terça-feira, 12 de maio de 2026

“O Santo de Minas” – Dom Viçoso [Festa 2026]



No dia 13 de maio de 2026, completam 239 anos do falecimento de Dom Antônio Ferreira Viçoso, que antes da sua morte, já era conhecido como “O Santo de Minas”. Ele nasceu em Peniche, Portugal, em 1787 e veio para o Brasil a convite do Rei Dom João VI, para ajudar na evangelização.

Ele teve vários biógrafos e sua vida foi contada, também, pelos poetas. Carlos Drumond de Andrade o intitulou o “O Santo Particular”, por sê-lo o santo de devoção de sua família.

A Arquidiocese de Mariana está realizando o tríduo em preparação das festividades em homenagem a Dom Viçoso, a se realizar em13 de maio, iniciando com a peregrinação dos seus devotos. Estes sairão da porta da Sé de Mariana, às 06h, em oração, até à Chácara da Cartuxa, onde ele faleceu. Terminará com a celebração da Santa Missa, que será presidida pelo bispo emérito de Oliveira, Dom Francisco Barroso, às 09h, e contará com a participação do coral do RecriaVida, de Mariana, com a viololista, professora Lindaura Sacramento e suas alunas de violão sob a regência do Maestro Pedro Chaves.

Após a Santa Missa, Dom Barroso cantará uma música em homenagem à Nossa Senhora de Fátima pelos 109 anos da sua última aparição, em Fátima, Portugal, região da Leiria onde, nasceu Dom Viçoso. Ele introduziu a coração de Nossa Senhora na Arquidiocese, que se espalhou pelo Brasil. Foram as Filhas da Caridade que trouxeram a devoção da França, que muito agradou a Dom Viçoso.

O tríduo teve início dia 10 de maio, na Sé-Catedral e terminará dia 12, terça-feira, às 18h30.

A vida de Dom Viçoso foi um marco na história dos brasileiros, particularmente, dos mineiros. Ele passou a maior parte da sua vida no interior de Minas Gerais, onde foi a testemunha luminosa da alegria em Cristo pela sua passagem pelo mundo.

Quem conviveu com o “Santo de Minas”, revelou em depoimentos para seus biógrafos, que sentiam nele a presença de Deus de uma forma diferente. Ele era sereno, culto, não reclamava de nada e tudo fazia para ajudar seu próximo. Era caridoso e lutou para que as pessoas se instruíssem, aprendessem a viver em sociedade, ensinando-as bons modos e como lidar com a natureza, fazer seus plantios e pregava contra as queimadas. Dom VIçoso fundou o Colégio Caraça, restaurou o Mosteiro de Macaúbas, lutou contra a escravidão, escreveu e fez traduções de vários livros, fez a reforma do clero em Minas Gerais. Também foi o introdutor do ensinamento filosófico nas Escolas mineiras. Além de escrever mais de 500 cartas para evangelizar, para autoridades etc.

Dom Viçoso recebeu o título Conde da Conceição concedido por Dom Pedro II. Ele lutou bravamente contra o Regime de Padroado que vigorava na época do Império, ou seja, no Brasil a Igreja era subordinada ao Imperador, que usava o beneplácito, aprovação real de ordens papais, para controlar a atuação eclesiástica.

O “Santo Particular” de Drumond evangelizou o povo mineiro deixando Nosso Senhor Jesus Cristo aparecer levando uma vida de humildade, de oração e sacrifícios. Suas virtudes eram profundas, com muita eloquência da fé em Deus, ou seja, capacidade de expressar uma confiança profunda, autêntica e inabalável no Criador.

Para ser reconhecido como santo, é preciso entrar com um processo de beatificação e canonização no Vaticano, com a Positio (ou Positio super virtutibus ou super martyrio). A Positio é uma compilação detalhada que reúne todas as provas, documentos, testemunhos e escritos que demonstram que o Servo de Deus viveu as virtudes cristãs em grau heroico ou foi martirizado.

O Processo de beatificação de Dom Viçoso aguarda milagre comprovado pelo Vaticano. Infelizmente, os dois processos que deram entrada no Vaticano, em ambos faltou a Positio. Por isso, tanta demora para que Minas Gerais tenha reconhecido seu primeiro santo, que foi, também, o seu maior benemérito. Ele era conhecido como o Apóstolo de Minas.

Em abril de 1984, Dom Barroso, foi ao Vaticano, e a pedido do então Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, levou a mala de documentos para dar continuidade ao processo de beatificação de Dom Viçoso. Naquela época, também, não fizeram a Position. Tudo era muito difícil.

Assim define Dom Barroso sobre o Apóstolo de Minas: “O que mais admiro em Dom Viçoso é o seu empenho constante na formação do clero, da juventude e da família. Era admirável a sua maneira de agir diante do Imperador do Brasil, Dom Pedro II. Dom Viçoso tinha uma submissão respeitosa a ele, mas isso não lhe tirava a liberdade de agir em defesa da Igreja”, afirma o Bispo Emérito de Oliveira.

Quando viu que era difícil acabar com a barbárie da escravidão, Dom Viçoso que era um homem além do seu tempo, empreendedor, visionário, pois àquela época, 99 % das mulheres eram analfabetas, assim se expressou: “Precisamos cuidar da nossa mocidade. Somente oferecendo às jovens uma formação cristã e cultural, é que teremos uma sociedade civilizada e preparada para dar à pátria cidadãos completos. Não vos esqueçais de que a mulher, sobretudo a mãe, será sempre a primeira mestra".

Ele escreveu várias cartas para o Padre Jean-Batiste Étinne, Superior Geral da Congregação da Missão (Lazaristas) e da Companhia das Filhas da Caridade, para que elas viessem para Mariana fundar orfanato, um colégio e cuidasse dos doentes. Este foi o primeiro colégio regular de Minas, que se encontra em funcionamento até hoje. Dom Viçoso mandou a Paris, o Padre Cunha para buscar as Freiras, após várias tratativas com o Padre Étiene. As Irmãs francesas mudaram a vida de milhares de crianças abandonas e de jovens.

Com conhecimento de causa, o historiador, doutor e professor Maurílio Camello, que em 1986, defendeu sua tese de doutorado na USP sobre a vida de Dom Viçoso e a Reforma do Clero em Minas Gerais, escreveu sobre o “Santo Particular”: “Não é apenas modelo da Igreja Católica, D. Viçoso é um marco da história mineira e brasileira. Como pastor, suas preocupações espirituais se somavam às questões sociais e econômicas, como a escravidão, a agricultura, o trabalho. Um líder de seu tempo, um modelo para todos os tempos.”, assim o definiu o doutor Maurílio Camello.

 

Merania Oliveira

Presidente do Instituto Roque Camêllo

 

“Santo Particular”

Carlos Drummond de Andrade

 

O santo da família

humilde e forte, quem pode ele

no céu mineiro

Áureo de legendas?

Não é canonizado? Tanto faz.

E é santo à mão: nosso quase vizinho de Mariana.

“Santinhos”, “bentinhos” encarnados

Não reproduzem sua imagem.

Nem verônica nem dia de folhinha

Fazem propaganda deste santo

Mas ele é santo – papai que sabe – afirma.

Dom Viçoso, na alpestre

Cartuxa de Mariana

Fica entre a gente e o Paraíso

Resolvendo os negócios de papai.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

15 doenças que afetam a Igreja segundo o Papa Francsico



1. Sentir-se imortal ou indispensável: “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, é um corpo enfermo” e criticou o “complexo dos eleitos, do narcisismo”.

2. Martalismo: O Papa lembrou a passagem bíblica onde Marta, ao receber Jesus, mostra-se mais preocupada com os afazeres da casa do que ouvir a mensagem de Jesus. “É a doença do excesso de trabalho” e “dos que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao estresse e à agitação”, pontuou Francisco.

3. Dura mentalidade: Quando alguém “perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papéis, deixando de ser ‘homens de Deus'”.

4. Excessiva planificação: Francisco alertou aos que têm a “tentação de querer pilotar o Espírito Santo”. É “quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem. Torna-se um contabilista”, assinalou.

5. Má coordenação: O Pontífice criticou a perda da comunhão promovida pela má coordenação que faz com que o “corpo” perca “a sua harmoniosa funcionalidade”.

6. Alzheimer espiritual: Francisco referiu-se, ainda, a esta “doença” que conduz a “uma diminuição progressiva das faculdades espirituais que, num largo ou curto espaço de tempo, provoca muitas desvantagens à pessoa tornando-a incapaz de desenvolver uma atividade autonomamente, vivendo num estado de absoluta dependência dos seus pontos de vista, muitas vezes imaginários”.

7. Rivalidade e vanglória: Outra doença citada pelo Santo Padre diz respeito ao excessivo valor pela “aparência”, onde o primeiro objetivo são as “honorificiências”, que “leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”, enfatizou.

8. Esquizofrenia existencial: Os que sofrem com essa “doença” vivem “uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre” e vivenciam um “progressivo vazio espiritual” ao buscar em “títulos” o sentido de suas vidas. Essa esquizofrenia, segundo o Papa, “atinge muitas vezes aqueles que, abandonando o serviço pastoral, se limitam às coisas burocráticas, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas concretas”.

9. Terrorrismo das fofocas: “Nunca é demais falar desta doença”, indicou o Santo Padre ao destacar o mal das fofocas. “É a doença dos covardes que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo das fofocas”, assinalou.

10. Divinizar os chefes: O Santo Padre indicou essa “doença” como mal daqueles que sofrem de “carreirismo e oportunismo”. “Vivem o serviço pensando unicamente naquilo que devem obter e não ao que devem dar”, frisou.

11. A indiferença: Francisco sinalizou o mal que a indiferença pode causar à vida comunitária pela perda da “sinceridade e calor das relações humanas”, e de “quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”, destacou.

12. Cara de enterro: Segundo o Papa, essa “doença” se manifesta na “severidade teatral” e no “pessimismo estéril”, e apresenta-se muitas vezes em sintomas de medo e insegurança. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”, indicou Francisco.

13. Acumular bens materiais: Francisco criticou aqueles que buscam acumular riquezas na tentativa de “preencher um vazio existencial no seu coração”, e motivados “não por necessidade, mas só para sentir-se seguro”.

14. Círculos fechados: O Papa alertou também a respeito daqueles que procuram “viver em grupinhos”, e mesmo o fazendo com boas intenções correm o risco de “cair em escândalos”.

15. O lucro mundano e o exibicionismo: O desejo pelo poder para benefício próprio foi a penúltima “doença” ilustrada pelo Pontífice: “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”, 

Vote Consciente!

 


1. Valorize candidatos comprometidos com a verdade e com o bem comum, evitando discursos puramente populistas ou voltados apenas à popularidade.

2. Observe quais propostas econômicas priorizam a dignidade humana, a redução das desigualdades e oportunidades para todos.

3. Considere candidatos que defendam melhores condições de trabalho, geração de emprego e renda digna para a população.

4. Apoie lideranças que escutem o povo e construam políticas públicas junto às comunidades, especialmente as mais vulneráveis.

5. Reflita sobre a postura dos candidatos diante dos pobres e excluídos, valorizando quem promove solidariedade e justiça social.

6. Desconfie de quem afirma ter soluções simples para todos os problemas ou nunca demonstrou compromisso concreto com causas sociais.

7. Avalie o histórico de participação social e defesa do bem comum, e não apenas os discursos de campanha.

8. Lembre-se de que liberdade, igualdade e fraternidade devem ser garantidas para toda a sociedade, e não apenas para grupos privilegiados.

9. Reconheça que diferenças fazem parte da vida, mas desigualdades extremas não devem ser tratadas como algo natural ou inevitável.

10. Vote com consciência e memória crítica, analisando atitudes, projetos e decisões passadas dos candidatos, sempre buscando uma sociedade mais humana, justa e fraterna.

segunda-feira, 23 de março de 2026

54 Romaria dos Vicentinos à Aparecida-SP 2026



Aconteceu de 20 a 22 de março a 54ª Romaria Nacional da Sociedade de São Vicente de Paulo, em Aparecida, um dos maiores eventos vicentinos do mundo. Com o tema “Aprendendo com Maria a Cuidar para Servir”, a romaria reuniu aproximadamente 40 mil vicentinos provenientes de diversas regiões do Brasil e também de países da América Latina. Entre os participantes, destacaram-se 12 padres da Congregação da Missão, que marcaram presença fortalecendo o vínculo entre espiritualidade, missão e serviço aos mais pobres.



A programação foi intensamente vivida ao longo dos três dias, unindo momentos de fé, formação e expressão cultural. No primeiro dia, os romeiros participaram do Terço no Caminho do Rosário, coordenado pelo Conselho Nacional da Família Vicentina do Brasil, trazendo como temática a conscientização e o combate ao feminicídio. Esse momento forte de oração e reflexão convidou os participantes a assumirem um compromisso concreto com a defesa da vida, especialmente das mulheres em situação de vulnerabilidade.



O segundo dia foi marcado por uma rica diversidade de atividades. A Via-Sacra conduziu os fiéis a meditarem o sofrimento de Cristo e a cuidar de si e das dores do mundo atual. Em seguida, o Show de Talentos das Conferências de Crianças e Adolescentes encantou os presentes, evidenciando o protagonismo das novas gerações. O Workshop da Escola de Capacitação Antônio Frederico Ozanam (ECAFO), com o tema “Formar e encantar para servir”, ofereceu uma profunda reflexão sobre a formação vicentina, enquanto o Festival Cultural Ozanam mobilizou os jovens em um ambiente de alegria, criatividade e vivência do carisma.



O ponto alto da romaria aconteceu no terceiro dia, com a Festa Regulamentar e a Missa de encerramento no Centro de Eventos Padre Vítor, presidida pelo Pe. Allan Ferreira, CM, assessor nacional da SSVP, e concelebrada por padres, diáconos e assessores espirituais de diversas regiões. Em seu testemunho, Pe. Cleber Teodósio, CM, expressou a profundidade da experiência vivida: “Estar aqui é renovar o ardor missionário. Ao ver milhares de vicentinos reunidos, percebemos que o carisma de São Vicente de Paulo continua vivo e pulsante. Saímos daqui fortalecidos para servir com mais amor e compromisso junto aos pobres”.



Ao final do encontro, ficou no coração dos participantes a certeza de que a missão vicentina se fortalece na comunhão, na oração e no serviço concreto. A expectativa já se volta para a próxima edição: a 55ª Romaria Nacional da SSVP em Aparecida – SP, prevista para acontecer de 30 de abril a 02 de maio de 2027. Que o exemplo de Maria continue inspirando cada vicentino a cuidar com ternura e servir com dedicação. Viva o Carisma Vicentino!






quinta-feira, 5 de março de 2026

Visita das Relíquias de São Vicente de Paulo à BH



A réplica do corpo e relíquias de São Vicente de Paulo estiveram em dois momentos em Belo Horizonte-MG (Brasil): 

a) 03 a 08/02/2026, visitando os santuários da Arquidiocese, a Paróquia São Vicente de Paulo e a sede do Conselho Metropolitano da SSVP e

b) 28/02 a 05/03/2026, visitando as paróquias, seminários e casa Dom Viçoso - espaços vicentinos da PBCM.

O objetivo da visita é a) celebrar os 400 anos de fundação jurídica da Congregação da Missão, b) tornar São Vicente e seu carisma mais conhecido e c) chamar novas vocações para os 31 ramos da Família Vicentina no Brasil. 

A visita na Paróquia Pai Misericordioso aconteceu no dia 28/02/2026. Constou na programação: caminhada da Cde. São Vicente de Paulo à Cde. São José Operário, Missa presidida por Dom Júlio César (Bispo auxiliar de BH), momentos de oração e reflexão sobre a vida do Santo de 10h30 às 18h com ramos da Família Vicentina e Pastorais e missa de encerramento presidida pelo Pe. Edson Friedrichsen, CM.

A seguir, vejamos uma crônica escrita pelo diácono. 

Visitados pelos céus...

 

Diácono Amauri Dias de Moura[1]

 

Eis que nos damos conta que somos uma geração privilegiada. Melhor, mais que privilegiadas, mas somos sim uma geração abençoada. Afinal, quantas gerações, quantos povos, quantos lugares, puderam receber as relíquias de um santo e contemplar as maravilhas de Deus Amor Misericordioso na vida de uma pessoa e assim, nos inspirar essa vida, para que também nós pelejemos por ter uma vida em santidade, nos configurando à Jesus e seu Evangelho a cada dia, com as graças de Deus e ajuda dos irmãos e irmãs.

 

Então, no último sábado 28 de fevereiro de 2026, fomos visitados pelos céus aqui em nossa amada família Paróquia Pai Misericordioso - Arquidiocese de Belo Horizonte/MG, no bairro Paulo VI, ao receber as relíquias e a réplica do corpo de São Vicente de Paulo.

 

Nossa paróquia nasceu e segue sob os cuidados dos Padres Lazaristas/Vicentinos (Congregação da Missão de São Vicente de Paulo) e das Filhas da Caridade, filhos e filhas do coração do santo e que aqui, num chão de gente simples e trabalhadora, de muita fé e caridade, teve essa benção de ser escolhida para nos festejos de 400 anos do carisma vicentino receber esse presente, que mesmo que entre nós por um só dia, nos tocou e deixa um legado, que é interpelar-se, se inspirar e dar novo impulso na imitação, seguimento e servir Jesus de Nazaré, nos pobres e mais pobres em nosso meio.

 

A mim, me impressionou e impactou desde a procissão inicial saindo da Comunidade são Vicente de Paulo, na Beira-linha (Rua Pe. Argemiro Moreira Leite, nome em homenagem a esse grande missionário vicentino e nosso primeiro pároco e lutador pelo povo, em especial na conquista de moradia), a simplicidade e perseverança do povo.

 

No arco entre as celebrações das duas Santas Missas, da manhã e à noite deste dia santo, a participação singela das pessoas, em especial da nossa Família Vicentina em seus vários ramos, incentiva a crescermos em nossa identidade como paróquia de carisma vicentino e revigora em nós a amizade social, o zelo apostólico e missionário, o compromisso ético e o cuidado dos mais necessitados e fragilizados, vendo em cada um e cada uma, em especial estes, os últimos dos últimos, o rosto e a presença de Cristo (cf. Mt 25, 40, DT 5).

 

São Vicente de Paulo rogai por nós, para que sejamos firmes da caridade de Jesus.



[1] Diácono Permanente do Clero da Arquidiocese de Belo horizonte, Minas Gerais, Brasil. Atua na Paróquia Pai Misericordioso sob cuidados da PBCM. Especialista em Espiritualidade e Ética Vicentina pela FAVI/Curitiba/PR.










terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Santas Missões Populares Vicentinas em Nova Iguaçu - RJ, 2026

 


De 17 a 31 de janeiro de 2026, a cidade de Nova Iguaçu (RJ) viveu um dos momentos mais significativos do início do ano para a Família Vicentina: a realização das Santas Missões Populares Vicentinas (SMPV).



As missões, que fazem parte da tradição vicentina de evangelização, aconteceram na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no bairro Grama, e reuniu, aproximadamente, 50 missionários comprometidos com a prática da fé ativa e do serviço aos mais necessitados, vindos do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, pertencentes aos diferentes ramos da Família Vicentina: Congregação da Missão, Filhas da Caridade, Irmãs Vicentinas de Gysegem, Fráteres da Misericórdia, Irmãos de Nossa Senhora de Lourdes, Sociedade de São Vicente de Paulo e Missionários Leigos Vicentinos.



As Santas Missões Populares Vicentinas são uma expressão concreta do carisma missionário da Família Vicentina — inspiradas no exemplo de São Vicente de Paulo e na espiritualidade de serviço aos pobres e às periferias humanas e existenciais. Durante as missões, os participantes deixam o modelo tradicional de pastoral interna e saem ao encontro das famílias, oferecendo não só a palavra de Deus, mas também momentos de oração, escuta, acolhida e partilha de fé.



Em Nova Iguaçu, a missão foi oficialmente aberta no dia 17 de janeiro, com uma celebração eucarística presidida pelo pároco, Pe. José Vilanova, e concelebrada pelos padres vicentinos presentes: Adriano Pires - Coordenador das Missões, Agnaldo de Paula, Allan Ferreira, Cleber Teodosio, Denilson Matias, Ezequiel Oliveira, Túlio Medeiros e Ramon Aurélio, e pelo Pe. Renato Chiera. A celebração marcou o início de duas semanas de atividades missionárias intensas.



Ao longo dos 15 dias de missão, a programação incluiu:

  • Visitas domiciliares e administração dos sacramentos: unção dos enfermos e reconciliação para as famílias, idosos e enfermos do território paroquial;
  • Celebrações eucarísticas, encontros de oração ou de formação nas comunidades: São Sebastião, Nossa Senhora da Luz, São Vicente de Paulo, Sagrada Família, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora Aparecida;
  • Encontros específicos: Formação bíblica e catequética, encontro de jovens e recreação para as crianças;



O foco principal esteve na presença viva da Igreja na realidade cotidiana da comunidade, reforçando laços de fraternidade, promovendo o acolhimento de quem estava afastado da prática religiosa e oferecendo um espaço de encontro com Cristo no contexto da vida familiar e comunitária.



A participação ativa das famílias e a receptividade da população foram marcas fortes desta edição das SMPV em Nova Iguaçu. As visitas às casas, por exemplo, permitiram que muitos fiéis, inclusive evangélicos, que estão distantes das atividades eclesiais tivessem novamente contato com a celebração sacramental e com a missão evangelizadora da Igreja.



Missionários relataram que, além das celebrações litúrgicas, momentos de escuta pessoal e de presença junto aos mais vulneráveis tiveram um impacto profundo no coração tanto dos que acolheram quanto dos que foram acolhidos.



A missa de encerramento, deu-se na manhã de 31/01/2026, na igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo bispo emérito de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin, (conhecido pelos pulinhos de alegria, nesta ocasião, foram dados 35 depois da missa), que foi concelebrada pelo superior provincial, Pe. Vandeir Barbosa, o assistente geral, Pe. Abdo Eid, e demais coirmãos presentes. Os missionários foram presenteados pela paróquia com guarda-chuvas, e presentearam ao Pe. José Vilanova com uma imagem de São Vicente de Paulo. Ao povo foram distribuídas medalhas milagrosas ofertadas pelas Filhas da Caridade presentes.



A semente da Palavra foi plantada no coração dos paroquianos do Grama e com a graça de Deus dará cem por um pois a terra é boa. Realidade que pode ser constatada em todos os momentos da missão, desde a acolhida até a despedida, por todas as equipes envolvidas nas missões. Na missa final, representantes das comunidades, emocionados, junto a homilia de Dom Luciano, externaram sua alegria, satisfação e gratidão. Também Pe. Denilson agradeceu a todos por mais um tempo lindo de missão, identificando cada encontro com as pessoas a um verdadeiro Kairós - tempo de Deus acontecendo junto ao povo. Na mesma linha, Pe. Adriano reconheceu a dedicação, testemunho de fé e amor com que cada missionário e missionária anunciaram o Evangelho. No final da celebração, como fruto concreto das missões, alistaram-se para criação de uma nova conferência da Sociedade de São Vicente de Paulo uma dúzia de paroquianos, que foram aplaudidos por todos e acolhidos pelo Confrade Reinaldo, presidente do Conselho Central de Nova Iguaçu.  



As SMPV 2026 em Nova Iguaçu reforçaram a proposta vicentina de Igreja em saída, presente nas casas e no cotidiano das pessoas, sobretudo dos mais vulneráveis, acolhendo não apenas líderes religiosos, mas todas as famílias como corresponsáveis pela caminhada de fé. A missão também dialoga com o espírito do esforço formativo vicentino: muitos dos missionários foram preparados, com antecedência — inclusive com formações mensais no segundo semestre de 2025 em Belo Horizonte e outras formações regionais.



Rosilene Roza de Avellar de Figueiredo, presidenta nacional do MISEVI, agradeceu os paroquianos com o seguinte poema:

“Há encontros que não acontecem na terra firme.

Acontecem nas águas.

Foi assim em Aparecida:

nas águas silenciosas do Paraíba do Sul onde a fé não afunda,

mas emerge.

Ali, Deus se deixou encontrar não na força das redes, mas na fidelidade de quem lança outra vez.

E quem passa por essas águas

nunca caminha do mesmo modo.

Porque toda missão nasce do encontro amoroso com Deus que nos alcança.

 

Eis que vos digo, Nova Iguaçu:

não fostes visitada por homens e mulheres,

mas pela Palavra Viva.

Os missionários vieram

não como donos da verdade,

mas como sentinelas do Reino.

 

Ano após ano, nas Missões,

os bairros são atravessados

como páginas vivas do Evangelho.

As ruas tornam-se altar,

as casas,  santuário,

e a escuta,  profecia.

 

No bairro Grama,

a Paróquia Nossa Senhora Aparecida é sinal no meio do povo.

E por meio da acolhida do Padre José

a missão encontrou morada.

 

Não digamos:  a missão terminou

Pois o que é de Deus não se encerra,

apenas se aprofunda.

 

O que foi dito no segredo das visitas

ecoará nas decisões.

O que foi rezado em silêncio

converter-se-á em compromisso.

 

Bem-aventurado

quem permitiu que a Palavra lhe tomasse o coração.

Porque o Senhor continua passando

pelas mesmas ruas,

batendo nas mesmas portas,

pedindo apenas isto:

deixai-Me entrar em vosso coração

 

Nós, missionários, partimos.

Mas estaremos sempre por perto.

Levamos o que vimos, ouvimos e partilhamos aqui.

 

E que fique gravado no tempo: em 2026,

as Santas Missões enviaram os missionários e  Nova Iguaçu os acolheu, Deus visitou o seu Povo.

 

Quem tem ouvidos, ouça.

Quem tem coração, permaneça em oração... E

Que são Vicente nos abençoe hoje e sempre

 

Viva as Santa Missões Populares Vicentinas.

Viva Jesus Cristo!

 



















 

sábado, 24 de janeiro de 2026

409 Anos da Congregação da Missão



Explicação do quadro (P. Andrés Felipe Rojas Saavedra, CM)

A cena nos situa na casa da família Gondi, local onde São Vicente de Paulo assina a ata de fundação da Congregação da Missão. Mas o quadro vai muito além de um momento histórico: ele nos revela a alma do carisma vicentino.


1. A senhora de Gondi: a realidade que interpela

A figura da senhora de Gondi, situada junto à janela, desempenha uma função fundamental: abre o quadro para o mundo. O seu gesto não é decorativo, é profético.

• Ela aponta para o horizonte, para além do espaço doméstico, para onde se avistam os pobres.

• O seu olhar é de preocupação e urgência, não de curiosidade.

• Aqui ressoa claramente sua famosa denúncia: “Os pobres morrem de fome e são condenados”.

Iconograficamente, ela representa a voz da realidade, a mediação histórica pela qual Deus desperta a consciência de São Vicente. É o grito do pobre que irrompe em uma casa nobre e rompe todo conforto espiritual.

👉 O mundo entra pela janela e não pode mais ser ignorado.


2. São Vicente de Paulo: o ato fundacional como envio

São Vicente aparece em pé, no centro compositivo e teológico do quadro. Ele não está sentado assinando: está ereto, em atitude de disponibilidade.

• Ele assina a ata de fundação na casa dos Gondi: o nascimento da Congregação ocorre em um espaço concreto, histórico, doméstico, não idealizado.

• Sua batina em movimento é um detalhe decisivo: não é um retrato estático, mas uma figura em saída.

• O movimento sugere missão, caminho, itinerância.

• A Congregação nasce já “em marcha”.

Esse dinamismo expressa que a fundação não é um ato administrativo, mas um gesto espiritual impulsionado pela urgência do amor.


3. O duplo gesto de Vicente: olhar para o céu, dedo apontado para Cristo

Aqui está o coração teológico do quadro.

• Ele eleva o olhar, gesto bíblico de quem discerne e obedece.

• Mas não aponta para o céu de forma abstrata: aponta para Cristo crucificado.

Este detalhe é magistral. Visualmente proclama a frase que você cita e que define toda a espiritualidade vicentina:

“O amor de Cristo nos impele” (2 Cor 5,14).

Não é compaixão filantrópica, nem simples resposta social.

👉 É Cristo quem impulsiona a missão.

👉 É o Crucificado quem envia os pobres.

O crucifixo, iluminado pela vela, não domina a cena de cima, mas dialoga com a ação concreta de Vicente. A contemplação e a ação ficam unidas.


4. Os primeiros missionários: a Igreja que nasce de joelhos

Os primeiros companheiros aparecem de joelhos, em silêncio reverente.

• Não estão discutindo nem escrevendo.

• Estão contemplando e rezando.

Isso é fundamental: a missão vicentina nasce de joelhos antes de estratégias.

Eles representam a Igreja nascente que compreende que o que está acontecendo não é apenas uma fundação, mas uma obra de Deus.

As velas acesas reforçam esse clima:

• Elas significam vigilância, oração, fé viva.

• São uma luz humilde, não ofuscante, como a caridade vicentina: constante, próxima, fiel.


5. Leitura global: uma teologia da caridade em imagens

O quadro constrói um percurso espiritual muito claro:

1. A realidade clama (os pobres apontados pela senhora de Gondi).

2. A consciência discerne (Vicente de pé, em decisão).

3. Cristo impulsiona (o Crucificado como referência última).

4. A Igreja responde (os missionários ajoelhados, em oração).

5. A missão começa (batina em movimento, ato assinado).

Nada é casual. Tudo aponta para uma verdade central:

👉 A Congregação da Missão nasce quando a dor dos pobres encontra a caridade de Cristo.