"O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor." (Lc 4, 18-19)
Explicação do quadro (P. Andrés Felipe Rojas Saavedra, CM)
A cena nos situa na casa da família Gondi, local onde São Vicente de Paulo assina a ata de fundação da Congregação da Missão. Mas o quadro vai muito além de um momento histórico: ele nos revela a alma do carisma vicentino.
1. A senhora de Gondi: a realidade que interpela
A figura da senhora de Gondi, situada junto à janela, desempenha uma função fundamental: abre o quadro para o mundo. O seu gesto não é decorativo, é profético.
• Ela aponta para o horizonte, para além do espaço doméstico, para onde se avistam os pobres.
• O seu olhar é de preocupação e urgência, não de curiosidade.
• Aqui ressoa claramente sua famosa denúncia: “Os pobres morrem de fome e são condenados”.
Iconograficamente, ela representa a voz da realidade, a mediação histórica pela qual Deus desperta a consciência de São Vicente. É o grito do pobre que irrompe em uma casa nobre e rompe todo conforto espiritual.
👉 O mundo entra pela janela e não pode mais ser ignorado.
2. São Vicente de Paulo: o ato fundacional como envio
São Vicente aparece em pé, no centro compositivo e teológico do quadro. Ele não está sentado assinando: está ereto, em atitude de disponibilidade.
• Ele assina a ata de fundação na casa dos Gondi: o nascimento da Congregação ocorre em um espaço concreto, histórico, doméstico, não idealizado.
• Sua batina em movimento é um detalhe decisivo: não é um retrato estático, mas uma figura em saída.
• O movimento sugere missão, caminho, itinerância.
• A Congregação nasce já “em marcha”.
Esse dinamismo expressa que a fundação não é um ato administrativo, mas um gesto espiritual impulsionado pela urgência do amor.
3. O duplo gesto de Vicente: olhar para o céu, dedo apontado para Cristo
Aqui está o coração teológico do quadro.
• Ele eleva o olhar, gesto bíblico de quem discerne e obedece.
• Mas não aponta para o céu de forma abstrata: aponta para Cristo crucificado.
Este detalhe é magistral. Visualmente proclama a frase que você cita e que define toda a espiritualidade vicentina:
“O amor de Cristo nos impele” (2 Cor 5,14).
Não é compaixão filantrópica, nem simples resposta social.
👉 É Cristo quem impulsiona a missão.
👉 É o Crucificado quem envia os pobres.
O crucifixo, iluminado pela vela, não domina a cena de cima, mas dialoga com a ação concreta de Vicente. A contemplação e a ação ficam unidas.
4. Os primeiros missionários: a Igreja que nasce de joelhos
Os primeiros companheiros aparecem de joelhos, em silêncio reverente.
• Não estão discutindo nem escrevendo.
• Estão contemplando e rezando.
Isso é fundamental: a missão vicentina nasce de joelhos antes de estratégias.
Eles representam a Igreja nascente que compreende que o que está acontecendo não é apenas uma fundação, mas uma obra de Deus.
As velas acesas reforçam esse clima:
• Elas significam vigilância, oração, fé viva.
• São uma luz humilde, não ofuscante, como a caridade vicentina: constante, próxima, fiel.
5. Leitura global: uma teologia da caridade em imagens
O quadro constrói um percurso espiritual muito claro:
1. A realidade clama (os pobres apontados pela senhora de Gondi).
2. A consciência discerne (Vicente de pé, em decisão).
3. Cristo impulsiona (o Crucificado como referência última).
4. A Igreja responde (os missionários ajoelhados, em oração).
5. A missão começa (batina em movimento, ato assinado).
Nada é casual. Tudo aponta para uma verdade central:
👉 A Congregação da Missão nasce quando a dor dos pobres encontra a caridade de Cristo.
Ao Clero Diocesano de Uberlândia - por ocasião do Ano que se inicia.
Pe. Fábio Marinho
Diocese de Uberlândia
Escritor, palestrante e missionário digital
Eu confesso: quando olho para o ano que começa, não encontro facilidade em dizer “feliz ano novo” aos meus irmãos padres.
Não por falta de fé, mas por excesso de realidade.
Porque “feliz”, para nós, quase nunca é um adjetivo espontâneo;
é um verbo difícil, conjugado na resistência.
Eu desejaria, antes de tudo, verdade.
Verdade para reconhecer que muitas das nossas estruturas já não geram vida, apenas manutenção.
Que repetimos ciclos não por fidelidade ao Evangelho, mas por medo do vazio que o novo provoca.
Que a vaidade — essa forma refinada de miséria espiritual — muitas vezes se disfarça de zelo, de títulos, de cargos, de precedências litúrgicas e simbólicas.
E quando a vaidade governa, o Espírito se retira em silêncio.
Teologicamente, eu diria que vivemos uma crise pascal não resolvida.
Queremos Ressurreição sem Sexta-feira Santa, continuidade sem morte, estabilidade sem conversão.
Mas o Deus que eu conheço — o Deus de Abraão, Isaac, Jacó, de Moisés, dos profetas e de Jesus — é especialista em fechar ciclos.
Ele não reforma o Egito; Ele tira o povo de lá.
ELE não melhora o templo corrupto; Ele o derruba.
Ele não remenda o homem velho; Ele o crucifica para que outro nasça.
Onde não se aceita morrer, nada verdadeiramente novo pode nascer.
Pastoralmente, eu desejaria misericórdia entre nós.
Não a misericórdia retórica dos documentos, mas aquela que começa quando eu paro de disputar espaço, influência e reconhecimento.
Quando eu entendo que meu irmão não é concorrente, nem ameaça, nem obstáculo, mas alguém tão (ou mais) exausto quanto eu.
Estamos todos cansados.
Do nosso amado bispo, com seu grave problema de saúde que o impede de atravessar a praça para nos dar o privilégio em participar de uma homenagem honrosa a um membro do clero diocesano, aos seminaristas, que saem de suas casas e famílias para se entregarem totalmente ao cuidado da Diocese e se frustram dentro de um mês ao encontrar um ciclo vicioso que se repete há anos.
Não há ninguém capaz de assumir nada de novo na formação desta diocese?
São sempre os mesmo 2 ou 3 de 18, 20, 30 anos atrás?
É sério que há quem considere isso descente?
Do mais forte ao mais frágil, todos cansados!
E o cansaço não tratado vira cinismo, ironia, dureza e indiferença pastoral.
Psicanaliticamente, eu diria sem medo: estamos vivendo um looping institucional da alma.
Tudo é despejado, nada é elaborado.
Só repetido.
As peças do tabuleiro só mudam de lugar: vão e voltam. Com exclusividade.
Uma dança das cadeiras com cadeiras marcadas para cargos, funções, paróquias, etc. etc. etc.
Como se, no meio de dezenas de padres, apenas meia dúzia deles fossem os necessários e os eficazes.
Não há começo, meio e fim porque não há simbolização.
Há quem está preso aos começos desde o nosso bispo anterior e, curiosamente, ainda não consegue deslumbrar, com maturidade e consciência pastoral, a necessidade da teologia da continuidade: os senhores precisam dos meios e dos fins!
Até o Bispo, pela Sabedoria da Mãe Igreja, tem a hora certa de sair de cena.
E a vida pastoral continua.
Repetimos funções como quem repete sintomas.
Estamos doentes de cargos.
Estamos doentes de reuniões e papéis.
Estamos doentes de não sermos nada e nos agarrarmos com unhas e dentes a papéis que levem nossos nomes e assinaturas.
As mesmas pessoas nos mesmos lugares, os mesmos discursos, as mesmas disputas, os mesmos grupos, as mesmas “costuras”, porque o sistema, como um sujeito adoecido, prefere a repetição do sofrimento conhecido ao RISCO DO DESCONHECIDO QUE PODERIA CURAR.
Onde não há luto, há repetição.
Onde não se chora o que morreu, o passado governa o presente.
Então, o que desejar para este ano?
Logo eu: aposentado por invalidez, por um câncer que devora o interior dos meus ossos, silenciosamente, dia após dia.
Logo eu, que estou assistindo tudo de fora.
Eu não desejaria felicidade fácil.
Desejaria coragem espiritual.
Coragem para reconhecer que nem tudo o que é antigo é tradição; muita coisa é atraso e paralisia.
Muitas coisas (e pessoas) são apenas hábitos fossilizados.
Alguns fingem não perceber que já não servem para seus cargos;
não são úteis nem necessários, mas não conseguem escrever uma carta coerente e caridosa, renunciando aos seus títulos arqueológicos e liberando o bispo do peso de arrastá-los.
Eu desejo coragem para admitir que algumas estruturas se tornaram estéreis, e que insistir nelas não é fidelidade, é negação.
Covardia!
Coragem para permitir que Deus nos desinstale — porque toda verdadeira experiência de Deus desinstala.
Desejaria também liberdade interior.
Liberdade dos títulos, das comparações, das pequenas vaidades clericais que nos fazem esquecer que fomos ordenados para servir, não para vencer lutas como gladiadores no centro de uma arena repleta de torcedores fanáticos por este ou aquele.
Senhores “Vigários de tantas coisas que já não servem” nem ao Bispo Diocesano e muito menos ao clero e ao povo a nós confiado.
Analisem a si mesmos e suas limitações: teriam os senhores se tornado pedras de tropeço?
Todos dizem as mesmas coisas pelos corredores da Cúria ou das sacristias. TODOS!
E se disserem ser mentira posso citar nomes, ocasiões e assuntos tratados.
Quando o ministério vira identidade narcísica, ele deixa de ser sacramento e vira armadura.
E, acima de tudo, eu desejaria esperança pascal, aquela que não depende do sistema funcionar, mas da GRAÇA agir.
A esperança que sabe que Deus sempre começa algo novo, mesmo quando tudo parece velho demais.
Às vezes, o ano novo não nasce nas estruturas, mas em pequenos deslocamentos interiores:
um padre que decide escutar mais, julgar menos;
outro que aceita sair do centro do assunto ou da cidade;
outro que cuida da própria saúde psíquica e espiritual sem culpa para evitar danos vergonhosos a si mesmo e à toda diocese.
Outro que reaprende a rezar sem pressa, deixando de lado a agenda pessoal para privilegiar a liturgia orante e acessível com o povo que já não entende nada do que se é falado dos púlpitos e muito do que é papagaiado nas celebrações.
Talvez não possamos desejar um “ano feliz”.
Mas podemos desejar um ano verdadeiro.
E, para mim, isso já seria profundamente cristão.
Porque onde há verdade, mesmo dolorosa, Deus ainda está trabalhando.
E se Deus ainda trabalha, então — mesmo no cansaço — ainda há salvação em curso.
…eu termino não com um slogan, mas com um pedido de um padre que está vivendo a experiência magnífica de viajar as dioceses de todo esse país e fora dele também para pregar retiros, dar formações teológicos e jornadas de catequese:
Eu peço que este ano nos seja dado como travessia, não como vitrine.
Que Deus nos poupe dos cargos e títulos que anestesiam a ponto de não percebermos que estamos atrapalhando a vida de uma diocese inteira, e nos conceda a lucidez que dói, mas salva.
Salva a si mesmo.
Salva ao presbitério cada vez mais vazio nas liturgias comuns.
Salva a vida pastoral cada dia mais desmotivada e em conflito com os leigos.
Salvo o seminário, que deve ser o lugar primordial do encontro, o lugar onde se cultiva a matéria-prima do nosso próprio Presbitério, onde serão formados o que deverão zelar por nossa velhice, ao menos confortável para além de nossas desgraças pessoais.
Salve a Cúria do afogamento burocrático e nada caridoso.
Salve o Bispo, tantas vezes sozinho e boicotado em tantos sonhos e projetos.
Que a gente tenha menos pressa de parecer forte e mais coragem de admitir fragilidade.
Porque só o frágil precisa de graça — e só quem precisa de graça se deixa alcançar por Deus.
Eu peço que a gente volte a sentir o que faz, a rezar o que vive, a chorar o que perdeu.
Que a instituição não nos roube a alma;
que a função não mate o desejo;
que o cargo não silencie a consciência.
Se for para desejar algo aos meus irmãos padres,
que seja isso:
não um ano confortável,
mas um ano honesto diante de Deus e digno aos olhos do presbitério que não se cansa de murmurar pelos corredores da cúria, ou de se manterem ocupados em fazer nada.
Um ano em que a gente pare de fingir que está tudo bem.
Porque NÃO ESTÁ!
Porque Deus não nos chama pelo que mostramos,
Ele nos encontra exatamente onde quebramos.
E se ainda doer, se ainda cansar, se ainda confundir,
eu acredito — profundamente,
que é sinal de que o Espírito ainda não desistiu de nós.
E enquanto Ele não desistir,
mesmo no esgotamento,
mesmo no silêncio,
mesmo na noite,
a Páscoa continuará sendo preparada.
Que venha 2026.
Que, sendo possível, seja novo e nos surpreenda para além do óbvio que ocupa os mesmos lugares há tantos anos.
Que venha o Ano e sejamos capazes o suficiente para torná-lo um ANO NOVO e FELIZ.
Oremos para que a oração com a palavra de Deus seja alimento para as nossas vidas e fonte de esperança nas nossas comunidades, ajudando-nos a construir uma Igreja mais fraterna e missionária.
Fevereiro: crianças com doenças incuráveis
Oremos para que as crianças que sofrem de doenças incuráveis e suas famílias recebam os cuidados médicos e o apoio necessários, sem jamais perder a força e a esperança.
Março: paz e desarmamento
Oremos para que as nações avancem rumo a um desarmamento efetivo, em particular o desarmamento nuclear, e que os líderes mundiais escolham o caminho do diálogo e da diplomacia em vez da violência.
Abril: sacerdotes em crise
Oremos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise em sua vocação, para que encontrem o acompanhamento de que precisam e para que as comunidades os apoiem com compreensão e oração.
Maio: alimentos para todos
Rezemos para que todos, dos grandes produtores aos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício. Que cada pessoa tenha acesso a alimentos nutritivos e suficientes.
Junho: valores no esporte
Oremos para que o esporte seja um instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações, e que promova valores como respeito, solidariedade e crescimento pessoal.
Julho: respeito à vida
Oremos pelo respeito e pela proteção da vida humana em todas as suas fases, reconhecendo-a como um dom de Deus.
Agosto: evangelização nas cidades
Oremos para que, nas grandes cidades, muitas vezes marcadas pelo anonimato e pela solidão, encontremos novas maneiras de proclamar o Evangelho, descobrindo caminhos criativos para construir comunidade.
Setembro: cuidado com a água
Oremos por uma gestão justa e sustentável da água, um recurso vital, para que todos tenham acesso igualitário a ela.
Outubro: saúde mental na Igreja
Oremos para que o ministério da saúde mental seja estabelecido em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação contra pessoas com doenças mentais.
Novembro: uso responsável da riqueza
Oremos pelo uso correto da riqueza, para que, não sucumbindo à tentação do egoísmo, ela seja sempre colocada a serviço do bem comum e da solidariedade com aqueles que têm menos.
Dezembro: famílias monoparentais
Oremos pelas famílias que vivem a ausência de mãe ou pai, para que encontrem apoio e acompanhamento na Igreja, e auxílio e força na fé nos momentos difíceis.
APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (Paris, França - 1830)
As aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em 1830 – Paris, marcaram o início de
um ciclo de grandes revelaçõesMarianas.EssecicloprosseguiuemLa Salette (1846), em Lourdes (1858) e
culminou em Fátima – Portugal (1917)
Desde 1830 Nossa Senhora se manifesta deplorando os pecados
do mundo, oferecendo perdão e misericórdia à humanidade pecadora e prevendo
severos castigos caso elanão se
convertesse. Mas também anunciando que, após esses castigos, viria um triunfo
esplendoroso do Bem.
Em novembro de 1876, um mês antes de sua morte, Santa CatarinaLabouré: afirmou:“Virãograndescatástrofes. Osangue jorrará nas ruas. Por um
momento, crer-se-á tudo perdido. Mas tudo será ganho. A Santíssima Virgem é
quem nos salvará. Sim, quando esta Virgem, oferecendo o mundo ao Pai Eterno,
for honrada, seremos salvos e teremos a paz”.
Ela veio do Céu para trazer-nos um sinal, o seu retrato numa Medalha
bendita, derramando Suas Graças aos filhos que pedirem a sua intercessão; e devido aos seus prodígios e milagres, o povo cristão deu a esta medalha o título
de “Milagrosa”. A Medalha Milagrosa é um rico presente que Maria Imaculadaquisofereceraomundocomopenhordosseuscarinhos e bênçãosmaternais, como instrumento de milagres e
comomeio, de preparação para a
definição dogmática de 1854.
1ª Aparição: 19 de julho de 1830
A primeira aparição ocorreu durante a noite do 19 de julho de 1830. A Virgem Gloriosa
apareceu à irmã Catarina Labouré. A irmã acordou e ouviu claramente chamar 3
vezes:
-"Irmã".
Olhou para o lado de onde vinha a voz e viu um menino
vestido de branco. Era o seu Anjoda Guarda. O menino lhe disse:
-"Venhaàcapela,aSantaVirgemTeespera."
Ao chegar à capela, a porta se abriu mal o menino a tocou.
Na capela todas as velas estavam acesas. O menino a conduzia ao sacrário, junto
à cadeira do padredirector.Catarina espera e reza. Passado uma meia
hora, o Anjo disse de repente:
-"EisaSantíssimaVirgem".
Ao lado do altar, onde normalmente se lê a epístola, Maria
desceu,dobrouojoelho diantedoSantíssimoevaisentar-senuma cadeira no coro dos sacerdotes. Num abrir e fechar dos olhos, a
vidente se atirou aos seus pés, apoiado suas mãos sobre os joelhos maternais da
Santa Virgem. Foi esse o momento mais belo de sua vida. Durante duas horas Maria falou com Catarina duma missãoqueDeusqueria confiar-lheetambémdasdificuldades
que iria encontrar na realização da mesma.
Conta-nos
Catarina: “Ela me
disse como eu devia proceder para com meu diretor, como devia proceder nas
horas desofrimento e muitas outras
coisas que não posso revelar”.
Essas coisas que ela não podia contar em 1830, revelou-as depois:
“Váriasdesgraças
vãocairsobreaFrança;otronoserá derrubado; o mundo inteiro será revolto por desgraças de
toda sorte”. Falou
também de “grandes abusos” e “grande relaxamento” nas comunidades de
sacerdotes e freiras vicentinas, e que deveria alertar disso os superiores.
Voltou, em seguida, a falar de outros terríveis
acontecimentos queocorreriam em
futuro mais distante, prevendo com 40 anos de antecedência as agitações da
Comuna de Paris e o assassinato do Arcebispo; prometeu sua especial proteção,
nessas horastrágicas, aos filhos e
às filhas de São Vicente de Paulo. Depois Maria desapareceu, e o Anjo a
reconduziu para o dormitório.
2ª Aparição: 27 de novembro de 1830
"A Virgem Santíssima, - diz a irmã -
aparece e estava de pé sobre um globo, vestida de branco, com o feitio que se
diz à Virgem,isto é, subido e com
mangas justas; véu branco a cobrir-lhe a cabeça, manto azul prateado que lhe
descia até aos pés. Suas mãos erguidas à altura do peito seguravam um globo de
ouro, em cima do globo haviauma
cruz... Tinha os olhos erguidos para o céu, e seu rosto iluminava-se enquanto
oferecia o globo a Nosso Senhor Jesus Cristo. Catarina ouviu uma voz que lhe
disse:
-"Este globo que vês
representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em
particular. Os raios são o símbolodasGraçasquederramosobre aspessoasque, maspedem.Os raios mais espessos correspondem às
graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem
às graças que as pessoas não se lembram de pedir.“
Enquanto Maria estava rodeada duma luz
brilhante, o globo desaparece das suas mãos. Formou-se então em torno da virgem
um quadro de forma oval emque havia
emletras de ouroestas palavras: "Ó Maria concebida sem
pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Então uma voz se fez ouvir que dizia: ’'Manda
cunhar uma Medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem, receberão grandes graças, especialmente se a trouxerem ao pescoço;
hão-de ser abundantes as graças para as pessoas que a trouxerem comconfiança. Depois, o quadro
voltou-se, mostrando no reverso um conjunto de emblemas, nocentro umgrande M,o monograma de
Maria, encima do M, por uma cruz sobre uma barra; abaixo do monograma havia
dois corações: o da esquerda cercado de espinhos, o da direita transpassado por
uma espada. Eram os corações de Jesus e Maria. Por fim umaconstelação de doze estrelas, em forma
oval, cercando este conjunto.Paris
sofria com a peste que dizimava milhares todos os dias e aos doentes nos
hospitais onde as Irmãs da Caridade serviam foram distribuídas as primeiras
medalhas e os mesmos milagrosamente ficavam curados, daí grande parte do povo
na época passou a crer e usar as medalhas e as curas foram incontáveis até os
nossos dias.
Para logo, começou a espalhar-se com muita rapidez adevoção pelo mundo inteiro, acompanhada
sempre de prodígios e milagres extraordinários, reanimando a fé quase extinta
em muitos corações, produzindo notável restauração dos bons costumes e da
virtude,sarandooscorpose convertendoasalmas. Em1858,aVirgem
Maria veio confirmar essa verdade de fé pelas suas aparições em Lourdes à
pequena Bernadette, que trouxe a medalha ao pescoço, Maria se fez conhecer com
estas palavras:"EusouaImaculada
Conceição".
Amulherqueesmagaacabeçada serpente, que é o demônio já estava
preditanaBíblia,nolivrodoGênesis:
"Porei inimizade
entre ti e amulher... Ela te
esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar".
Deusdeclarainiciadaalutaentre o bem e o mal. Essa
luta é vencida por Jesus Cristo, o "novo Adão",juntamentecomMaria,aMãe de Jesus,a"novaEva".É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher esmaga finalmente a cabeça da serpente, para que não mais a morte pudesse
escravizar os homens.
Os raios:SimbolizamasgraçasqueNossaSenhoraderrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama
Tesoureira de Deus.
As12estrelas: simbolizamas12tribosde Israel e os 12 Apóstolos
Maria
Santíssima também é saudada como "Estrela do Mar" na oração Ave,
Maris Stella.
O coração cercado de
espinhos: É o Sagrado Coração deJesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor
prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do
seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.
O coração transpassado por
uma espada: É o ImaculadoCoração
de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e
Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa
co-redentora.
O M: Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam
o calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na
história da salvação.
O travessão
e a Cruz: Simbolizam o calvário. Para a
doutrina católica, a Santa Missa é a repetição do sacrifício do Calvário,
portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristã.
Pedro Jorge Frassati nasceu a 6 de abril de 1901, em
Turim, Itália. Seus pais pertenciam a uma classe muito bem sucedida
financeiramente e tinham forte influência na política da época. Seu pai era
indiferente à religião e diretor proprietário de um dos jornais mais
importantes da Itália. Além disso, foi senador e embaixador em Berlim. Sua mãe
dedicava-se à pintura e à arte e, no âmbito religioso, concebia o cristianismo
apenas como um amontoado de ritos.
Embora seu ambiente familiar não proporcionasse uma
prática piedosa da religião, Pedro Jorge soube cultivar uma profunda
espiritualidade, reveladora de todo o amor que tinha por Deus. A Eucaristia e
os Pobres foram os dois pilares que sustentaram sua vida espiritual. Fazia da
Missa diária a fonte de sua espiritualidade e a força para o serviço dos
Pobres. Certa vez, afirmou: “Jesus vem a mim todos os dias na Santa Comunhão e
eu restituo a visita servindo aos Pobres”.
Sua juventude foi vivida como a de todos os outros
jovens: passeava com os amigos, praticava alpinismo, organizava festas e
brincadeiras, sem nunca dissociá-la da prática concreta e convicta da fé que
assumira e vivenciava com entusiasmo e vigor.
Imbuído do amor a Cristo presente na Eucaristia, Pedro
Jorge fez-se membro, em 1914, do Apostolado da Oração. A Eucaristia, recebida
cada dia em comunhão e adorada nas orações noturnas de que era assíduo
frequentador, sempre foi o sustento de sua piedade e de seu trabalho em favor
dos empobrecidos e em vista da transformação social. A Eucaristia, “lugar
privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo”, foi moldando a vida,
as atitudes, os pensamentos e os sentimentos de Pedro Jorge, de tal modo que
sua existência foi adquirindo “verdadeiramente forma eucarística” além de beber
da “fonte inextinguível do impulso missionário” (Doc. de Aparecida, 251).
A devoção a Maria Santíssima o fez agregar-se, em maio de
1918, à Congregação Mariana. E o amor aos Pobres o conduziu, a 29 de novembro
de 1918, à Sociedade de São Vicente de Paulo. Junto com seus amigos, foi sempre
fiel ao compromisso vicentino de visitar os Pobres. O Cristo Eucarístico, que
comungava e adorava frequentemente, era o mesmo que encontrava junto aos Pobres
quando os visitava.
A justiça evangélica, que estava presente em seu coração
e em sua vida de cristão, motivava-o a trabalhar por uma sociedade mais justa e
mais fraterna. Para tanto, filiou-se, contrariando a vontade de seu pai, em
1920, ao Partido Popular Italiano, fundado pelo Padre Luigi Sturzo, inspirado
na Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII. Longe de ser mero observador do
cenário mundial, Pedro Jorge nunca se cansou de propor reuniões, debates e
marchas populares, acreditando que a verdadeira política se faz no entendimento,
na discussão e na participação efetiva de todos os cidadãos.
Em meio a uma série de trabalhos juntos dos Pobres,
especialmente dos mineiros italianos que não podiam cuidar corretamente da
saúde e eram explorados pelas longas e pesadas jornadas de trabalho, Pedro
Jorge contraiu poliomielite e faleceu a 4 de julho de 1925, com apenas 24 anos.
Foi beatificado a 20 de maio de 1990.
Antífona de entrada Mt 25, 34.36.40
Vinde, benditos de meu Pai, diz o Senhor:
eu estava doente e me visitastes.
Em verdade vos digo: tudo o que fizestes ao menor dos
meus irmãos,
foi a mim que o fizestes.
Oração do dia
Ó Pai,
vós que destes ao jovem Pedro Jorge Frassati
a alegria de encontrar o Cristo na fé e na caridade,
fazei que, por sua intercessão,
nós também possamos espalhar
entre os homens e mulheres do nosso tempo
o espírito das bem-aventuranças evangélicas.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.
Sobre as oferendas
Ó Pai, imploramos a vossa clemência,
ao apresentarmos estas oferendas ao vosso altar
na comemoração do Bem-Aventurado Pedro Jorge Frassati.
Que elas vos deem toda glória
e derramem sobre nós a riqueza da vossa graça.
Por Cristo, Nosso Senhor.
Prefácio dos santos, p. 92.
Antífona da comunhão Jo 15, 9
Como o Pai me amou, eu também vos amei, diz o Senhor;
permanecei no meu amor.
Depois da comunhão
Senhor nosso Deus,
os divinos mistérios de que participamos
na comemoração do Bem-Aventurado Pedro Jorge Frassati
Natural de Peniche - Portugal, bom e corajoso, de trato
afável e simples, de superior inteligência e não menor espirito de humildade,
desprendido dos bens materiais e apenas movido pelo desejo de servir, soube
construir no Brasil, numa terra que não era sua mas que amou como se o fora e
durante perto de sessenta anos, uma vida traçada em rasgos de generosidade, de
coragem, de heroísmo e de saber, na defesa dos humildes e oprimidos, na luta
pela abolição da escravatura e no combate à corrupção e à promoção do bem
comum, sempre com o ardor de uma fé nunca renunciada e de uma esperança
renovada todos os dias. E o fulgor da sua palavra soube irradiar relâmpagos de
um brilhantismo tão intenso que, embora o Brasil houvesse já escutado Manuel da
Nóbrega, José de Anchieta e Antônio Vieira, um brasileiro ilustre membro da
Academia das Letras, seu confidente, ouvinte e primeiro biógrafo - não se recusou
de afirmar que "algumas vezes elevava-se com eloquência tão arrebatadora,
que os oradores mais celebres não subiram mais alto".
Dom Viçoso, "modelo luminoso de defensor da Igreja,
reformador do Clero e santificador do povo cristão".
Alguns Acontecimentos...
1774
3 de agosto: Casamento de seus pais, Jacinto Ferreira
Viçoso e Maria Gertrudes.
1787
13 de maio: Nasce Antônio José Ferreira Viçoso.
21 de maio: É batizado na Paróquia Igreja Nossa Senhora
da Ajuda em Peniche, tendo sido padrinho Frei Frutuoso de Jesus Maria José e
madrinha Nossa Senhora da Piedade.
1796
Ingressa no convento de Olhalvo, da Ordem dos Carmelitas
Descalços, no Conselho de Alenquer.
1798
Ingressa no convento de Santa Teresa, da Ordem dos
Carmelitas Descalços, em Santarém.
1800
Ingressa no Seminário de Santarém.
1809
Termina os estudos em Santarém, preparando-se para
receber as ordens sacras. Encontrando-se vaga a Sé Patriarcal de Lisboa, fica
adiada a respectiva ordenação. Regressa a Peniche.
1811
25 de julho: Ingressa no Seminário da Congregação da
Missão (de S. Vicente de Paulo, Lazarista), em Lisboa.
1813
26 de julho: Faz os votos e inicia um novo ciclo de
estudos.
1816
9 de março: São-lhe conferidas as Ordens de Subdiácono,
por D. João Antônio Binet Pincio, Bispo de Lamego.
14 de fevereiro: São-lhe conferidas as Ordens de Diácono,
por D. Frei Marcelino José da Silva, Bispo Resignatário de Macau.
1818
7 de março: É ordenado presbítero, na Sé Patriarcal de
Lisboa, por D. Frei Marcelino José da Silva.
8 de março: É domingo de Páscoa e celebra a sua Primeira
Missa - Passa a lecionar filosofia no Real Colégio de Nossa Senhora da
Purificação, em Évora.
Aceita juntamente com o padre Leandro Rabelo de Peixoto e
Castro, o convite de D. João VI no sentido de os Padres da Congregação da
Missão tomarem a seu cargo a evangelização dos índios brasileiros, no Estado de
Mato Grosso.
27 de setembro: Parte para o Brasil, a bordo no Navio
"Gran Canoa”.
1819
Pelos fins de outubro, por necessidade de a tribulação do
navio reabastecimento de provisões, permanece alguns dias em S. Tiago, Cabo
Verde.
7 de dezembro: Chega ao Rio de Janeiro. Apresenta-se ao
Ministro Tomás Antônio de Vilanova Portugal, a fim de receber as instruções
necessárias ao desempenho da missão que havia aceitado e é recebido por D. João
VI. Toma conhecimento de que já não irá para Mato Grosso, mas sim para Minas
Gerais.
1820
Fins de fevereiro: Parte para o Santuário de Nossa
Senhora Mãe dos Homens e S. Francisco das Chagas, na Serra do Caraça, Minas
Gerais, a cerca de 600 quilômetros do Rio de Janeiro.
15 de abril: Chega à Serra do Caraça.
1821
Princípios de janeiro: Sob a sua orientação pedagógica, é
fundado o Colégio no Santuário do Caraça e as aulas iniciam-se, com a
frequência não só de alunos de Mariana e arredores, como também do Rio de
Janeiro.
Meados de setembro: Poucos dias depois de ter sido
proclamada a Independência do Brasil, chega à Ilha
Grande, perto de Angra dos Reis a cerca de 200 quilômetros do Rio de Janeiro,
por ter sido nomeado responsável pelo Seminário e Colégio da Santíssima
Trindade (ou de Jacuecanga). Ao mesmo tempo que administra o Colégio e ensina,
da assistência as povoações de Monsuaba, Prainha do Veado. Tartaruga, Ponta
Leste, Angra dos Reis e Ilha Grande.
1837
Princípios de julho: Quinze anos depois de chegar a
Jacuecanga, regressa ao Santuário e Colégio do Caraça. - É eleito Superior do
Colégio.
1839
É elevado à dignidade de Superior Geral da Congregação da
Missão no Brasil (cargo que exercera até 1844).
1840
Publica o opúsculo "Condenação da Escravatura",
no qual fustiga a existência aberrante e consentida de homens escravos de
outros homens, afirmando que isso era contra toda a justiça e o direito natural
(princípios pelos quais se baterá energeticamente durante toda a sua vida).
7 de janeiro: O Imperador D. Pedro Il nomeia-o Bispo da
Diocese de Mariana.
1843
Julho, princípios do mês: Prestes, por humildade, a não
aceitar tal nomeação, mas alertado pelos Irmãos da sua Congregação para os
males que adviriam para a Diocese se persistisse na sua negativa, parte
finalmente para o Rio de Janeiro, onde se avista com o Imperador.
5 de maio: Com solenidade pouco costumada, é sagrado
Bispo de Mariana no Mosteiro de S. Bento, no Rio de Janeiro, por D. Manuel do
Monte Rodrigues de Araújo, Bispo de S. Sebastião do Rio de Janeiro, que teve,
por ministros consagrantes. D. José Afonso de Moraes Torres, Bispo de Grão-Pará
e D. Frei Pedro de Santa Mariana, Bispo titular de Crisópolis.
1844
16 de junho: Por entre multidão que pega as ruas de
alegria, a música, os sinos, os estalos de foguetes, os estouros das fogueiras,
as descargas da artilharia e o ribombar dos canhoes. entra solene e
festivamente, em Mariana onde se celebra um Te-déum de Ação de Graças,
arrematando a noite com esplendido fogo de artificio.
Alguns dias depois de sua chegada a Mariana, todos os
escravos da cidade e muitos dos arredores se dirigem ao Palácio Episcopal
levando cada um deles a oferta, pobre, mas riquíssima de significado de um
pequeno feixe de lenha caprichosamente enfeitado de coloridas e perfumadas
flores.
1845
Princípios de janeiro: Iniciam-se as aulas no Seminário
de Nossa Senhora da Boa Morte, de Mariana, completamente restaurado e ampliado
de modo poder albergar cerca de cento e cinquenta alunos.
12 de janeiro: Confere, pela primeira vez, ordens a um
sacerdote (João Antônio dos Santos).
1846
É adquirida a Cartuxa, pequena chácara no alto da
montanha em Mariana (onde vivera, nomeio da maior simplicidade, grande parte de
sua vida de Bispo).
1849
Procura dar vida a uma casa de recolhimento de órfãos,
trazendo da França as Irmãs Vicentinas da Divina Providência. Funda o Colégio
Providência (para meninas) e um hospital para internamento de enfermos e
idosos.
Junho: Acolhe no Seminário de Mariana, o ex-escravo.
Francisco de Paula Victor, mais tarde o Pe. Victor da Campanha, hoje já
reconhecido como Beato pela Santa Sé.
1850
Outubro: Escreve a um amigo condenado a escravatura:
...comprar Africanos para a agricultura, eu digo que não é licita tal compra
porquanto enquanto houver quem cá os )à África, compre, haverá quem os vá
comprar (ou roubar) à coisa tão oposta a humanidade. Minha razão repugna"
1851 (até 1852)
Publica o periódico "O Romano", enquanto
prossegue num vasto labor intelectual que favorece o desenvolvimento cultural e
religioso do clero e do povo da sua Diocese, traduzindo obras do Latim, do
Grego, do Espanhol, do Francês e do Italiano.
1861
14 de abril: Ordena D. Luis Antônio dos Santos (que fora
seu aluno no Seminário de Jacuecanga) Bispo de Fortaleza.
1864
1º de maio: Ordena D. João Antônio dos Santos (que fora o
primeiro sacerdote a quem conferira ordens) Bispo de Diamantina.
1865
25 de abril: É agraciado pelo Imperador D. Pedro II com o
titulo de Conde da Conceição, depois de já ter sido homenageado, pelo mesmo
Imperador, com a Comenda da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.
1869
10 de janeiro: Ordena D. Pedro Maria de Lacerda (que fora
seu aluno no Colégio do Caraça) Bispo de S. Sebastião do Rio de Janeiro.
1874
Com 87 anos e discordando da prisão injusta a que o
Governo sujeitara os Bispos de Olinda e de Belém, sai em suas defesas e,
dirigindo uma enérgica e corajosa carta ao Imperador. diz-lhe: "V.
Majestade sabe que não tenho cavalos nem carruagens, e menos os táleres (moeda
alemã de então), em que me possam multar, também não me podem prender em
calabouços, porque em calabouço estou metido, sendo Bispo há 30 anos, e tendo
de idade quase go, por meão em liberdade, se me tirarem desta masmorra do
Bispado, ainda que lhes pareça que me mandam para outra pior prisão".
1875
3 de maio: Ordena seis novos sacerdotes.
29 de junho: Doente, há vários meses, encontra ainda
forças, entre o espanto e a comoção dos presentes, para celebrar a que será a
sua última missa.
7 de julho: Com 87 anos, morre, pelas 11 horas da noite,
na sua casinha da Cartuxa, sobranceira a Mariana.
11 de julho: É sepultado no piso do Presbitério da
Catedral de Mariana.
1896
Seu afilhado Pe. Silvério Gomes Pimenta, mais tarde Bispo
e primeiro Arcebispo de Mariana, edita o livro "Vida de D. Antônio
Ferreira Viçoso: Bispo de Mariana e Conde da Conceição".
Por esta obra, Dom Silvério, torna-se o primeiro prelado
brasileiro a alçar uma Cadeira, na Academia Brasileira de Letras.
1916
Convicto da santidade do 7º Bispo, seu afilhado e
Primeiro Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta, constitui o Tribunal
Eclesiástico para levar por diante a Causa da sua Beatificação.
1963
São trasladados os seus restos mortais para a cripta
mandada construir, na Catedral de Mariana, pelo Arcebispo Dom Oscar de
Oliveira.
1964
Dom Oscar de Oliveira retoma o processo da sua
beatificação, interrompido em 1922.
1980
Primeiros anos da década de 1980: Mons. Flávio Carneiro
Rodrigues dedica-se incansavelmente à Causa de Dom Viçoso. datilografando os
seus manuscritos para envio à Santa Sé.
10 de julho: O Papa João Paulo II, Santo João Paulo II,
em sua visita Apostólica ao Brasil, em Fortaleza, cita Dom Viçoso, entre
outros, como um "homem que deixou marcas de sua passagem na construção do
Reino de Deus"
1º de março: O processo é distinguido, por parte da
Congregação para as Causas dos Santos, com o rescrito "Nihil Obstat"
(Nada Consta), que é a autorização oficial da Santa Sé para o prosseguimento da
Causa.
1985
Março: O processo, em sua segunda fase, dá entrada em
Roma.
9 de março: É proposto, e aprovado por unanimidade em
sessão da Assembleia Municipal de Peniche, terra natal de Dom Viçoso, que se
erga um Monumento em sua memória, e que se leve por diante o processo de
geminação da cidade portuguesa de Peniche com a cidade brasileira de Mariana.
1986
Dom Viçoso é declarado "Servo de Deus", pela
Santa Sé e o processo para a sua beatificação continua em bom ritmo.
1990
Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida atribui a Dom Viçoso,
a sua recuperação pelo grave acidente automobilístico sofrido.
2014
8 de julho: A Santa Sé reconhece que Dom Antônio Ferreira
Viçoso, viveu de modo heroico as suas "Virtudes Cristãs O Servo de Deus
passa a ser chamado de "Venerável.
2018
Segundo semestre: Tendo chegado à Mariana e assumindo a
Sede Arquiepiscopal Marianense, o Arcebispo Metropolitano. Dom Airton José dos
Santos, toma conhecimento dos processos dos candidatos à santidade na
Arquidiocese e dá sequência ao incremento das causas.
7 de julho: Por esforços da Arquidiocese de Mariana e da
Faculdade Dom Luciano Mendes, o Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton
José dos Santos, lança a 4ª edição do Livro "Vida de D. Antônio Ferreira
Viçoso: Bispo de Mariana e Conde da Conceição".
2021
Na mesma solenidade, apresenta o caminho religioso do
Caraça à Cartuxa em Mariana, refazendo os passos do Venerável Dom Viçoso, sob o
título de "Nos Passos de Dom Viçoso - Uma Caminhada de Fé".
2024
8 de dezembro: A Arquidiocese de Mariana celebra os 150
anos de dedicação da Diocese ao Sagrado Coração de Jesus, por ato de Dom
Antônio Ferreira Viçoso.
Princípios de janeiro: Dom Airton José dos Santos visita
Peniche. Terra Natal de Dom Viçoso e faz conferência sobre as Virtudes Cristas
de Dom Viçoso aos conterrâneos do 7º. Bispo de Mariana.
Dom Airton visita o Postulador da Causa de Beatificação
de Dom Viçoso, em Roma e traça ações para o incremento do processo.
3 de abril: Dom Airton José dos Santos, nomeia o Pe.
Marcelo Moreira Santiago, Pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, em
Mariana, Delegado Arquiepiscopal para acompanhara Causa de Beatificação e
Canonização de Dom Viçoso.
2025
18 de maio: É lançada em Mariana a obra "Dom Viçosa
- Um Santo que andou em Minas", de autoria de Dom Gil Antônio Moreira -
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.
Na sequência, a Arquidiocese de Mariana se prepara para
as cerimônias que irão marcar a passagem dos 150 anos da Morte de Dom
Viçoso", em 7 de julho.
O que se disse de Dom António Ferreira Viçoso
"É o sacerdote mais digno do Brasil".
- Ambrosio Capadócio, Internúncio e Delegado Apostólico,
em 1843
"Em parte alguma do mundo conheci mais digno
Prelado".
- Paulino José Soares, Ministro da Justiça do Brasil, em
1844
"É um verdadeiro Bispo Apóstolo (...) não r havendo
freguesia por pobre e miserável, onde não fosse e pregasse, nem caminhos por
intransitáveis, nem estações ou tempos por ásperos e cruéis, ou perigos por
temerosos, a que se acobardasse".
- Monsenhor Bedini, Arcebispo de Thebas, em 1853
"É um grande bispo do Brasil".
- Papa Pio IX, em 1864
"De tantos e tão eminentes Prelados, reunidos de
todos os ângulos da Terra, a nenhum conheço mais santo".
- Dom Pedro de Lacerda, o Bispo do Rio de Janeiro. quando
do Concilio Ecumênico, em 1869
"O seu modo de pregar era simples, grave, e tão
insinuante, que calava no fundo das almas, e executava espantosas
mudanças". "Algumas vezes eleva-se com eloquência tão arrebatadora,
que os oradores mais célebres não subiram mais alto". "Nunca houve
homem mais admirado em vida, nem memória mais celebrada depois da morte".
Dos documentos do processo da sua beatificação, enviados para Roma
recentemente: "Na história eclesiástica do Brasil, não sabemos de um outro
bispo que tivesse prestigio comparável ao seu".
Dom Silvério Gomes Pimenta, 1º Arcebispo de Mariana, em
1876
Imprimatur
Mariana, 27 de junho de 2025 Dia do Sagrado Coração de
Jesus
Dom Airton José dos Santos
Arcebispo Metropolitano de Mariana
Oração para pedir a Deus a beatificação de Dom Viçoso e
alcançar graças por sua intercessão
Senhor Jesus Cristo, glória dos vossos sacerdotes, Bom
Pastor que destes a vida pelas vossas ovelhas, nós vos agradecemos pelas
virtudes e dons com que vos dignastes adornar a alma do grande bispo, Dom
Antônio Ferreira Viçoso, para fazer dele um modelo luminoso de defensor da
Igreja, reformador do clero e santificador do povo cristão.
Vós que prometestes glorificar aqueles que vos servirem,
dignai-vos glorificar, com a honra dos altares, se for para maior glória da
Santíssima Trindade e honra do vosso sacerdócio, este vosso servo, e
concedei-nos, para esse fim, por sua intercessão junto de vós, a graça que
confiantemente vos pedimos.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.
No dia 13 de cada mês uma missa é celebrada na Cartuxa,
às 8h30, pela beatificação de Dom Viçoso.
Missa no Morro da Cartuxa homenageia os 150 anos do falecimento de Dom Viçoso – JCTV – 09/07/25