sábado, 27 de maio de 2023

400 anos do "Lumiere Luisiana": O Ephatá que deu origem à Companhia



"É verdade que tenho um carinho especial pela festa de Pentecostes e que este tempo de preparação me é muito querido" (Santa Luísa de Marillac).

 

Estas belas palavras de Santa Luísa motivam a Pequena Companhia do mundo inteiro a viver esta linda Festa de Pentecostes, deve ser um momento muito querido para cada uma de vocês. Tenho a certeza que se quisermos ser fiéis ao Espírito de Santa Luísa temos que reconhecer a grande importância que o Espírito Santo teve na sua vida, um caminhar espiritual, vocacional e apostólico, é ela mesma e as constituições em vigor que plasmam esta bela expressão, “as Filhas da Caridade dependem do Espírito Santo”

 

A Luz do Espírito Santo marcou fortemente a sua vida e vocação, esta especial experiência do Espírito na sua vida definiu também a vida da sua amada Companhia, e por isso deve delinear também a vida e a vocação de cada uma das suas filhas, por algo as Constituições chamam todas as irmãs a “depender do Espírito Santo” (C.17c)

 

Este carinho especial de Santa Luísa pelo Espírito Santo e pela festa de Pentecostes deve nos motivar a nos prepararmos o melhor possível para que esta celebração seja um novo nascimento de luz em nossas vidas, e para que possamos viver mais uma vez o que Santa Luísa diz ao escrever a São Vicente, a 3 de Junho de 1645, dizendo que o Pentecostes é a "GRANDE FESTA".


 

Mas este ano de 2023, é em suma “UMA GRANDE FESTA", "UMA GRANDE SOLEMNIDADE", o grande evento de 400 anos da experiência mística Luisiana do Espírito Santo, origem e criador da Pequena Companhia, lindo texto escrito na caligrafia de Santa Luisa que expressa aquela grande luz que superou seus medos, medo, preconceitos, preocupações, um texto que já é muito antigo, dobrado que ainda guardamos, e esperamos, que em breve esteja nas mãos das Filhas da Caridade, como nos foi dito, um texto que Santa Luísa encarnou em seu coração e que naquelas cartas que escreveu naquele papel, sempre carregava consigo em sua roupa, como um grande presente e dom do Espírito Santo em sua vida, foi como uma luz e força em seu caminho em que via tudo como luz do Espírito e caminho da Providência de Deus, por isso podemos dizer que Santa Luísa de Marillac é a "Santa do espírito Santo"

Aquele belo texto da Lumiere nos lembra os 400 anos da origem da Companhia como o "grande dom do Espírito Santo à Igreja e aos pobres", embora sempre recordemos o ano de 1633 como a fundação da Companhia, devemos humildemente reconhecer e celebrar que "tudo começou no Pentecostes de 1623, com a luz mística do Espírito Santo que chamamos de "lumiere" que já manifestava que Santa Luísa com um grupo de mulheres que com idas e vindas serviriam aos pobres"

 

Há vários anos, destaquei numa reflexão "O Pentecostes das Filhas da Caridade", enfatizamos que essa dependência do Espírito Santo em cada Filha da Caridade era um chamado a viver na luz, o aspecto de luz e luminosidade em cada uma delas, em sua vocação de amor e serviço, evocando o belo mosaico cheio de raios de luz do Espírito Santo em seu túmulo na Rue du Bac.

 

Que a Festividade de Pentecostes que se aproxima nos motive a rezar pela Companhia que é chamada a reviver a experiência de um Pentecostes constante, revivamos em nós a experiência e o ensinamento de Santa Luísa que foi a “mulher do Espírito Santo”.


 

Nunca esqueçamos as palavras de São Vicente após a morte de Santa Luísa, "que se desejavam ser uma verdadeira Filha da Caridade, deveria olhar e imitar as virtudes de Santa Luísa, e Santa Luísa deveria ser um espelho onde vocês se poderia enxergar". A Companhia e cada Filha da Caridade vivem este tempo um EPhATÁ, como deixar o Espírito Santo se abrir, e “abrir-se ao Espírito Santo”, a Const. 17c, convida-nos a que todas as Filhas da Caridade, ao depender do Espírito Santo, se tornem dóceis à vontade dos desígnios de Deus.

 

A experiência de Santa Luísa não foi apenas uma luz do Espírito como um movimento descendente sobre ela, mas ela também fez a sua parte, colaborou e fez um movimento ascendente espiritualmente e aberta ao Espírito, não se fechou em si mesma, não permaneceu em seus medos ou olhares humanos, ela não estagna ou imobiliza, ela se abre para o fogo de Deus, para a luz de Deus, Deus dá graça a sua vida e ela faz EPHATÁ e faz a parte dela para que o Espírito Santo aja.

 

 

Nestes 400 anos da "Lumiere", precisamos nos abrir, e viver o Ephatá de nossos ouvidos, Ephatá de nossa mente, Ephatá de nossos olhos, o Ephatá de nossos corações para poder cumprir o que Deus espera de nós, e cumprir seus desígnios, amando e nos transformando à imagem do Cristo ressuscitado para aqueles que nos rodeiam, especialmente para nossos mestres e senhores.

 

Se queremos celebrar esta grande festa e este grande evento de Pentecostes e Lumiere, em seus 400 anos de Companhia, imitemos Santa Luísa e vivamos um EPHATÁ PERMANENTE para sermos dóceis e dependentes do Espírito Santo em nossa vida pessoal e comunitária, em nossa vida espiritual e apostólica. Não poderemos viver a plenitude do Espírito Santo que desce até nós, se não imitarmos Santa Luísa de Marillac que foi a "mulher do Ephatá", "a mulher do Espírito Santo", que abriu vida, abriu todo o seu ser, as suas luzes e as suas sombras, os seus medos e preocupações e recebeu a luz e a força do Espírito Santo.

 

Façamos esta experiência do Espírito Santo na nossa vida e nas nossas comunidades, como a viveu Santa Luísa, como nos convidam as Constituições e o documento Inter Assembleia, tudo se pode atravessar, tudo se pode abrir com as chaves do Espírito e viver ações concretas em nossas vidas e em nossas comunidades locais. O Espírito Santo sempre sopra, sempre inspira, sempre ilumina, sempre mostra um caminho para ir além... basta viver o EPHATÁ... deixe-se abrir pelo Espírito Santo, e coloque tudo de sua parte e abra sua todo o ser, mente, vida e coração, suas dúvidas e certezas humanas, suas tristezas e alegrias, seu desânimo e indiferença... Sim! Coloque tudo de sua parte, não esconda nada para poder VIVER A SUA PRÓPRIA LUMIERE como Filha da Caridade, e lembre-se: Ephata! Isso não acabou, pelo contrário, é o começo do caminho. (Irmã François Petit).

 


               Pe. Fernando Macías, CM

Provincia do Chile

 

 

quinta-feira, 25 de maio de 2023

MEDITAR A PALAVRA COM SÃO VICENTE DE PAULO


A Palavra está muito perto de ti: 
em tua boca e em teu coração, para que o ponhas em prática"

 (Dt 30,4).

 O Salvador, sabeis o que meu coração quer dizer; ele se dirige a vós, fonte de misericórdia; vede seus desejos que não tendem senão a vós, não aspiram outra coisa senão a vós, não querem senão a vós. Digamos muitas vezes: "Ensinai-nos a orar'. Concedei-nos, Senhor, este dom da oração; ensinai-nos vos mesmo como devemos rezar. É o que vos pedimos, hoje e todos os dias, com confiança, com muita confiança em vossa bondade" (SV XI, 222).

 

 Itinerário da Oração Mental Vicentino

 I. PREPARAÇÃO

 "É muito importante fazer bem esta preparação, colocando-se devidamente na presença de Deus, porque disso depende todo o desenvolvimento da oração" (SV XI, 405).

 ·         Colocar-se na presença de Deus

Tomo consciência de que Deus me conhece, vê e escuta.

·         Pedir a graça de rezar bem

Oriento para o Senhor meu coração e meus pensamentos.

·         Recordar ou escolher um tema

Leio e medito um texto bíblico ou um texto espiritual.

 "Começai sempre todas as vossas orações pela presença de Deus. Considerai que, embora não vejamos a Deus, a fé nos ensina a reconhecer sua santa presença em toda parte, penetrando intimamente todas as coisas e até mesmo os nossos corações" (SV IX, 4).

 

 II. CORPO DA ORAÇÃO

 1º passo: Natureza | Refletir sobre o tema: o que é, o que ele me sugere, em que consiste tal mistério, virtude ou máxima?

"Se guardardes esta prático, eu vos asseguro que progredireis na virtude mediante os conhecimentos que Deus vos dará. E sentireis os impulsos de seu amor" (SV X, 589).

 2º passo: Motivos | Comprometer o coração: quais as razões que me animam a viver este mistério, a buscar esta virtude ou máxima, a assumir esta atitude?

"A vontade segue a luz do entendimento e se inclina para o que se lhe propõe como bom e desejável" (SV XI, 406).

 3º passo: Meios | Tomar uma resolução prática: como posso ou devo fazer para concretizar a inspiração suscitada na oração?

"Não é suficiente sentir bons afetos. É necessário dar um passo a mais e chegar à resolução de trabalhar, com todo interesse, para adquirir esta virtude, propondo-se a praticá-la e a realizar seus atos. Este é o ponto mais importante e o fruto que se deve tirar da oração" (SV XI, 406).

 

 

 III. CONCLUSÃO

 "Para terminar, demos graças a Deus pelas luzes e graças que nos concedeu na oração e pelas resoluções que nos inspirou. E peçamos sua ajuda para poder executar, o quanto antes, aquilo a que nos propusemos (SV XI, 407).

 ·         Agradecer a Deus pela oração

Dirijo-me diretamente ao Senhor, expressando minha gratidão.

·         Revisar a resolução

Sintetizo o propósito e guardo-o na memória do coração para colocá-lo em prática

·         Oferecer a Deus a resolução

Peço ao Senhor a graça de levar a bom termo o compromisso assumido em sua presença.

 "Sim, meu Deus, eu me proponha a entrar na prática do bem que nos ensinastes. Sei que sou fraco, mas, com vossa graça, tudo posso e tenho confiança de que vós me ajudareis. Pelo amor que vos leva a ensinar-nos vossa santa vontade, eu vos imploro que nos concedais a força e a coragem de realizá-la (SV IX, 10).