sábado, 6 de julho de 2019

REFERENCIAS VICENTINOS - Caminho de Santidade



Beata Lindalva Justo de Oliveira
Mártir da Castidade e Testemunho da Caridade

“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8)

A Bem-aventurada do Coração:
Quem vive em Deus e experimenta sua ternura em cada acontecimento de sua vida, ao final, sente-se fisgado por uma clara e simples transparência de sua misericórdia e fidelidade que faz a vida muito mais humilde, entranhável, acolhedora e com uma pertença absoluta aos desígnios de Deus em sua própria vida e na vida dos Pobres, a partir da gratuidade.

Lindalva Justo de Oliveira, uma jovem sociável, prudente e generosa, nasceu em 20 de outubro de 1953 no sítio Malhada da Areia, uma zona muito pobre do Estado de Rio Grande do Norte (Brasil). Era a sexta de treze irmãos. Foi batizada em 07 de janeiro de 1954. Em sua família aprendeu as primeiras noções da fé e as orações cristãs. Lindalva teve como primeiros orientadores espirituais os seus padres, desde menina era muito piedosa, engraçada e alegre, ao mesmo tempo que se mostrava muito sensível com os Pobres.

Percebe-se nestes traços, que é uma pessoa BEM-AVENTURADA, feliz, porque abriu sua vida e seu coração aos fracos, aos mais pequenos, vai desaparecendo nela todo afã de posse e egoísmo, é feliz porque vai descobrindo a Deus em seu caminho e começa a descobrir o sentido de sua vida e de seu caminhar.

“Que alegria poder seguir a Jesus! Que privilégio!
Que felicidade! É impossível resistir a tanto amor”
(Ir. Lindalva)

Vocação e seguimento a Jesus Cristo:
Depois do falecimento de seu pai, Lindalva, que sempre desejou se consagrar a Deus, ingressou em um grupo de jovens vocacionados de sua paróquia. Deus começa a se manifestar em sua vida, começa a falar-lhe ao coração e ela se deixa guiar por essa voz. Em 1986, começa a frequentar o movimento vocacional das Filhas da Caridade, participando regularmente em encontros formativos e amadurecendo sua ideia de servir aos Pobres.

Com um imenso desejo de perfeição espiritual recebeu o Sacramento do Crisma em 1987. Nesse mesmo ano pediu para ser admitida na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, querendo dedicar sua vida ao serviço de Cristo na pessoa dos Pobres. Seu pedido foi aceito e é assim como inicia a etapa do Postulantado em Olinda – PE (Brasil). A partir desse momento o Senhor será seu único Senhor, o que enche seu coração, o único para quem volta todo o seu olhar.

Humilde, obediente e muito serviçal para com todos, tem que vencer o apego a sua família, e com o acompanhamento recebido, pouco a pouco dirá: “amo mais a Cristo que a minha família!” Nesta etapa de postulantado vai se deixando modelar por Deus, procura que sua vida esteja preenchida somente por Deus, distanciando-se do egoísmo e orgulho e fazendo de sua vida uma doação completa aos mais Pobres.

Em sua formação no Seminário, distinguia-se por seu sorriso, sua humildade e seu amor aos mais Pobres. Era fiel à oração, obediente e tinha grande espírito de sacrifício, bem como, empenhava-se no crescimento de sua perfeição. Neste tempo de formação se enche do espírito da Companhia, das virtudes próprias da vocação e sobretudo, deixa-se seduzir pelo Senhor. É Ele quem toma sua vida por dentro e a vai preparando para a maior entrega, que não é outra, senão que dar a vida por amor. É um impulso do Espírito que ela generosamente aceita como dom de Deus. Sente-se impulsionada a viver cada dia na vontade de Deus, acolhendo seus desígnios, fiel à Divina Vontade e entregando-se generosamente.

Missão e Martírio:
Em janeiro de 1993, chegou ao asilo um homem de 46 anos, Augusto da Silva Peixoto. Ainda que não tivesse direito ao asilo por sua idade, tinha conseguido uma recomendação para ser acolhido ali. Ir. Lindalva o tratava com a mesma cortesia que aos demais hóspedes, mas este homem, de caráter difícil, enamorou-se da jovem irmã. Assim começou para ela um período de provas muito pesadas. Compreendendo as intenções de Augusto, ela tentou fazer-lhe entender que ela estava totalmente consagrada a Deus. Ainda que tivesse medo desse homem, não quis distanciar-se do asilo para não abandonar seu serviço aos idosos. "Prefiro derramar meu sangre, que ir embora", confessou ela a uma de suas irmãs.

Diante do comportamento de Augusto, avisou ao Diretor do Serviço Social do Asilo; este chamou a atenção do homem, o qual prometeu se corrigir. Mas nos dias anteriores à Semana Santa aumentou nele a raiva e o ódio, assim como o desejo de vingança, chegando a elaborar um plano fatal.

Na Segunda-feira Santa, 05 de abril, Augusto comprou uma faca de pescador numa feira. Na noite de Quinta-feira Santa esteve caminhando todo o tempo entre o dormitório e o banheiro, e a seus companheiros que lhe interpelavam, respondia que estava com insônia.
Na Sexta-feira Santa, 09 de abril, às 4h30 da manhã, Ir. Lindalva participou da Via-Sacra da Paróquia. Ao retornar ao Asilo, foi como de costume ao pavilhão São Francisco para servir o café da manhã aos idosos. Ela ficou, como sempre, detrás da mesa onde as refeições eram servidas aos hóspedes. Atrás da mesa havia uma portinha, com uma escada externa que dava para o jardim.

Augusto esperou a que Ir. Lindalva servisse o café da manhã; chegou pela escada externa, abriu a porta e esfaqueou-a por detrás, encima da clavícula. A faca, atravessou a veia jugular, penetrando profundamente no pulmão. O homem, tomado por um êxtase incontrolável, continuou ferindo-a em vários pontos do corpo, enquanto os hóspedes, depois de um primeiro momento de surpresa, tentavam intervir. Augusto, segurando com firmeza a faca, detrás da mesa, ameaçava matar a quem se aproximasse. Diante dos tribunais, o assassino declarou que tinha matado a Irmã, precisamente, porque o havia rejeitado.

No dia seguinte, o Sábado Santo, pela manhã o arcebispo cardeal Lucas Moreira Neves, ao celebrar a cerimônia fúnebre, destacou a coincidência da morte violenta da mártir Ir. Lindalva, que deu sua vida pelo serviço aos pobres, a Paixão e Morte de Cristo.


Ján Havlík
Mártir por fidelidade a sua vocação
“Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos...” (Mt 5,11)
No período da perseguição comunista na Europa Leste que durou quase 45 anos (1945 – 1990) destaca-se entre muitos exemplos de pessoas valentes um homem chamado Ján Havlík, mártir vicentino do século XX. Homem de palavra que levou uma vida de santo, com uma profunda piedade mariana, perseverante em sua vocação missionária e amante da oração. 
Ján Havlík, seminarista da Congregação da Missão, nasceu em Dubovce, Eslováquia, em 12 de fevereiro de 1928. Influenciado por sua tia que era Filha da Caridade, entrou na Congregação da Missão em Banska Bystrica em 1943 e ali terminou a escola secundária em 1949. Quando os comunistas, em conjunto com a polícia secreta, invadiram a casa dos Padres Vicentinos, na noite de 03 para 04 de maio de 1950, parecia que todo estava perdido. Janko, junto a outros seminaristas, não se rendeu, e com a ajuda dos sacerdotes vicentinos continuou sua formação em um seminário clandestino até 29 de outubro de 1951, quando foi preso junto com outros seminaristas da Congregação da Missão na cidade de Nitra. Durante os seguintes 16 meses, foi torturado pela Polícia Federal. Num processo fingido, foi acusado de ser espião do Vaticano para preparar um Golpe de Estado. Durante este processo declarou toda sua motivação: “Minha meta principal foi o desejo de ser sacerdote. Segui minha consciência e não tenho nada mais que acrescentar”.
Foi condenado a catorze anos de prisão. Na cadeia foi interrogado, torturado e deixado sem comida e sem abrigo, e mesmo com esse profundo sofrimento sempre se comportou valentemente. Confessou a um de seus amigos: “Sinto-me como se estivesse nas missões, porque é o lugar mais apropriado e mais exigente, nenhum missionário tem um lugar como este.” Além disso, prolongaram sua condenação, sem julgamento, por mais um ano... por haver tentado contagiar aos demais condenados com suas crenças... Foi levado ao campo de trabalhos forçados de Rovno Jáchymov, onde trabalhou em minas de urânio. Este trabalho deteriorou muito sua saúde. Cumpriu o último período como preso na cadeia de Valdice. Em outubro de 1962, foi finalmente liberado, depois de onze anos na prisão, mas com uma saúde frágil devido ao sofrimento físico e ao estresse psíquico vividos. Durante este tempo da liberação condicional esteve sobre vigilância, porque como dizem os prontuários da polícia secreta sobre ele: “continua sendo um feroz inimigo do regime socialista, vive em suas convicções..., e parece que os resultados da condenação não correspondem as expetativas...” sua saúde se deteriorava com rapidez neste tempo. Ainda conseguiu celebrar o natal do ano 1965 com sua família, mas quando se dirigia a uma cidade próxima, para resolver alguns assuntos, em 27 de dezembro de 1965, morreu ali, sem testemunhas, em uma rua, apoiando-se em uma lata de lixo.
Mártir em fidelidade a sua vocação, foi fiel, ainda que diante dos olhos do mundo não conseguiu chegar a sua meta de ser sacerdote missionário. No entanto, deixou-nos um exemplo extraordinário de fidelidade, sendo um jovem sem se desviar, um seminarista vicentino que apesar das circunstâncias, não deixou de evangelizar “proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno...” (2Tim 4,2). Como descreveram os que conviveram com ele: ele foi a luz nas profudezas das minas de urânio de Jachymov.
Em 09 de junho de 2013 começou a investigação diocesana sobre seu martírio. Depois de quatro anos e oito meses deu-se a conhecer a investigação sobre o martírio de Ján Havlík e o Tribunal Diocesano deu por terminada tal fase diocesana em 24 de fevereiro de 2018, na paróquia de São Vicente de Paulo em Bratislava. Todos os documentos que contém os testemunhos sobre sua vida, informes históricos e avaliações médicas foram enviados à Congregação para as Causas dos Santos no Vaticano. Esperemos que logo tenhamos um novo beato.
A Congregação da Missão vive com alegria esta grade notícia, já que o seminarista Ján se transforma em um exemplo vocacional e testemunho para muitos jovens que desejam viver sua vocação missionária no serviço aos pobres, seguindo os passos de São Vicente de Paulo.


Maria Vitória Cikes
Testemunho de fé, alegria e serviço
(1975-2002)


“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu.” (Mt5,3)
   
Maria Vitória foi uma jovem de nosso tempo, como você e como eu, que decide seguir a Jesus Cristo e encontra esse caminho na Família Vicentina.
Chega a JMV na semana santa de 1997, convidada por um dos padres vicentinos que na época, era o assessor do grupo de adultos. O Padre Wilfredo Aguilera a convidou a conhecer o bairro onde estava trabalhando com as crianças da catequese. Entusiasma-se nesta tarefa e começa a assisti-los mais assiduamente, bem como a participar das reuniões de formação. Como em todos nossos países, preparam-se encontros, na Argentina organiza-se o Encontro Provincial em Luján, onde ela participa dos preparativos; também o faz com a Assembleia Provincial e com o festejo dos 150 anos da Associação.

Em 1998 participa da Missão Provincial em Laureles, Paraguai. Esta tarefa muda completamente sua vida e sua visão de mundo. Participa do Encontro Regional de Paraguai e da jornada de Espiritualidade Vicentina em Luján, bem como do III Encontro Latino Americano da JMV em Colômbia. Ao se formar o Conselho Latino Americano da JMV, é-lhe proposto que ela fizesse parte do mesmo representando a região do Cone Sul. Em novembro, participa da Assembleia Provincial em Florida (Uruguai), onde assume a pasta da comunicação e passa a se ocupar da edição da revista Provincial: Medalha Milagrosa.

Em janeiro de 1999, pela última vez, participa da Missão Provincial em Paraguai. Participa também da primeira Escola de Catequese na Argentina. Em agosto, reúne-se com o Conselho Latino Americano, em Venezuela, e participa do VII Encontro Nacional desse país. Realiza-se uma votação e Vitória é eleita Coordenadora do Conselho.

Em fevereiro de 2000, depois de ter participado da II Escola de Catequese, recebe diagnóstico de sua doença. Estas foram suas palavras: “Tal vez tivesse sido melhor delegar minhas tarefas a outra pessoa, mas diante de Deus acreditei que não devia fazê-lo e que podia seguir acompanhando-os... Graças a Deus e às orações de muitos de vocês pude fazê-lo, e me recordaram que não estou só, que a comunhão dos Santos é real e poderosíssima e que o amor de Deus se manifestou no amor deles, e isso é o mais bonito que experimentei...”

Ainda em meio a sua dor, preocupava-se por seus companheiros de grupo, pelos jovens do bairro, a quem animava através de sua família.
Depois de uns meses de tratamento regressava a sua casa e continuava suas tarefas. Preparou junto a sua comunidade de JMV, o Rosário da Aurora desse ano, e cansada, mas feliz, chegava ao destino, caminhando pelas ruas da cidade, rezando com toda as pessoas. Ajudou a organizar a Missão Provincial do 2001 em Paraguai e junto a sua mãe despediu-se dos jovens na porta da Basílica.
Esse mesmo ano, depois de alguns tratamentos, anunciam que deveria esperar por um transplante de medula. Como sua enfermidade estava estável, ela decide participar do IV EMLA em Venezuela, nada a deixa mais feliz. E, a partir dali, ainda continuou animando os jovens com estas palavras. O importante agora é compreender que em nossas mãos temos a possibilidade de demonstrar a Maria que mesmo depois de 171 anos continuamos respondendo ao pedido que ela fez à Catarina. Decidamos então que atitude tomar. Deixarei passar outra vez o trenzinho do compromisso verdadeiro ou me subirei de uma vez e aceitarei o desafio de protagonizar esta grande aventura que Jesus e Maria me convidam a partir da JMV?”.

Quando regressa recebe a grande notícia de que tinha aparecido um doador compatível para ela. Todo se encaminha para o grande momento e é operada. Foi no mês de outubro de 2001. Todo sai melhor do que esperado, e colabora uma vez mais na preparação da Missão que esta vez seria na Argentina. Saiu com sua comunidade a realizar os últimos ajustes para a missão e uma vez mais os animou para que dessem tudo de si mesmos naquela tarefa que Deus lhes tinha encomendado. É memorável sua cara de felicidade pelo que estavam por viver, seu entusiasmo por cada detalhe da missão marcou a sua comunidade. Sua enfermidade não atrapalhou sua entrega e sua serviço na missão.

Lamentavelmente depois de tudo ter saído tão bem, houve complicações. As últimas palavras que disse por telefone, já que não nos permitiam vê-la, foram para dar alento e para dizer que ela rezaria por nós da Associação.
E foi em um 07 de maio, pela manhã, quando se despediu desta vida. Pessoas que a conheciam de muito tempo, companheiros da escola, da universidade, e até gente que só havia escutado falar dela, vieram para dizer-lhe um “até logo”.
No dia seguinte rezou-se a Missa na Basílica, estava cheia de gente já que coincidia com o dia 08 de maio - Dia de Nossa Senhora de Luján. Ninguém podia acreditar no que estava acontecendo, as pessoas que se encontravam ali perguntavam de quem se tratava, quem era a jovem por quem todos choravam. Só pude responder que não existiam palavras naquele momento, além de um canto a Maria que uma de sus amigas tocava no violão enquanto nos dirigíamos ao cemitério.

O Sacerdote ao descobri-la falou sobre ela como: uma pessoa simples que tinha pensado ir a África, dedicar sua vida ao serviço de Deus na missão. E uma frase de São Vicente: “a caridade é como um espelho, só produz caridade.” E nada melhor para descrever seu trabalho, sua vida. Hoje vem a nossa mente com as palavras que estavam escritas em seu santinho no dia do velório: Recordem-me feliz como foi minha vida. Vitória foi e continua sendo um exemplo de fortaleza e alegria, mas sobretudo seu amor a Deus continua sendo um exemplo para todos.


Nícolas Van Kleef, CM
“Quero ser sempre uma boa notícia”

“Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mt 5,9)

Sua vida
Nícolas Johannes Van Kleef nasceu em Holanda, em 18 de abril de 1937.
Uma curiosidade pelos estudos e um imenso desejo de servir marcaram sua juventude. Tinha um tio sacerdote que era missionário em Guatemala, escrevia a seu tio para conhecer mais sobre a missão que desempenhava ali. Motivado por essa inquietação decide entrar ao seminário. Foi ordenado sacerdote em 19 de março de 1963 na comunidade dos Padres Vicentinos. Saiu de sua terra para trabalhar em terras Centro-Americanas.

Sua pessoalidade e sua juventude chamavam a atenção, em uma de suas primeiras colocações em janeiro de 1965, a visita do Pe. Nico despertou alegria na comunidade, especialmente nas crianças e nos jovens, pois por primeira vez um padre visitava a comunidade e ficava ali por oito dias.

Com pouco tempo de chegada à província de Veraguas sofre um acidente que o deixa prostrado em uma cadeira de rodas. Pela gravidade das feridas é transladado à Holanda, onde permaneceu muito tempo em um hospital, recebendo atenção médica especializada, que lhe ajudou a recuperar os movimentos dos braços e com sua inteligência pode seguir adiante, a ponto que dirigia seu próprio carro, o qual foi adaptado para ser manejado, por pessoa com deficiência física.

O fato de estar em cadeira de rodas não era um problema para o Pe. Nico, que fazia tudo que estivesse a seu alcance, celebrava todas suas missas, pregava a Palavra de Deus, aconselhava as pessoas que assim o pedisse, não era um homem que ficava “deitado” esperando que os outros o servissem, tudo o que ele podia fazer, ele o fazia já que não gostava que ninguém fizesse as coisas por ele.

Este tulipa holandês que viveu por 24 anos em Panamá, aprendeu a cultura local e partilhou com os panamenhos momentos bons e ruins, partindo sempre do levar a palavra de Deus a seus semelhantes. Assim mesmo, dava conselhos aos jovens e nunca era visto de mal humor apesar de estar em uma cadeira de roda. Pe. Nico, além do mais, foi um defensor e promotor da dignidade da mulher.
Sua morte
Em 07 de maio de 1989, aconteceram eleições presidenciais e legislativas no Panamá. Todo o país estava tenso e ansioso. O Governo Militar estava sendo liderado pelo General Manuel Antônio Noriega, que como um monstro ferido, lançava mordidas e garras até em sua própria sombra. Eram previsíveis uma contundente derrota eleitoral e uma eventual fraude.

Esse domingo, como de costume, o padre Nícolas Vam Kleef percorria as ruas do povoado de Santa Marta anunciando “em 15 minutos será a missa”. O convite à missa era tarefa quase rotineira do sacerdote e seus ajudantes paroquiais. E vale lembrar que um dia antes do ocorrido, outro padre tinha ido ao quartel onde obteve a autorização para chamar as pessoas ao templo.

Pe. Nico foi detido por um membro das forças de defensa, esse subiu no carro e se sentou detrás do padre, indicando-lhe que se dirigisse rumo ao posto da polícia local. O soldado discordava com o sacerdote sobre a rota que tomava para chegar ao quartel, carregou seu fuzil, tirou o dispositivo de segurança e o apontou ao padre. Há poucos metros do quartel disparou no lado direito da cara de seu alvo. Pe. Nico morreu no dia seguinte no hospital, depois de horas de agonia.
Sua ressurreição
Pe. Nico tinha uma especial atenção pelos jovens e crianças. Todo ano os jovens, paroquiano e os sacerdotes realizam uma caminhada saindo da Igreja da Imaculada Conceição em Bugaba até a comunidade de Santa Marta aproximadamente a 9,9km, onde jazem os restos mortais do Padre; que, com sua genuína forma de ser, cativou o coração de muitas pessoas, que viam nele um homem que honrava sua frase preferida “quero ser boa não uma má notícia”.

Sem dúvida alguma que Pe. Nico ainda continua presente no coração de cada um dos jovens de nossas paróquias e comunidades, que são chamados a construir a civilização do amor.





quarta-feira, 3 de julho de 2019

A Cultura Vocacional na Província Brasileira da Congregação da Missão


Missa de abertura do seminário de teologia
Motivada pelas estratégias da Cultura Vocacional, a Província Brasileira da Congregação da Missão - PBCM continua semeado, afim de que o fruto da árvore das vocações se faça útil no serviço aos mais pobres em seu tempo. Neste ano de 2019, a Província iniciou suas atividades formativas com o Pré-Seminário, compreendendo o Propedêutico, com 06 candidatos, e Filosofia com 03; o Seminário Interno Interprovincial, com 12 seminaristas: 06 da Congregação da Missão de Província de Curitiba, 03 da Província de Fortaleza da Congregação da Missão e 03 da PBCM, e o Teologado, com 12 estudantes – 02 deles da Vice Província de Moçambique.

O Seminário São Justino de Jacobis da PBCM, orientado pelo formador Pe. Eli Chaves, CM e seu colaborador Pe. Denilson Matias, CM, elaborou e vive seu Planejamento Comunitário anual. Esse Seminário, tal como se apresenta neste ano, destina-se à formação inicial dos formandos vicentinos, na etapa da Teologia. A Comunidade é composta de membros admitidos e não admitidos e busca se organizar e se desenvolver, em suas linhas gerais, de acordo com a proposta formativa para o “Seminário Maior”, tal como apresenta o Programa de Formação da PBCM:
1. Todos os formandos participarão desta proposta formativa comum. Os formandos não admitidos receberão, conforme consta neste Planejamento, uma atenção especial, através de atividades específicas, em vista de seu discernimento e preparação para o Seminário Interno.
2. Para atender a realidade especificamente pessoal dos formandos, cada um elaborará seu programa de formação pessoal, com a ajuda e acompanhamento dos formadores.
3. Todos os formandos farão seus estudos acadêmicos de Teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE, cujo curso de Teologia tem reconhecimento eclesiástico/canônico pela Santa Sé, têm reconhecimento civil pelo Ministério da Educação do Brasil e confere o título de Bacharel em Teologia. O curso visa formar nas disciplinas teológicas e em outras disciplinas conexas, mediante preparação científica que capacita os discentes para a investigação, o exercício do magistério em Teologia, o exercício do ministério ordenado, a assessoria e o acompanhamento de cunho diversificado.

Realizado em sintonia com a realidade social, eclesial e congregacional, o processo formativo está atento aos desafios e oportunidades próprios de algumas situações e acontecimentos significativos deste momento atual: a) os 70 anos da elaboração e da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, b) o Sínodo para a Amazônia, c) o Mês Missionário Extraordinário para outubro de 2019, d) a Campanha da Fraternidade 2019, e) a cultura vocacional vicentina, a celebração dos 200 anos da presença da Congregação da Missão no Brasil, f) a possibilidade de ordenações e g) a presenças de um coirmão admitido que deseja viver a consagração vicentina como Irmão e dos seminaristas moçambicanos.

O trabalho formativo no teologado, em sua finalidade, natureza, conteúdos e meios, tem como principal iluminação teórica as considerações e orientações, propostas pelo Programa de Formação da PBCM, que ver a formação para a Missão Vicentina como um processo contínuo, dinâmico, progressivo, gradual e integral de amadurecimento e desenvolvimento pessoal e comunitário de configuração com Cristo evangelizador dos pobres. Tem como objetivo tornar os Formandos e Coirmãos, animados do espírito de São Vicente, idôneos para realizar a missão da Congregação.

a)      Neste processo, os indivíduos, como pessoas e sujeitos e ajudados pelos diversos agentes da formação (cf. RFCM, p. 27-38), livremente, experimentam, escolhem, assumem e assimilam valores, critérios de ação e modos de agir, próprios do carisma e da missão vicentina de serviço aos Pobres (cf. RFCM, p. 19-24), a serem vividos, como presbíteros ou irmãos, na Congregação da Missão.
b)      Trata-se de um processo dialético: não separa, mas integra, harmoniosamente, oração e ação, fé e vida, assim como as várias etapas, conteúdos, instâncias e agentes, num movimento de interação e complementaridade cada vez mais fecundo e enriquecedor.
 
II Encontro das Famílias do Seminário SJJ 2019
A PBCM tem como fontes da formação, ou seja, as referências essenciais para a inspiração e a orientação, os princípios norteadores e os critérios fundamentais do processo de formação: a) as Sagradas Escrituras, b) os Sinais dos Tempos, c) os Pobres, d) a Palavra e a Tradição da Igreja e e) as Tradições e orientações da CM

Vale salientar que o Eixo Vicentino é a base ou a inspiração fundamental de todo o processo formativo. Ele possibilita aos formandos aprender que Jesus Cristo é o centro de nossa vida e a regra da Congregação, cujo conteúdo coincide com: a) o Fim, Natureza e Espírito da Congregação da Missão (CC 1-9); b) a emissão dos votos de consagração vicentina, de modo especial o voto de serviço aos Pobres na CM (cf.CC 28-39; IV, p. 13-107), que dá sentido ao serviço missionário e compromete a viver com fidelidade o fim da Congregação, dentro de um profundo sentido de pertença à Congregação, a partir do vínculo missionário com a Província de origem e da abertura a uma Congregação internacional, e c) com as cinco virtudes vicentinas, inspiradas na dedicação do Bom Pastor e tão caras ao coração de São Vicente, que constituem um verdadeiro programa de santidade, de vida comunitária e de missão inculturada (cf. CC 7: IV, p. 20-22).

A PBCM empenha-se em orientar todo o seu processo formativo dentro das seguintes características: a) processo existencial e progressivo, b) dialogal, c) libertador, d) integrador, e) comunitário, f) cristocêntrico, e g) vicentino, e assume como Dinâmica do Processo de Formação os cinco aspectos fundamentais do itinerário formativo dos discípulos missionários de Cristo (cf. Documento de Aparecida, n. 278): a) o encontro com Cristo, b) a conversão, c) o discipulado, d) a comunhão e e) a missão; trabalhando de modo que estes cinco aspectos se compenetram intimamente e se alimentam entre si.

Em sintonia com a Ratio Formationis, a PBCM entende a formação dos nossos como um processo participativo, com a colaboração de diversos agentes: “O primeiro agente da formação é Deus” (RFCM, A, p. 27), o formando assume o papel de agente, ele é o sujeito, o protagonista de sua própria formação... Formandos e Formadores da Comunidade Local são os agentes humanos com a responsabilidade mais diretos e imediatos no processo formativo, esses, abertos à colaboração dos demais agentes, devem sentir-se envolvidos no mesmo processo pedagógico. Todos os agentes humanos da formação (cf. RFCM, B – F, p. 27-38), reconhecendo a primazia da presença de Deus, são importantes como colaboradores da ação divina no processo formativo.
 
Passeio Comunitário no Inhotim (MG) 2019
A formação no teologado da PBCM objetiva intensificar a preparação imediata para o presbiterato e para a consagração como “irmão”, através de sólida formação teológica e de capacitação para as futuras tarefas pastorais/missionárias, de modo que os estudantes hauram da Revelação Divina a doutrina católica, nela penetrem profundamente e tornem-na alimento da própria vida espiritual, para anunciá-la e expô-la no ministério sacerdotal. Tal objetivo se dará na vivência das dimensões humana, espiritual, intelectual, comunitária e apostólica, de modo que se assuma a Vida Consagrada e o Presbiterato dentro do espírito vicentino na CM, com maturidade, fidelidade e fecundidade.

É nessa disposição que caminhamos neste 2019. E como rezou Pe. Mol, “que nosso Bom Deus encha nossas mentes e corações de nobres ideais e sentimentos, dê-nos muita disposição para enfrentar as adversidades que, com certeza, virão, também, igual disposição para celebrar nossas pequenas conquistas que serão construídas ‘com a força de nossos braços, inseguro, porém livres’”. Assim também o desejamos e rogamos ao Pai que assim seja.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Novena a Santa Luísa de Marillac



Novena a Santa Luísa de Marillac
Padroeira das Obras Sociais

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS
Ato da Presença de Deus
Meu Senhor e meu Deus, creio que tu estás aqui, que me vês e que me ouves. Amo-te com profunda reverência. Peço-te perdão dos meus pecados e graças para fazer com frutos a nossa novena. Abençoa cada um de nós, as nossas famílias, os nossos amigos e o mundo.  Amém!

Oração a Santa Luísa de Marillac
Ó Deus, fonte e recompensa da caridade, por vosso Filho feito homem destes a vosso povo um novo mandamento de amor; a exemplo de Santa Luísa, concedei-nos agir sempre neste mundo com caridade, para sermos contados entre os eleitos do vosso Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

1º Encontro

Santa Luísa de Marillac e a sua família
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Ao iniciarmos esta novena em honra de Santa Luísa de Marillac, queremos conhecer um pouco mais sua história e espiritualidade a fim de que ela seja para nós fonte de inspiração e modelo de santidade.
Leitor: Santa Luísa nasceu no dia 12 de agosto de 1591, em Paris, numa família rica e nobre. Ela não conheceu sua mãe e ficou órfã de pai aos 12 anos, não tendo conhecido nunca a alegria e o amor de uma família.
Todos: Deus, Vós que sois Pai e Mãe, olhai por todas as crianças e jovens que não têm família ou sofrem em famílias desestruturadas.
Leitor: Santa Luísa recebeu uma educação refinada e diversificada e desejou tornar-se religiosa. Não tendo sido aceita na congregação que procurou, seu tio e tutor decidiu casá-la com Antonio Le Gras com quem ela teve um filho e construiu um lar feliz. Entretanto, Luísa de Marillac ficou viúva após 12 anos de casamento e em situação financeira muito difícil. Seu filho sempre teve saúde frágil e lhe deu muitas preocupações na vida. Anos mais tarde ela escreverá:
Todos: “Deus concedeu-me tantas graças, fazendo-me conhecer que sua santa vontade era que eu fosse a Ele pela cruz, que sua bondade quis dar-me desde meu nascimento, não me deixando quase nunca, em nenhuma fase de minha vida, sem ocasião de sofrimento”.
Dirigente: Concluindo nossa novena, peçamos a Santa Luísa que interceda por todas as famílias, pelos órfãos e por todas as mulheres que lutam sozinhas para manter sua casa e educar seus filhos.
Oração a Santa Luísa de Marillac

2º Encontro

santa luísa de marillac e a vontade de deus
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Santa Luísa conheceu São Vicente em 1625 e se tornou sua colaboradora na organização das Damas da Caridade. Em 1633 os dois fundaram a Companhia das Filhas e, em decorrência de sua nova missão, Santa Luísa desenvolveu o hábito de escrever. Através de suas cartas e de seus escritos, vamos conhecer sua espiritualidade.
Todos: Dai-nos, Senhor, a graça de aprender, com Santa Luísa, a amar-Vos mais e a servir-Vos nos Pobres.
Leitor: Luísa de Marillac tinha certeza de que o melhor para sua vida era realizar a vontade de Deus, ainda que esta fosse exigente.
Todos: “Deus não deixará de assistir-me quando me pedir algo acima de minha capacidade”.
Leitor: Para anunciar aos homens o Amor divino, Jesus aceitou viver no meio dos homens, aceitou as críticas e reprovações quando suas atitudes não estavam de acordo com o ensinamento das autoridades religiosas de sua época. Para seguir Seu exemplo, Luísa lhe suplica: “Dai-me grande coragem e confiança para empreender tudo que me pedirdes”.
Todos:Terei grande confiança em Deus e certeza de que sua graça me bastará para cumprir sua santa vontade, ainda que se apresente em coisa difícil. Honrarei também este mistério com uma fé viva e cheia de confiança de que se cumprirão em mim os desígnios de Deus, qualquer que seja o caminho por onde me conduza, desde que eu me deixe guiar”.
Dirigente: Peçamos a Santa Luísa que nos ajude a descobrir e realizar a Vontade Amorosa de Deus para nossa vida.
Oração a Santa Luísa de Marillac

3º Encontro

Santa Luísa de Marillac e o Mistério da Encarnação
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Toda a reflexão de Luísa de Marillac sobre o pobre, todas as suas iniciativas para socorrer os rejeitados da sociedade de seu tempo emanam de sua contemplação do mistério da Encarnação que está no coração de sua espiritualidade.
Todos:O amor de Deus para com os homens o levou a querer que seu Filho se fizesse homem, porque põe suas delícias em estar com os filhos dos homens. Ele se sujeitou à condição humana para lhes dar, através de sua vida humana sobre a terra, o testemunho de que Deus os amou desde toda a eternidade”.
Leitor: Luísa de Marillac maravilha-se e sempre se maravilhará diante deste dom divino que é a Encarnação, no qual sempre descobrirá maneiras diferentes de se manifestar. Como teóloga competente, Luísa não ignora que:
Todos: “A Encarnação do Filho de Deus é, segundo os desígnios divinos, desde toda a eternidade, para a Redenção do gênero humano”.
Leitor: Santa Luísa não hesita em olhar o serviço corporal e espiritual dos pobres como um prolongamento da Redenção, porque permite àqueles que estão doentes, humilhados, derrotados e rejeitados a recuperação de sua plena dignidade de homens e de filhos de Deus.
Todos: “Meu Senhor, verdadeiramente nos amais, pois sois um com vosso Pai que quis manifestar-nos seu amor, dando-nos seu Filho, Vós mesmo! Oh! Poder do amor!”
Dirigente: Peçamos a Santa Luísa que nos ajude a enxergar o Filho de Deus no nosso próximo e, assim, amá-lo e respeitá-lo.
Oração a Santa Luísa de Marillac

4º Encontro

santa luísa de marillac e o serviço dos pobres
Ato da Presença de Deus
Dirigente: O serviço dos pobres realizado por Luísa de Marillac é a expressão de seu projeto de vida, de sua decisão de seguir Cristo, de manifestar a profunda misericórdia de Deus por todos aqueles que sofrem. É necessário unir o amor de Deus ao trabalho junto aos pobres.
Todos: “Ora, vedes uma quantidade de misérias que não podeis socorrer; Deus as vê também... Carregai, com o povo,  seus sofrimentos, fazendo o possível para ajudá-lo em alguma coisa, e permanecei em paz.
Leitor: Luísa se maravilha com a humildade de Jesus que se identifica com o mais pobre. Ele aceita permanecer no mundo e receber sinais de atenção e de compaixão, reconhecendo como feito a Ele mesmo o que será feito ao menor dos seus irmãos.
Todos: “Jesus nos ensinou a caridade para suprir a nossa incapacidade de prestar serviço a Sua pessoa.”
Leitor: Todo serviço comporta exigências e encontra múltiplas dificuldades. A impossibilidade de levar conforto real àqueles que sofrem, torna-se um tormento. Entretanto, o importante é nunca desistir, pois a caridade é a capacidade inesgotável de atenção aos mais pobres da sociedade.
Todos:Rogo à comunidade renovar a coragem de servir a Deus e aos pobres com mais fervor, humildade e caridade, do que nunca.”
Dirigente: Que Santa Luísa nos ajude a compreender e a viver o que Jesus disse: “O que fizestes ao menor dos meus irmãos foi a mim que o fizestes”.
Oração a Santa Luísa de Marillac

5º Encontro

santa luísa de marillac e o trabalhar juntos
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Para anunciar a Boa Nova ao mundo, Jesus não se dirigiu a um homem sozinho, mas escolheu um pequeno grupo de Apóstolos. Quando Vicente de Paulo começa o serviço dos pobres a domicílio, ele o faz com um grupo de mulheres. O trabalho em comum, ou em comunidades, requer que cada um dos membros contribua com o seu melhor. E para Santa Luísa o melhor modelo é a Santíssima Trindade.
Todos: “Devemos, para assemelhar-nos à Santíssima Trindade, não ser mais que um coração e agir somente com um mesmo espírito, tal como as três Divinas Pessoas”.
Leitor: Luísa de Marillac terá que intervir para regular o funcionamento do grupo, para facilitar as relações entre as diferentes pessoas. Se trabalhar em grupo numa missão requer uma partilha das realidades da vida, Luísa explica que ele exige também um trabalho interior de despojamento, de descentramento de si.
Todos: “Que saibamos, primeiramente, buscar a Deus e sua glória e, depois, o interesse das pessoas com as quais devemos trabalhar, para melhor servi-las segundo a disposição de seu espírito.”
Leitor: Santa Luísa insiste também num outro aspecto do trabalho em conjunto: o respeito à diversidade. Os membros de um mesmo grupo, reunidos para uma obra comum são levados a reconhecer a personalidade um do outro e a respeitá-la. E mais uma vez, Luísa apresenta a Trindade como exemplo a ser seguido:
Todos: “Honrem a unidade da divindade na diversidade das Pessoas da Santíssima Trindade”.
Dirigente: Roguemos a Santa Luísa que nos ajude a viver e trabalhar com mais fraternidade e amor em nossas comunidades e paróquias.
Oração a Santa Luísa de Marillac

6º Encontro

santa luísa de marillac e a eucaristia
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Luísa de Marillac nos arrasta na sua admiração por esta extraordinária invenção da Eucaristia. Luísa intui que Deus quer revelar ao homem toda a profundidade do seu Amor e, para isso, usa diversos meios. A Encarnação já manifestava este profundo desejo de união e a Eucaristia o realiza de uma maneira ainda maior.
Todos:O Filho de Deus não se contentou em assumir um corpo humano e habitar no meio dos homens, mas querendo unir inseparavelmente a natureza divina à natureza humana, realizou-a após a Encarnação, na admirável invenção do Santíssimo Sacramento do altar”.
Leitor: Nas suas meditações sobre a Eucaristia, Luísa de Marillac reflete longamente sobre a comunhão, “ação tão admirável e incompreensível para os sentidos humanos”. Receber o Corpo de Cristo é participar da Vida de Deus. O Cristo se dá como alimento para que o homem retire dele uma nova energia para realizar sua missão no mundo.
Todos: “Como o alimento comunica suas qualidades ao corpo humano que o consome, assim a união de minha alma com Deus vai torná-la semelhante a Ele,... e me conduzir à imitação de sua vida santíssima”.
Leitor: Para Luísa de Marillac, a recepção da santa comunhão é um momento excepcional no qual Jesus está realmente presente e, por isso, permanece atenta ao que Ele deseja realizar nela. Dando-se como alimento, Jesus deseja:
Todos: “fazer-nos participantes de todas as ações de sua vida, levando-nos a entrar na prática de suas virtudes, e a tornar-nos semelhantes a Ele, por seu amor”.
Dirigente: Peçamos a Santa Luísa sua intercessão a fim de prepararmos melhor nosso coração para receber a Eucaristia.
Oração a Santa Luísa de Marillac


7º Encontro
santa luísa de marillac e o espírito santo
Ato da Presença de Deus

Dirigente: Luísa de Marillac manifesta sempre uma afeição particular pela festa de Pentecostes: ela gosta de se lembrar das graças recebidas neste dia. Em 1623, a luz de Deus veio esclarecer a noite escura na qual ela se debatia há muito tempo em conseqüência da doença de seu marido e das interrogações sobre sua vocação.
Todos: “As almas verdadeiramente pobres e desejosas de servir a Deus devem ter grande confiança em que o Espírito Santo, ao descer sobre elas e não encontrando nenhuma resistência, as disporá convenientemente para cumprir a Santíssima Vontade de Deus, que deve ser seu único desejo”.
Leitor: Luísa de Marillac descobre todo o esplendor do dom do Espírito, e não quer usufruí-lo egoisticamente. Este dom tem em vista a glória de Deus. A presença do Espírito se traduz pelo “ardor do amor” e dá a força necessária para viver como verdadeiras pessoas de fé.
Todos: “Suplico à bondade de Nosso Senhor, que disponha nossas almas para receber o Espírito Santo e que, assim, inflamados no fogo de seu Amor, vos consumais na perfeição desse amor que vos fará amar a Santíssima Vontade de Deus”.
Leitor: Luísa reconhece que é uma honra e uma felicidade para todo cristão ser chamado a testemunhar o Cristo morto e ressuscitado. Sua oração frequente ao Espírito Santo exprime sua profunda aspiração a acolher este fogo de Amor:
Todos: “Ainda vedes em mim algumas fraquezas quanto à afeição às criaturas: consumi-as, fogo ardente do divino Amor... Dignai-vos vir a mim e restabelecei as graças que me concedeu no santo Batismo... Divino Espírito, operai esta maravilha em pessoa tão indigna pela amorosa união que desde toda a eternidade tendes com o Pai e o Filho”.
Dirigente: Que Santa Luísa interceda por nós a fim de que permaneçamos sempre abertos ao Espírito Santo e deixemo-nos guiar por suas inspirações.
Oração a Santa Luísa de Marillac

8º Encontro

santa luísa de marillac e a misericórdia de deus
Ato da Presença de Deus
Dirigente: Durante a leitura e a meditação do Evangelho, Luísa de Marillac contempla o olhar do Cristo, pleno de ternura e de compaixão para todos que encontra. Todos os relatos evangélicos fazem-na perceber uma atitude de grande atenção à pessoa; a enfermidade e a desesperança são levadas em consideração. Ela descobre e compreende a misericórdia de Deus, o amor que vai ao encontro do outro no mais profundo do seu ser, e é capaz de mostrar confiança muito além do que o ser humano pode esperar.
Todos: “Nosso Senhor, faz transparecer um amor maior pela conversão dos pecadores. No seu encontro com a samaritana, o lugar, as palavras não respiram senão amor”.
Leitor: Santa Luísa descobre e compreende a misericórdia de Deus, o amor que vai ao encontro do outro no mais profundo do seu ser, e é capaz de mostrar confiança muito além do que o ser humano pode esperar. Ela, que frequentemente se julga pobre e miserável, implora ao Senhor que exerça sua misericórdia:
Todos: “Vós quereis , ó meu Deus, ensinar-me o meio de receber vossa assistência às minhas necessidades (...) devo reconhecer a verdade de meu nada e de todas as minhas misérias para atrair a enormidade de vossa misericórdia”.
Leitor: Pouco a pouco, uma evolução se opera nela. A descoberta da misericórdia de Deus tem conexão estreita com o reconhecimento do seu pecado. Entretanto, este reconhecimento não a perturba mais, porque ela acolhe a imensa bondade de Deus que, sem cessar, perdoa e chama ao amor. Humildemente, ela se propõe:
Todos: “Confiando na infinita misericórdia de meu Deus, eu me decido, de modo irrevogável, servi-Lo e amá-Lo com mais fidelidade”.
Dirigente: Roguemos a Santa Luísa que nos ajude a reconhecermo-nos pecadores e experimentar, assim, a misericórdia infinita de Deus.
Oração a Santa Luísa de Marillac

9º Encontro

santa luísa de marillac e maria, obra prima da criação
Ato da Presença de Deus
Dirigente: Quando Luísa de Marillac reza à mulher escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Filho, todo o seu ser de mulher fica repleto de alegria e de admiração. Gosta de celebrar o nascimento do Cristo, os nove meses nos quais Maria carregou em seu seio o seu Deus. Ela conhece a união íntima que existe entre a criança e sua mãe, e deseja viver esta mesma união profunda com seu Deus.
Todos: “Santíssima Virgem, recebei meus votos e súplicas junto com meu coração, que vos entrego todo inteiro, a fim de glorificar a Deus pela escolha que Sua bondade fez de vós para ser mãe de seu Filho”.
Leitor: Saudando Maria como filha de Deus Pai, Luísa de Marillac pensa na relação filial de Jesus com seu Pai, relação marcada por uma total adesão à vontade de Deus. Luísa se apraz em glorificar Maria, em admirar sua adesão à vontade de Deus que lhe foi manifestada pelo anjo e depois pelos diversos acontecimentos de sua vida.
Todos: “Sou toda vossa, Santíssima Virgem, para ser mais perfeitamente de Deus. Ensinai-me a imitar vossa santa vida, mediante o cumprimento do que Deus quer de mim. Com toda a humildade reclamo a vossa ajuda”.
Leitor: Luísa reconhece e glorifica a importante missão de Maria para a realização da Encarnação. Ela sempre se maravilha diante daquela que ela nomeia a obra - prima de Deus:
Todos: “Por isso, com toda razão, a Virgem Maria deve ser honrada por toda criatura e, em especial pelos cristãos, já que é a única criatura isenta de imperfeições e sempre foi agradável a Deus, o que a faz ser a admiração de toda a Corte Celeste e o encanto de todos os homens”.
Dirigente: Que a exemplo de Santa Luísa, nós possamos amar e honrar a Mãe de Deus e imitar sua obediência a Deus.
Oração a Santa Luísa de Marillac

Santa Luísa de Marillac
Luísa de Marillac nasceu em 12 de agosto de 1591. Ficou órfã ainda muito pequena, foi educada pelas religiosas dominicanas de Poissy, depois foi morar num pensionato em Paris. Em fevereiro de 1613 casou-se com Antonio Le Gras. Seu filho Miguel causou-lhe muitas preocupações. Por ocasião da morte de seu marido em 1625, Luísa conhece Vicente de Paulo do qual será colaboradora durante trinta e cinco anos. Em 1633, ela funda com ele a Comunidade das Filhas da Caridade, comumente chamadas Irmãs Vicentinas.
A vida de Luísa, como a de Vicente de Paulo, se orientou para os que sofrem: doentes à domicílio ou nos hospitais, refugiados, vítimas das destruições das guerras, os excluídos da sociedade, como as crianças abandonadas, os analfabetos, os galés, as pessoas idosas, os loucos...
Toda a ação de Luísa de Marillac encontrou sua fonte e seu dinamismo em sua relação com Deus, em seu amor a Jesus vivo, presente entre os homens. Sua oração se dirige ao Deus-Amor. Ela lhe pede que cada um possa viver na verdade e na liberdade e descobrir sua própria dignidade. Pede a Deus abrasar, com Seu amor divino, seu coração e o de todos os homens.
Luísa de Marillac gosta de contemplar a Virgem Maria, esta mulher humilde de Nazaré, escolhida por Deus para ser a Mãe de seu Filho. Maria é o caminho que conduz a seu Filho Jesus.
Luísa de Marillac morreu no dia 15 de março de 1660, em Paris, alguns meses antes da morte de Vicente de Paulo.

Organizada por: Ir. Carolina Mureb Santos, FC
Fonte: “Orar 15 dias com Luísa de Marillac” – Ir. Elizabeth Charpy, FC