atenção para o perigo das "panelinhas", o perigo quando o grupo não tem ação, não transforma e quando os membros não sabem responder à pergunta: "Para que serve o nosso grupo?"

O líder profético tem consciência crítica bem desenvolvida. Sua presença no grupo é indispensável porque muitos não sabem ainda interpretar os fatos que acontecem ao seu redor. O líder profético costuma desconfiar das soluções imediatistas.

O líder profético pode tornar-se mais cabeça que coração. Corre o risco de rejeitar ou dispensar as emoções, os sentimentos, os afetos, e de ironizar os atos "irracionais". Teme agressão e luta aberta, porque vê nisso perda de tempo. Pode tornar-se chato. O líder profético necessita dar conta de seus sentimentos e desenvolver mais a sua capacidade de amar e lutar. É principalmente neste campo que não é característica sua, que ele precisa da ajuda dos outros e de um esforço pessoal mais consciente.

B) Líder de Coesão: Também chamado de lutador tenaz. É o líder que se preocupa com a união do grupo, da comunidade. Preocupa-se com o diálogo, a amizade, a compreensão. Claro, todos os tipos de líderes precisam desta qualidade. Mas o líder de coesão tem mais facilidade de captar os problemas humanos do grupo e contribuir para a sua solução. Ele harmoniza e alivia tensões. Ajuda o grupo a ser realista e aterrizar. Aparece pouco, mas influencia muito, porque seu trabalho é feito em silêncio. Sabe escutar. Para alguns grupos esses são líderes de segunda classe, como se sua contribuição não fosse tão necessária. As vezes são até confundidos com pessoas passivas e apáticas. O líder de coesão corre o risco de tornar-se sentimental. Suas armas são a compreensão, a amizade, a aceitação, o louvor. Necessita de estímulo, firmeza, coragem e risco para não ficar acomodado.

Há no grupo, os líderes que abrem caminhos e atrás caminham os líderes de coesão para os outros caminharem melhor. O líder de coesão nesses tempos difíceis é absolutamente necessário num grupo. Primeiro porque ajuda um grupo a dar testemunho de Igreja, vivendo o "grupo", e segundo porque com sua habilidade e diplomacia, vai conquistando espaço dentro da Igreja e da sociedade, sem arrebentar tudo.

C) Líder Prático: Também chamado de ajudante amigo. Muitas vezes é este tipo de líder que coordena o grupo. Tem grande capacidade de organizar e planejar a ação e de ajudar na formação do grupo e dos grupos da comunidade. Gosta da luta, provoca conflitos, abre caminhos, controla, dirige e, às vezes, chega a dominar o grupo. Nunca trabalha sozinho. Gosta de descobrir novos líderes que o substitua. Ele parte ara abrir novas frentes.

Suas armas são: a disciplina, a organização, a iniciativa, a eficácia. Distribui funções e delega poder de decisão. Tem por lema "nunca fazer as coisas que os outros podem fazer". Por sua dedicação comunica entusiasmo e esperança aos outros. É exigente consigo e cobra os compromissos assumidos pelos demais membros. Sua grande capacidade de escutar os outros faz com que ele tenha facilidade de propor "saídas" quando o grupo está em situação difícil.

O líder prático corre o risco de tornar-se agressivo, dominador, incompreensível e impaciente com a lentidão do grupo. Necessita da compreensão do grupo para aprender a valorizar mais o calor humano, o afeto. Nem tudo se resolve na garra e no esforço.

Então...

Quase sempre muitos membros do grupo entram num desses tipos de liderança. Não podemos continuar colocando uniforme de líder em algumas pessoas só porque elas se enquadram direitinho dentro de um modelo de líder descrito em um manual. Muitos membros dos grupos por aí são líderes. Podemos dizer até que todas as pessoas são, de certa forma, líderes, enquanto tem uma vocação específica a realizar. A JMV se torna cada dia mais democrática onde não há mais lugares para líderes "carismáticos" e autoritários, capazes de carregar a comunidade nas costas. Muitos são líderes e cada pessoa líder o é no tipo de serviço que presta no grupo, em busca de libertação.

É raro uma mesma pessoa reunir as características desses três tipos de líderes em grau eminente. Normalmente se destaca numa delas. O bom entrosamento dos diferentes tipos de liderança leva o grupo a ser dinâmico, a harmonizar a união e vitalidade interna, com dinamismo da ação apostólica. Num grupo maduro cada líder complementa outro.

GRILO NA CUCA

1 - Que tipo de líder você é no grupo: profético, prático, de coesão?

2 - Por que acha isto?

4. CRISES DE LIDERANÇA:

Todo grupo em processo de amadurecimento atravessa situações críticas que podem deixar com saldo a rotina por acomodação, a morte por desintegração, ou então o crescimento por superação da crise.

Em relação aos grupo que entram em crise por falta de liderança, podemos citar que isso ocorre quando os próprios integrantes não permitem o surgimento de líderes ou não sabem descobrí-los, ativá-los. Outras vezes a falta de lideranças atuantes é causada pela repressão do líder que coordena ou pela repressão vinda de fora.

Entretanto é preciso atender para um tipo de crise que tem por causa a luta entre os lideres. Quando surgem dois ou três que lutam pelo poder do grupo, vão reunindo em torno de si seus adeptos, formando subgrupos competitivos, vulgarmente chamado de panelinhas ou chacrinhas. Ocorre mais facilmente quando se trata do mesmo tipo de liderança, por exemplo, de tipo lutadores ou dois pensadores.

Outras vezes é o caso de um líder açambarcar o poder no grupo não permitindo que lideranças de outros tipos venham a complementar sua influência sobre os integrantes. Monopoliza o poder e faz sombra aos demais. Estes, na sombra começam a isolá-lo e a destruí-lo pela crítica e abandoná-lo pelos ataques que vêm de fora, taxando-o de radical ou desequillibrado. Não conseguem valorizar sua contribuição típica e lhe fazem guerra.

Em consequência, aparecem as divisões no grupo ou o afastamento do líder. Não só esta sai frustrado e magoado, mas o próprio grupo se enfraquece e sai patinando.

GRILO NA CUCA

1 - Seu grupo já teve alguma dessas crises?

2 - Procurou ver as causas? O que fez para superá-las?

5. DEFEITOS E QUALIDADES DO LÍDER:

Abaixo temos algumas qualidades (características) que merecem mais um pouco de atenção. É uma síntese do que já foi dito, mas não é o esgotamento do assunto. Existem mais coisas sobre liderança, existem mais características. Vejamos:

A) Defeitos do Líder:

  • Lutar pelo poder no grupo, reprimindo o surgimento de outras lideranças.
  • Dominar o grupo impondo sua vontade.
  • Acambarcar as decisões e a ação no grupo deixando os outros na sombra.
  • Anular as iniciativas os integrantes do grupo.
  • Ser ativista, sem tempo para refletir, questionar, acolher, fazer revisão.
  • Marcar os outros, sem deixar-se marcar por eles.
  • Gerar dependências, sem admitir sua dependência dos demais.
  • Queimar etapas no processo de crescimento do grupo.
  • Centralizar tudo em si, deixando o grupo confuso, quando ausente.
  • Desconhecer o processo de dinâmica dos grupos.
  • Desconhecer que num grupo há pessoas com qualidades diferentes.
  • Projetar-se como sendo mais importante no grupo que os outros.
  • Satisfazer-se com sua realização pessoal sem se preocupar com que os outros sintam-se também realizados.

B) Qualidades do Líder:

  • Aceitar as contribuições dos outros, analisando-as com vistas à sua aplicação.
  • Deixar cargos e funções para outros, para exercitarem e expressarem.
  • Ir ao encontro dos interessados do grupo.
  • Tomar decisões em conjunto.
  • Estimular a participação de todos, partilhando responsabilidade, êxitos e fracassos.
  • Crescer com os participantes, sem ser o dono do grupo ou da verdade.
  • Não querer marcar época e perpertuar-se com realizações fantásticas.
  • Falar na hora certa e escutar sempre com o desejo de captar o outro.
  • Ter objetivos claros ou clareá-los com todo o grupo.
  • Perseverar na conquista dos objetivos, também nas dificuldades.
  • Informar aos demais do que se passa.
  • Questionar sem fazer-se juiz dos outros.
  • Mobilizar e impulsionar o grupo para novas conquistas e realizações.
  • Provocar a coesão, a união, a continuação do grupo, mesmo na sua ausência.

GRILO NA CUCA:

1.       Assinale alguns desses defeitos e qualidades (ou acrescente outros) que você acha possuir e diga por que?

2.       Acrescente outros defeitos e qualidade que não estão aí?

Os Dez Mandamentos de um Bom Coordenador

1. Ter visão do objetivo do grupo:

* saber em que direção deve caminhar o grupo.

2. Entender de metodologia:

* metodologia de trabalho que faz com que o coordenador e os outros descubram as pistas concretas para chegar ao objetivo previsto.

* é paciente. Não é imediatista. Entende que o processo de reflexão-ação, teoria-prática, é um processo lento.

3. Saber conduzir uma reunião:

* cuidar para o grupo não se desviar do tema.

* ter a arte de fazer perguntas para fazer a todos falarem e participarem.

* saber manter-se em silêncio. Guarda seus "cartuchos" para concluir o assunto.

* anota as idéias mais importantes num caderno para não ficarem esquecidas, e as retoma na conclusão.

4. Ser bom cobrador:

* a cobrança desperta senso de responsabilidade. Faz o grupo levar a sério as decisões tomadas.

* valoriza todos os passos dados e o que foi feito.

5. Saber controlar o tempo:

* cronometrar o tempo para as diversas partes da reunião. Avançar no horário só com o pedido e a aprovação do grupo.

* o coordenador deve dar exemplo de pontualidade e começar na hora marcada, mesmo com poucos membros. A insistência na pontualidade cria ambiente de seriedade e responsabilidade.

6. Ter boa capacidade de organização:

* planejamento, acompanhamento e avaliação crítica. Nunca trabalhar sozinho, sempre em equipe: decisões devem ser tomadas em grupo e as funções devem ser distribuídas e cobradas.

* a avaliação deve ser preparada: ver passos táticos, estratégicos e objetivos.

7. Saber despertar novas lideranças:

* o coordenador deve saber despertar novas lideranças. Ter capacidade de colocar as pessoas certas nos lugares certos.

* perceber os talentos das pessoas e aproveitá-los. Trabalhar sobretudo essas lideranças naturais.

* o bom coordenador faz fazer e não faz tudo pelos outros.

8. Dar testemunho de vida coerente:

* o líder arrasta os outros mais pelos exemplos de vida do que pelos conhecimentos teóricos que possui.

9. Ter empatia:

* deve sentir quando alguém está sendo deixado de lado e não está participando. Deve ser sensível a tudo o que acontece no grupo. Os bate-papos fora das reuniões são muito importantes para isso.

10. Ser entusiasmado:

* o entusiasmo é como uma doença contagiosa.

* seja otimista.

COORDENAR NÃO É MANDAR... É ORDENAR COM. Um bom coordenado é elemento chave num grupo. O grupo tem uma porção de opiniões a manifestar, um quantidade de coisas a executar, e o coordenador é escolhido para coordenar essas necessidades. É um participante do grupo com a função de expressar sua unidade, unir.

6. Formação de Lideranças:

Como se forma um líder? Talvez seja um pergunta que está dentro de cada um. Recordemos que o líder não nasce. Ele se faz.

A formação se dá, em primeiro lugar, através daquelas mesmas atividades fundamentais que são a expressão da vida do grupo: a convivência, a reflexão, a oração, o compromisso transformador da realidade, enfim, a caminhada do grupo.

Alguns passos podem ajudar o líder a ser cada vez mais animador da caminhada do grupo. Citamos algumas dessas oportunidades de formação que estão contribuindo para muitas pessoas se habilitarem na liderança.

a) Participar de encontros de formação, cursos de aprofundamento, retidos, etc, para ajudar no amadurecimento da fé.

b) Participar sistematicamente dos encontros e reuniões paroquiais, regionais, ou em outros níveis conforme as convocações. Não perder oportunidades. Com isso se faz um melhor entrosamento e organização da JMV. As experiências de outros grupos enriquecem muito.

c) Visitas a outros grupos e a outros líderes, inclusive com a participação de outros membros do grupo também.

d) Conversa pessoal com membros do grupo para trocar idéias e experiências, aprofundar amizade e relacionamento, etc.

e) Participar de reuniões e encontros promovidos pelo próprio grupo. De maneira particular de encontros de reflexão bíblica.

f) Sempre que puder estudar, ler, adquirir algum material que possa ajudar no exercício da liderança, no conhecimento da Bíblia, da Igreja e da realidade.

Os momentos mais fortes de formação são aqueles em que o líder e outras pessoas do grupo aprofundam seus objetivos, avaliam em profundidade suas opções, refletem sobre seu papel no processo de transformação das condições de vida do povo, realizam sua prática transformadora, celebram a esperança do Reino que irrompe progressivamente nos espaços de justiça e amor, abertos pelas ações dos grupos na comunidade.

Finalizando esta parte de formação de liderança, lembramos que você, como líder, tem como principal tarefa e missão formar outros líderes... preparar seus substitutos. Do contrário o grupo nunca cresce e nunca surgirão outros líderes porque faltou-lhes oportunidade.

GRILO NA CUCA:

1.       Qual a principal dificuldade que seu grupo sente quando se fala em formação de liderança?

2.       Como superar essas dificuldades?

3.       Que iniciativas são necessárias para aprofundar a formação dos membros do grupo e sobretudo das lideranças?

Equipes de Representantes da Pastoral da Juventude
Setor Colorado

10 mandamentos para fazer um grupo crescer



Na nossa vida vivemos em vários grupos. O grupo é fundamental em nossa vida. Muito mais que participar precisamos construir um grupo. É construindo o grupo que crescemos como pessoas, que aprendemos a nos conhecer melhor, a amar os outros, que podemos mudar as coisas que achamos de errado. Todos grupo é como a semente. É gerado, nasce, cresce e se desenvolve para amadurecer e dar frutos.

As dicas apresentadas aqui não são, somente, para serem lidas. Servem para trabalhos em grupos e, daí, levantar um questionamento para ver se esses 10 mandamentos estão sendo colocados em prática em nossa vivência e crescimento de grupo. Ver também quais deles estão mais presentes e em quais estamos falhando mais.

Trata-se de algumas pistas para todos:

1. Que todos compareçam às reuniões, mesmo que o tempo seja ruim. Se vierem poucos, valorizar a estes e trabalhar com os que estão presentes, sem ficar chorando a ausência: poucos e bons fazem mais do que muitos indecisos.

2. Nunca chegar atrasado, e se não der para chegar em tempo, pede-se desculpas ao grupo: todos merecem respeito, tanto o que chega como os que estão na reunião.

3. Durante o encontro não ficar procurando falhas nem nos dirigentes nem no comportamento dos companheiros.

4. Aceitar sempre participar de comissões, trabalhos ou dar opinião, porque realizar é melhor do que ficar criticando ou tirando o corpo fora.

5. Tanto no grupo como nas comissões em que se está, tomar parte sempre, para não ser apenas uma figura de enfeite.

6. Se alguém pede nossa opinião sobre um assunto importante, procurar dizer sempre alguma coisa (sem repetir o que já foi dito), mesmo que o assunto não seja simpático.

7. Nossas maneiras de ver "como deveriam ser as coisas", devem ser externadas durante os encontros e não depois deles.

8. Ninguém faça apenas o absolutamente necessário, mas procure ajudar, e encorajar os demais. As críticas também são formas de ajuda, desde que sejam construtivas e sejam feitas para melhorar.

9. Procurar ver sempre os encontros, as festinhas ou outros movimentos, como uma oportunidade de confraternização e não de desperdício de tempo e dinheiro.

10. Não viver se queixando disto e daquilo, enjoando os companheiros com as mesmas doenças ou conversas, mesmo problemas e fofocas, mas viver interessado no crescimento do grupo e de cada pessoa.