terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Santas Missões Populares Vicentinas em Nova Iguaçu - RJ, 2026

 


De 17 a 31 de janeiro de 2026, a cidade de Nova Iguaçu (RJ) viveu um dos momentos mais significativos do início do ano para a Família Vicentina: a realização das Santas Missões Populares Vicentinas (SMPV).



As missões, que fazem parte da tradição vicentina de evangelização, aconteceram na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no bairro Grama, e reuniu, aproximadamente, 50 missionários comprometidos com a prática da fé ativa e do serviço aos mais necessitados, vindos do Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, pertencentes aos diferentes ramos da Família Vicentina: Congregação da Missão, Filhas da Caridade, Irmãs Vicentinas de Gysegem, Fráteres da Misericórdia, Irmãos de Nossa Senhora de Lourdes, Sociedade de São Vicente de Paulo e Missionários Leigos Vicentinos.



As Santas Missões Populares Vicentinas são uma expressão concreta do carisma missionário da Família Vicentina — inspiradas no exemplo de São Vicente de Paulo e na espiritualidade de serviço aos pobres e às periferias humanas e existenciais. Durante as missões, os participantes deixam o modelo tradicional de pastoral interna e saem ao encontro das famílias, oferecendo não só a palavra de Deus, mas também momentos de oração, escuta, acolhida e partilha de fé.



Em Nova Iguaçu, a missão foi oficialmente aberta no dia 17 de janeiro, com uma celebração eucarística presidida pelo pároco, Pe. José Vilanova, e concelebrada pelos padres vicentinos presentes: Adriano Pires - Coordenador das Missões, Agnaldo de Paula, Allan Ferreira, Cleber Teodosio, Denilson Matias, Ezequiel Oliveira, Túlio Medeiros e Ramon Aurélio, e pelo Pe. Renato Chiera. A celebração marcou o início de duas semanas de atividades missionárias intensas.



Ao longo dos 15 dias de missão, a programação incluiu:

  • Visitas domiciliares e administração dos sacramentos: unção dos enfermos e reconciliação para as famílias, idosos e enfermos do território paroquial;
  • Celebrações eucarísticas, encontros de oração ou de formação nas comunidades: São Sebastião, Nossa Senhora da Luz, São Vicente de Paulo, Sagrada Família, Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora Aparecida;
  • Encontros específicos: Formação bíblica e catequética, encontro de jovens e recreação para as crianças;



O foco principal esteve na presença viva da Igreja na realidade cotidiana da comunidade, reforçando laços de fraternidade, promovendo o acolhimento de quem estava afastado da prática religiosa e oferecendo um espaço de encontro com Cristo no contexto da vida familiar e comunitária.



A participação ativa das famílias e a receptividade da população foram marcas fortes desta edição das SMPV em Nova Iguaçu. As visitas às casas, por exemplo, permitiram que muitos fiéis, inclusive evangélicos, que estão distantes das atividades eclesiais tivessem novamente contato com a celebração sacramental e com a missão evangelizadora da Igreja.



Missionários relataram que, além das celebrações litúrgicas, momentos de escuta pessoal e de presença junto aos mais vulneráveis tiveram um impacto profundo no coração tanto dos que acolheram quanto dos que foram acolhidos.



A missa de encerramento, deu-se na manhã de 31/01/2026, na igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida, presidida pelo bispo emérito de Nova Iguaçu, Dom Luciano Bergamin, (conhecido pelos pulinhos de alegria, nesta ocasião, foram dados 35 depois da missa), que foi concelebrada pelo superior provincial, Pe. Vandeir Barbosa, o assistente geral, Pe. Abdo Eid, e demais coirmãos presentes. Os missionários foram presenteados pela paróquia com guarda-chuvas, e presentearam ao Pe. José Vilanova com uma imagem de São Vicente de Paulo. Ao povo foram distribuídas medalhas milagrosas ofertadas pelas Filhas da Caridade presentes.



A semente da Palavra foi plantada no coração dos paroquianos do Grama e com a graça de Deus dará cem por um pois a terra é boa. Realidade que pode ser constatada em todos os momentos da missão, desde a acolhida até a despedida, por todas as equipes envolvidas nas missões. Na missa final, representantes das comunidades, emocionados, junto a homilia de Dom Luciano, externaram sua alegria, satisfação e gratidão. Também Pe. Denilson agradeceu a todos por mais um tempo lindo de missão, identificando cada encontro com as pessoas a um verdadeiro Kairós - tempo de Deus acontecendo junto ao povo. Na mesma linha, Pe. Adriano reconheceu a dedicação, testemunho de fé e amor com que cada missionário e missionária anunciaram o Evangelho. No final da celebração, como fruto concreto das missões, alistaram-se para criação de uma nova conferência da Sociedade de São Vicente de Paulo uma dúzia de paroquianos, que foram aplaudidos por todos e acolhidos pelo Confrade Reinaldo, presidente do Conselho Central de Nova Iguaçu.  



As SMPV 2026 em Nova Iguaçu reforçaram a proposta vicentina de Igreja em saída, presente nas casas e no cotidiano das pessoas, sobretudo dos mais vulneráveis, acolhendo não apenas líderes religiosos, mas todas as famílias como corresponsáveis pela caminhada de fé. A missão também dialoga com o espírito do esforço formativo vicentino: muitos dos missionários foram preparados, com antecedência — inclusive com formações mensais no segundo semestre de 2025 em Belo Horizonte e outras formações regionais.



Rosilene Roza de Avellar de Figueiredo, presidenta nacional do MISEVI, agradeceu os paroquianos com o seguinte poema:

“Há encontros que não acontecem na terra firme.

Acontecem nas águas.

Foi assim em Aparecida:

nas águas silenciosas do Paraíba do Sul onde a fé não afunda,

mas emerge.

Ali, Deus se deixou encontrar não na força das redes, mas na fidelidade de quem lança outra vez.

E quem passa por essas águas

nunca caminha do mesmo modo.

Porque toda missão nasce do encontro amoroso com Deus que nos alcança.

 

Eis que vos digo, Nova Iguaçu:

não fostes visitada por homens e mulheres,

mas pela Palavra Viva.

Os missionários vieram

não como donos da verdade,

mas como sentinelas do Reino.

 

Ano após ano, nas Missões,

os bairros são atravessados

como páginas vivas do Evangelho.

As ruas tornam-se altar,

as casas,  santuário,

e a escuta,  profecia.

 

No bairro Grama,

a Paróquia Nossa Senhora Aparecida é sinal no meio do povo.

E por meio da acolhida do Padre José

a missão encontrou morada.

 

Não digamos:  a missão terminou

Pois o que é de Deus não se encerra,

apenas se aprofunda.

 

O que foi dito no segredo das visitas

ecoará nas decisões.

O que foi rezado em silêncio

converter-se-á em compromisso.

 

Bem-aventurado

quem permitiu que a Palavra lhe tomasse o coração.

Porque o Senhor continua passando

pelas mesmas ruas,

batendo nas mesmas portas,

pedindo apenas isto:

deixai-Me entrar em vosso coração

 

Nós, missionários, partimos.

Mas estaremos sempre por perto.

Levamos o que vimos, ouvimos e partilhamos aqui.

 

E que fique gravado no tempo: em 2026,

as Santas Missões enviaram os missionários e  Nova Iguaçu os acolheu, Deus visitou o seu Povo.

 

Quem tem ouvidos, ouça.

Quem tem coração, permaneça em oração... E

Que são Vicente nos abençoe hoje e sempre

 

Viva as Santa Missões Populares Vicentinas.

Viva Jesus Cristo!

 



















 

sábado, 24 de janeiro de 2026

409 Anos da Congregação da Missão



Explicação do quadro (P. Andrés Felipe Rojas Saavedra, CM)

A cena nos situa na casa da família Gondi, local onde São Vicente de Paulo assina a ata de fundação da Congregação da Missão. Mas o quadro vai muito além de um momento histórico: ele nos revela a alma do carisma vicentino.


1. A senhora de Gondi: a realidade que interpela

A figura da senhora de Gondi, situada junto à janela, desempenha uma função fundamental: abre o quadro para o mundo. O seu gesto não é decorativo, é profético.

• Ela aponta para o horizonte, para além do espaço doméstico, para onde se avistam os pobres.

• O seu olhar é de preocupação e urgência, não de curiosidade.

• Aqui ressoa claramente sua famosa denúncia: “Os pobres morrem de fome e são condenados”.

Iconograficamente, ela representa a voz da realidade, a mediação histórica pela qual Deus desperta a consciência de São Vicente. É o grito do pobre que irrompe em uma casa nobre e rompe todo conforto espiritual.

👉 O mundo entra pela janela e não pode mais ser ignorado.


2. São Vicente de Paulo: o ato fundacional como envio

São Vicente aparece em pé, no centro compositivo e teológico do quadro. Ele não está sentado assinando: está ereto, em atitude de disponibilidade.

• Ele assina a ata de fundação na casa dos Gondi: o nascimento da Congregação ocorre em um espaço concreto, histórico, doméstico, não idealizado.

• Sua batina em movimento é um detalhe decisivo: não é um retrato estático, mas uma figura em saída.

• O movimento sugere missão, caminho, itinerância.

• A Congregação nasce já “em marcha”.

Esse dinamismo expressa que a fundação não é um ato administrativo, mas um gesto espiritual impulsionado pela urgência do amor.


3. O duplo gesto de Vicente: olhar para o céu, dedo apontado para Cristo

Aqui está o coração teológico do quadro.

• Ele eleva o olhar, gesto bíblico de quem discerne e obedece.

• Mas não aponta para o céu de forma abstrata: aponta para Cristo crucificado.

Este detalhe é magistral. Visualmente proclama a frase que você cita e que define toda a espiritualidade vicentina:

“O amor de Cristo nos impele” (2 Cor 5,14).

Não é compaixão filantrópica, nem simples resposta social.

👉 É Cristo quem impulsiona a missão.

👉 É o Crucificado quem envia os pobres.

O crucifixo, iluminado pela vela, não domina a cena de cima, mas dialoga com a ação concreta de Vicente. A contemplação e a ação ficam unidas.


4. Os primeiros missionários: a Igreja que nasce de joelhos

Os primeiros companheiros aparecem de joelhos, em silêncio reverente.

• Não estão discutindo nem escrevendo.

• Estão contemplando e rezando.

Isso é fundamental: a missão vicentina nasce de joelhos antes de estratégias.

Eles representam a Igreja nascente que compreende que o que está acontecendo não é apenas uma fundação, mas uma obra de Deus.

As velas acesas reforçam esse clima:

• Elas significam vigilância, oração, fé viva.

• São uma luz humilde, não ofuscante, como a caridade vicentina: constante, próxima, fiel.


5. Leitura global: uma teologia da caridade em imagens

O quadro constrói um percurso espiritual muito claro:

1. A realidade clama (os pobres apontados pela senhora de Gondi).

2. A consciência discerne (Vicente de pé, em decisão).

3. Cristo impulsiona (o Crucificado como referência última).

4. A Igreja responde (os missionários ajoelhados, em oração).

5. A missão começa (batina em movimento, ato assinado).

Nada é casual. Tudo aponta para uma verdade central:

👉 A Congregação da Missão nasce quando a dor dos pobres encontra a caridade de Cristo.





segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Carta do Pe. Fábio Marinho ao Clero Diocesano de Uberlândia - MG


 

Ao Clero Diocesano de Uberlândia - por ocasião do Ano que se inicia.


Pe. Fábio Marinho

Diocese de Uberlândia

Escritor, palestrante e missionário digital


Eu confesso: quando olho para o ano que começa, não encontro facilidade em dizer “feliz ano novo” aos meus irmãos padres. 


Não por falta de fé, mas por excesso de realidade. 


Porque “feliz”, para nós, quase nunca é um adjetivo espontâneo; 


é um verbo difícil, conjugado na resistência.


Eu desejaria, antes de tudo, verdade. 


Verdade para reconhecer que muitas das nossas estruturas já não geram vida, apenas manutenção. 


Que repetimos ciclos não por fidelidade ao Evangelho, mas por medo do vazio que o novo provoca. 


Que a vaidade — essa forma refinada de miséria espiritual — muitas vezes se disfarça de zelo, de títulos, de cargos, de precedências litúrgicas e simbólicas. 


E quando a vaidade governa, o Espírito se retira em silêncio.


Teologicamente, eu diria que vivemos uma crise pascal não resolvida. 


Queremos Ressurreição sem Sexta-feira Santa, continuidade sem morte, estabilidade sem conversão. 


Mas o Deus que eu conheço — o Deus de Abraão, Isaac, Jacó, de Moisés, dos profetas e de Jesus — é especialista em fechar ciclos. 


Ele não reforma o Egito; Ele tira o povo de lá. 

ELE não melhora o templo corrupto; Ele o derruba. 

Ele não remenda o homem velho; Ele o crucifica para que outro nasça. 


Onde não se aceita morrer, nada verdadeiramente novo pode nascer.


Pastoralmente, eu desejaria misericórdia entre nós. 


Não a misericórdia retórica dos documentos, mas aquela que começa quando eu paro de disputar espaço, influência e reconhecimento. 


Quando eu entendo que meu irmão não é concorrente, nem ameaça, nem obstáculo, mas alguém tão  (ou mais) exausto quanto eu. 


Estamos todos cansados. 


Do nosso amado bispo, com seu grave problema de saúde que o impede de atravessar a praça para nos dar o privilégio em participar de uma homenagem honrosa a um membro do clero diocesano, aos seminaristas, que saem de suas casas e famílias para se entregarem totalmente ao cuidado da Diocese e se frustram dentro de um mês ao encontrar um ciclo vicioso que se repete há anos. 

Não há ninguém capaz de assumir nada de novo na formação desta diocese?


São sempre os mesmo 2 ou 3 de 18, 20, 30 anos atrás? 


É sério que há quem considere isso descente?


Do mais forte ao mais frágil, todos cansados!


E o cansaço não tratado vira cinismo, ironia, dureza e indiferença pastoral.


Psicanaliticamente, eu diria sem medo: estamos vivendo um looping institucional da alma. 


Tudo é despejado, nada é elaborado. 


Só repetido.


As peças do tabuleiro só mudam de lugar: vão e voltam. Com exclusividade.


Uma dança das cadeiras com cadeiras marcadas para cargos, funções, paróquias, etc. etc. etc.


Como se, no meio de dezenas de padres, apenas meia dúzia deles fossem os necessários e os eficazes.


Não há começo, meio e fim porque não há simbolização. 


Há quem está preso aos começos desde o nosso bispo anterior e, curiosamente, ainda não consegue deslumbrar, com maturidade e consciência pastoral, a necessidade da teologia da continuidade: os senhores precisam dos meios e dos fins! 

Até o Bispo, pela Sabedoria da Mãe Igreja, tem a hora certa de sair de cena.

E a vida pastoral continua.


Repetimos funções como quem repete sintomas. 


Estamos doentes de cargos.

Estamos doentes de reuniões e papéis.

Estamos doentes de não sermos nada e nos agarrarmos com unhas e dentes a papéis que levem nossos nomes e assinaturas.


As mesmas pessoas nos mesmos lugares, os mesmos discursos, as mesmas disputas, os mesmos grupos, as mesmas “costuras”, porque o sistema, como um sujeito adoecido, prefere a repetição do sofrimento conhecido ao RISCO DO DESCONHECIDO QUE PODERIA CURAR.


Onde não há luto, há repetição. 


Onde não se chora o que morreu, o passado governa o presente.


Então, o que desejar para este ano?


Logo eu: aposentado por invalidez, por um câncer que devora o interior dos meus ossos, silenciosamente, dia após dia.


Logo eu, que estou assistindo tudo de fora.


Eu não desejaria felicidade fácil. 


Desejaria coragem espiritual. 


Coragem para reconhecer que nem tudo o que é antigo é tradição; muita coisa é atraso e paralisia.


Muitas coisas (e pessoas) são apenas hábitos fossilizados.


Alguns fingem não perceber que já não servem para seus cargos; 

não são úteis nem necessários, mas não conseguem escrever uma carta coerente e caridosa, renunciando aos seus títulos arqueológicos e liberando o bispo do peso de arrastá-los.


Eu desejo coragem para admitir que algumas estruturas se tornaram estéreis, e que insistir nelas não é fidelidade, é negação. 


Covardia!


Coragem para permitir que Deus nos desinstale — porque toda verdadeira experiência de Deus desinstala.


Desejaria também liberdade interior. 


Liberdade dos títulos, das comparações, das pequenas vaidades clericais que nos fazem esquecer que fomos ordenados para servir, não para vencer lutas como gladiadores no centro de uma arena repleta de torcedores fanáticos por este ou aquele.


Senhores “Vigários de tantas coisas que já não servem” nem ao Bispo Diocesano e muito menos ao clero e ao povo a nós confiado.


Analisem a si mesmos e suas limitações: teriam os senhores se tornado pedras de tropeço?


Todos dizem as mesmas coisas pelos corredores da Cúria ou das sacristias. TODOS! 

E se disserem ser mentira posso citar nomes, ocasiões e assuntos tratados.


Quando o ministério vira identidade narcísica, ele deixa de ser sacramento e vira armadura.


E, acima de tudo, eu desejaria esperança pascal, aquela que não depende do sistema funcionar, mas da GRAÇA agir. 


A esperança que sabe que Deus sempre começa algo novo, mesmo quando tudo parece velho demais. 


Às vezes, o ano novo não nasce nas estruturas, mas em pequenos deslocamentos interiores: 

um padre que decide escutar mais, julgar menos; 

outro que aceita sair do centro do assunto ou da cidade; 

outro que cuida da própria saúde psíquica e espiritual sem culpa para evitar danos vergonhosos a si mesmo e à toda diocese.

Outro que reaprende a rezar sem pressa, deixando de lado a agenda pessoal para privilegiar a liturgia orante e acessível com o povo que já não entende nada do que se é falado dos púlpitos e muito do que é papagaiado nas celebrações.


Talvez não possamos desejar um “ano feliz”. 


Mas podemos desejar um ano verdadeiro. 


E, para mim, isso já seria profundamente cristão. 


Porque onde há verdade, mesmo dolorosa, Deus ainda está trabalhando. 


E se Deus ainda trabalha, então — mesmo no cansaço — ainda há salvação em curso.


…eu termino não com um slogan, mas com um pedido de um padre que está vivendo a experiência magnífica de viajar as dioceses de todo esse país e fora dele também para pregar retiros, dar formações teológicos e jornadas de catequese:


Eu peço que este ano nos seja dado como travessia, não como vitrine.


Que Deus nos poupe dos cargos e títulos que anestesiam a ponto de não percebermos que estamos atrapalhando a vida de uma diocese inteira, e nos conceda a lucidez que dói, mas salva. 


Salva a si mesmo. 


Salva ao presbitério cada vez mais vazio nas liturgias comuns.


Salva a vida pastoral cada dia mais desmotivada e em conflito com os leigos.


Salvo o seminário, que deve ser o lugar primordial do encontro, o lugar onde se cultiva a matéria-prima do nosso próprio Presbitério, onde serão formados o que deverão zelar por nossa velhice, ao menos confortável para além de nossas desgraças pessoais.


Salve a Cúria do afogamento burocrático e nada caridoso.


Salve o Bispo, tantas vezes sozinho e boicotado em tantos sonhos e projetos.


Que a gente tenha menos pressa de parecer forte e mais coragem de admitir fragilidade.


Porque só o frágil precisa de graça — e só quem precisa de graça se deixa alcançar por Deus.


Eu peço que a gente volte a sentir o que faz, a rezar o que vive, a chorar o que perdeu.


Que a instituição não nos roube a alma;

que a função não mate o desejo;

que o cargo não silencie a consciência.


Se for para desejar algo aos meus irmãos padres,

que seja isso:


não um ano confortável,

mas um ano honesto diante de Deus e digno aos olhos do presbitério que não se cansa de murmurar pelos corredores da cúria, ou de se manterem ocupados em fazer nada.


Um ano em que a gente pare de fingir que está tudo bem.


Porque NÃO ESTÁ!


Porque Deus não nos chama pelo que mostramos,

Ele nos encontra exatamente onde quebramos.


E se ainda doer, se ainda cansar, se ainda confundir,

eu acredito — profundamente,

que é sinal de que o Espírito ainda não desistiu de nós.


E enquanto Ele não desistir,

mesmo no esgotamento,

mesmo no silêncio,

mesmo na noite,

a Páscoa continuará sendo preparada.


Que venha 2026.


Que, sendo possível, seja novo e nos surpreenda para além do óbvio que ocupa os mesmos lugares há tantos anos.


Que venha o Ano e sejamos capazes o suficiente para torná-lo um ANO NOVO e FELIZ.


Pe. Fábio Marinho

Diocese de Uberlândia - MG

BRASIL

(Filósofo - Teólogo - Psicanalista)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Intenções de oração do Papa Leão XIV para o ano de 2026


 

Janeiro: aprofundar a Palavra de Deus

Oremos para que a oração com a palavra de Deus seja alimento para as nossas vidas e fonte de esperança nas nossas comunidades, ajudando-nos a construir uma Igreja mais fraterna e missionária.


Fevereiro: crianças com doenças incuráveis

Oremos para que as crianças que sofrem de doenças incuráveis ​​e suas famílias recebam os cuidados médicos e o apoio necessários, sem jamais perder a força e a esperança.


Março: paz e desarmamento

Oremos para que as nações avancem rumo a um desarmamento efetivo, em particular o desarmamento nuclear, e que os líderes mundiais escolham o caminho do diálogo e da diplomacia em vez da violência.


Abril: sacerdotes em crise

Oremos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise em sua vocação, para que encontrem o acompanhamento de que precisam e para que as comunidades os apoiem com compreensão e oração.


Maio: alimentos para todos

Rezemos para que todos, dos grandes produtores aos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício. Que cada pessoa tenha acesso a alimentos nutritivos e suficientes.


Junho: valores no esporte

Oremos para que o esporte seja um instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações, e que promova valores como respeito, solidariedade e crescimento pessoal.


Julho: respeito à vida

Oremos pelo respeito e pela proteção da vida humana em todas as suas fases, reconhecendo-a como um dom de Deus.


Agosto: evangelização nas cidades

Oremos para que, nas grandes cidades, muitas vezes marcadas pelo anonimato e pela solidão, encontremos novas maneiras de proclamar o Evangelho, descobrindo caminhos criativos para construir comunidade.


Setembro: cuidado com a água

Oremos por uma gestão justa e sustentável da água, um recurso vital, para que todos tenham acesso igualitário a ela.


Outubro: saúde mental na Igreja

Oremos para que o ministério da saúde mental seja estabelecido em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação contra pessoas com doenças mentais.


Novembro: uso responsável da riqueza

Oremos pelo uso correto da riqueza, para que, não sucumbindo à tentação do egoísmo, ela seja sempre colocada a serviço do bem comum e da solidariedade com aqueles que têm menos.


Dezembro: famílias monoparentais

Oremos pelas famílias que vivem a ausência de mãe ou pai, para que encontrem apoio e acompanhamento na Igreja, e auxílio e força na fé nos momentos difíceis.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Aparições de Nossa Senhora e Significado da Medalha Milagrosa



APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS (Paris, França - 1830)

As aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em 1830 – Paris, marcaram o início de um ciclo de grandes revelações Marianas. Esse ciclo prosseguiu em La Salette (1846), em Lourdes (1858) e culminou em Fátima – Portugal (1917)

Desde 1830 Nossa Senhora se manifesta deplorando os pecados do mundo, oferecendo perdão e misericórdia à humanidade pecadora e prevendo severos castigos caso ela não se convertesse. Mas também anunciando que, após esses castigos, viria um triunfo esplendoroso do Bem.

Em novembro de 1876, um mês antes de sua morte, Santa Catarina Labouréafirmou: “Virão grandes catástrofes. O sangue jorrará nas ruas. Por um momento, crer-se-á tudo perdido. Mas tudo será ganho. A Santíssima Virgem é quem nos salvará. Sim, quando esta Virgem, oferecendo o mundo ao Pai Eterno, for honrada, seremos salvos e teremos a paz”.

No ano de 1830 a Imaculada Virgem Maria vem à terra

para mostrar e a seus filhos o caminho que leva a seu Filho Jesus.

Ela veio do Céu para trazer-nos um sinal, o seu retrato numa Medalha bendita, derramando Suas Graças aos filhos que pedirem a sua intercessão; e devido aos seus prodígios e milagres, o povo cristão deu a esta medalha o título de “Milagrosa”. A Medalha Milagrosa é um rico presente que Maria Imaculada quis oferecer ao mundo como penhor dos seus carinhos e bênçãos maternais, como instrumento de milagres e como meio, de preparação para a definição dogmática de 1854.

 

1ª Aparição: 19 de julho de 1830

A primeira aparição ocorreu durante a noite do 19 de julho de 1830. A Virgem Gloriosa apareceu à irmã Catarina Labouré. A irmã acordou e ouviu claramente chamar 3 vezes:

- "Irmã".

Olhou para o lado de onde vinha a voz e viu um menino vestido de branco. Era o seu Anjo da Guarda. O menino lhe disse:

- "Venha à capela, a Santa Virgem Te espera."

Ao chegar à capela, a porta se abriu mal o menino a tocou. Na capela todas as velas estavam acesas. O menino a conduzia ao sacrário, junto à cadeira do padre director. Catarina espera e reza. Passado uma meia hora, o Anjo disse de repente:

- "Eis a Santíssima Virgem".

Ao lado do altar, onde normalmente se lê a epístola, Maria desceu, dobrou o joelho diante do Santíssimo e vai sentar-se numa cadeira no coro dos sacerdotes. Num abrir e fechar dos olhos, a vidente se atirou aos seus pés, apoiado suas mãos sobre os joelhos maternais da Santa Virgem. Foi esse o momento mais belo de sua vida. Durante duas horas Maria falou com Catarina duma missão que Deus queria confiar-lhe e também das dificuldades que iria encontrar na realização da mesma.

Conta-nos Catarina: “Ela me disse como eu devia proceder para com meu diretor, como devia proceder nas horas de sofrimento e muitas outras coisas que não posso revelar”.

Essas coisas que ela não podia contar em 1830, revelou-as depois:

“Várias desgraças vão cair sobre a França; o trono será derrubado; o mundo inteiro será revolto por desgraças de toda sorte”. Falou também de “grandes abusos” e “grande relaxamento” nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas, e que deveria alertar disso os superiores.

Voltou, em seguida, a falar de outros terríveis acontecimentos que ocorreriam em futuro mais distante, prevendo com 40 anos de antecedência as agitações da Comuna de Paris e o assassinato do Arcebispo; prometeu sua especial proteção, nessas horas trágicas, aos filhos e às filhas de São Vicente de Paulo. Depois Maria desapareceu, e o Anjo a reconduziu para o dormitório.

2ª Aparição: 27 de novembro de 1830

"A Virgem Santíssima, - diz a irmã - aparece e estava de pé sobre um globo, vestida de branco, com o feitio que se diz à Virgem, isto é, subido e com mangas justas; véu branco a cobrir-lhe a cabeça, manto azul prateado que lhe descia até aos pés. Suas mãos erguidas à altura do peito seguravam um globo de ouro, em cima do globo havia uma cruz... Tinha os olhos erguidos para o céu, e seu rosto iluminava-se enquanto oferecia o globo a Nosso Senhor Jesus Cristo. Catarina ouviu uma voz que lhe disse:

- "Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que, mas pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir.“

Enquanto Maria estava rodeada duma luz brilhante, o globo desaparece das suas mãos. Formou-se então em torno da virgem um quadro de forma oval em que havia em letras de ouro estas palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".

Então uma voz se fez ouvir que dizia: ’'Manda cunhar uma Medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem, receberão grandes graças, especialmente se a trouxerem ao pescoço; hão-de ser abundantes as graças para as pessoas que a trouxerem com confiança. Depois, o quadro voltou-se, mostrando no reverso um conjunto de emblemas, no centro um grande M, o monograma de Maria, encima do M, por uma cruz sobre uma barra; abaixo do monograma havia dois corações: o da esquerda cercado de espinhos, o da direita transpassado por uma espada. Eram os corações de Jesus e Maria. Por fim uma constelação de doze estrelas, em forma oval, cercando este conjunto. Paris sofria com a peste que dizimava milhares todos os dias e aos doentes nos hospitais onde as Irmãs da Caridade serviam foram distribuídas as primeiras medalhas e os mesmos milagrosamente ficavam curados, daí grande parte do povo na época passou a crer e usar as medalhas e as curas foram incontáveis até os nossos dias.

Para logo, começou a espalhar-se com muita rapidez a devoção pelo mundo inteiro, acompanhada sempre de prodígios e milagres extraordinários, reanimando a fé quase extinta em muitos corações, produzindo notável restauração dos bons costumes e da virtude, sarando os corpos e convertendo as almas. Em 1858, a Virgem Maria veio confirmar essa verdade de fé pelas suas aparições em Lourdes à pequena Bernadette, que trouxe a medalha ao pescoço, Maria se fez conhecer com estas palavras: "Eu sou a Imaculada Conceição".

 


Simbolismo da Medalha Milagrosa

A serpente: Maria aparece esmagando a cabeça da serpente.

A mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis:

"Porei inimizade entre ti e a mulher... Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar".


Deus declara iniciada a luta entre o bem e o mal. Essa luta é vencida por Jesus Cristo, o "novo Adão", juntamente com Maria, a Mãe de Jesus, a "nova Eva". É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher esmaga finalmente a cabeça da serpente, para que não mais a morte pudesse escravizar os homens.

Os raios: Simbolizam as graças que Nossa Senhora derrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama Tesoureira de Deus.

As 12 estrelas: simbolizam as 12 tribos de Israel e os 12 Apóstolos

Maria Santíssima também é saudada como "Estrela do Mar" na oração Ave, Maris Stella.


O coração cercado de espinhos: É o Sagrado Coração de Jesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.

O coração transpassado por uma espada: É o Imaculado Coração de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa co-redentora.

O M: Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam o calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na história da salvação.


O travessão e a Cruz: Simbolizam o calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a repetição do sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristã.

 

Fonte: https://oespiritosanto.com/

Ó Maria concebida sem pecado. 
Rogai por nós que recorremos a vós!