No dia 13 de maio de 2026, completam 239 anos do falecimento de Dom Antônio Ferreira Viçoso, que antes da sua morte, já era conhecido como “O Santo de Minas”. Ele nasceu em Peniche, Portugal, em 1787 e veio para o Brasil a convite do Rei Dom João VI, para ajudar na evangelização.
Ele teve vários biógrafos e sua vida foi contada, também, pelos poetas. Carlos Drumond de Andrade o intitulou o “O Santo Particular”, por sê-lo o santo de devoção de sua família.
A Arquidiocese de Mariana está realizando o tríduo em preparação das festividades em homenagem a Dom Viçoso, a se realizar em13 de maio, iniciando com a peregrinação dos seus devotos. Estes sairão da porta da Sé de Mariana, às 06h, em oração, até à Chácara da Cartuxa, onde ele faleceu. Terminará com a celebração da Santa Missa, que será presidida pelo bispo emérito de Oliveira, Dom Francisco Barroso, às 09h, e contará com a participação do coral do RecriaVida, de Mariana, com a viololista, professora Lindaura Sacramento e suas alunas de violão sob a regência do Maestro Pedro Chaves.
Após a Santa Missa, Dom Barroso cantará uma música em homenagem à Nossa Senhora de Fátima pelos 109 anos da sua última aparição, em Fátima, Portugal, região da Leiria onde, nasceu Dom Viçoso. Ele introduziu a coração de Nossa Senhora na Arquidiocese, que se espalhou pelo Brasil. Foram as Filhas da Caridade que trouxeram a devoção da França, que muito agradou a Dom Viçoso.
O tríduo teve início dia 10 de maio, na Sé-Catedral e terminará dia 12, terça-feira, às 18h30.
A vida de Dom Viçoso foi um marco na história dos brasileiros,
particularmente, dos mineiros. Ele passou a maior parte da sua vida no interior
de Minas Gerais, onde foi a testemunha luminosa da alegria em Cristo pela sua
passagem pelo mundo.
Quem conviveu com o “Santo de Minas”, revelou em depoimentos para seus biógrafos, que sentiam nele a presença de Deus de uma forma diferente. Ele era sereno, culto, não reclamava de nada e tudo fazia para ajudar seu próximo. Era caridoso e lutou para que as pessoas se instruíssem, aprendessem a viver em sociedade, ensinando-as bons modos e como lidar com a natureza, fazer seus plantios e pregava contra as queimadas. Dom VIçoso fundou o Colégio Caraça, restaurou o Mosteiro de Macaúbas, lutou contra a escravidão, escreveu e fez traduções de vários livros, fez a reforma do clero em Minas Gerais. Também foi o introdutor do ensinamento filosófico nas Escolas mineiras. Além de escrever mais de 500 cartas para evangelizar, para autoridades etc.
Dom Viçoso recebeu o título Conde da Conceição concedido por Dom Pedro II. Ele lutou bravamente contra o Regime de Padroado que vigorava na época do Império, ou seja, no Brasil a Igreja era subordinada ao Imperador, que usava o beneplácito, aprovação real de ordens papais, para controlar a atuação eclesiástica.
O “Santo Particular” de Drumond evangelizou o povo mineiro deixando Nosso Senhor Jesus Cristo aparecer levando uma vida de humildade, de oração e sacrifícios. Suas virtudes eram profundas, com muita eloquência da fé em Deus, ou seja, capacidade de expressar uma confiança profunda, autêntica e inabalável no Criador.
Para ser reconhecido como santo, é preciso entrar com um processo de beatificação e canonização no Vaticano, com a Positio (ou Positio super virtutibus ou super martyrio). A Positio é uma compilação detalhada que reúne todas as provas, documentos, testemunhos e escritos que demonstram que o Servo de Deus viveu as virtudes cristãs em grau heroico ou foi martirizado.
O Processo de beatificação de Dom Viçoso aguarda milagre comprovado pelo Vaticano. Infelizmente, os dois processos que deram entrada no Vaticano, em ambos faltou a Positio. Por isso, tanta demora para que Minas Gerais tenha reconhecido seu primeiro santo, que foi, também, o seu maior benemérito. Ele era conhecido como o Apóstolo de Minas.
Em abril de 1984, Dom Barroso, foi ao Vaticano, e a pedido do
então Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, levou a mala de documentos
para dar continuidade ao processo de beatificação de Dom Viçoso. Naquela época,
também, não fizeram a Position. Tudo era muito difícil.
Assim define Dom Barroso sobre o Apóstolo de Minas: “O que mais admiro em Dom Viçoso é o seu empenho constante na formação do clero, da juventude e da família. Era admirável a sua maneira de agir diante do Imperador do Brasil, Dom Pedro II. Dom Viçoso tinha uma submissão respeitosa a ele, mas isso não lhe tirava a liberdade de agir em defesa da Igreja”, afirma o Bispo Emérito de Oliveira.
Quando viu que era difícil acabar com a barbárie da escravidão, Dom Viçoso que era um homem além do seu tempo, empreendedor, visionário, pois àquela época, 99 % das mulheres eram analfabetas, assim se expressou: “Precisamos cuidar da nossa mocidade. Somente oferecendo às jovens uma formação cristã e cultural, é que teremos uma sociedade civilizada e preparada para dar à pátria cidadãos completos. Não vos esqueçais de que a mulher, sobretudo a mãe, será sempre a primeira mestra".
Ele escreveu várias cartas para o Padre Jean-Batiste Étinne, Superior Geral da Congregação da Missão (Lazaristas) e da Companhia das Filhas da Caridade, para que elas viessem para Mariana fundar orfanato, um colégio e cuidasse dos doentes. Este foi o primeiro colégio regular de Minas, que se encontra em funcionamento até hoje. Dom Viçoso mandou a Paris, o Padre Cunha para buscar as Freiras, após várias tratativas com o Padre Étiene. As Irmãs francesas mudaram a vida de milhares de crianças abandonas e de jovens.
Com conhecimento de causa, o historiador, doutor e professor Maurílio Camello, que em 1986, defendeu sua tese de doutorado na USP sobre a vida de Dom Viçoso e a Reforma do Clero em Minas Gerais, escreveu sobre o “Santo Particular”: “Não é apenas modelo da Igreja Católica, D. Viçoso é um marco da história mineira e brasileira. Como pastor, suas preocupações espirituais se somavam às questões sociais e econômicas, como a escravidão, a agricultura, o trabalho. Um líder de seu tempo, um modelo para todos os tempos.”, assim o definiu o doutor Maurílio Camello.
Merania
Oliveira
Presidente
do Instituto Roque Camêllo
“Santo
Particular”
Carlos Drummond de Andrade
O santo da família
humilde e forte,
quem pode ele
no céu mineiro
Áureo de legendas?
Não é canonizado?
Tanto faz.
E é santo à mão:
nosso quase vizinho de Mariana.
“Santinhos”,
“bentinhos” encarnados
Não reproduzem sua
imagem.
Nem verônica nem dia
de folhinha
Fazem propaganda
deste santo
Mas ele é santo –
papai que sabe – afirma.
Dom Viçoso, na
alpestre
Cartuxa de Mariana
Fica entre a gente e
o Paraíso
Resolvendo os negócios de papai.


